Corticoides inalados, tópicos e até intranasais também podem desencadear glaucoma secundário, exigindo controle oftalmológico regular desde as primeiras semanas de uso.
Mais de 1,7 milhão de pessoas convivem com o glaucoma no Brasil, segundo estimativa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Por se tratar de uma condição silenciosa, que pode evoluir sem sintomas até estágios avançados, muitos casos seguem sem diagnóstico. Entre as diferentes formas da doença, uma merece atenção especial: o glaucoma induzido por corticoide, ou corticogênico, associado ao uso de medicamentos anti-inflamatórios à base de corticosteroides.
De acordo com o oftalmologista Dr. Solon Vasconcelos Bastos, do Hospital de Referência Oftalmológica (HRO), integrante da rede Vision One, esse tipo de glaucoma é classificado como secundário.
“Caracteriza-se por lesão no nervo óptico provocada pelo aumento da pressão intraocular (PIO) associada ao uso de corticosteroides, independentemente da via de administração”, explica.
Segundo o médico, a alteração ocorre por mudanças no trabeculado, estrutura responsável pela drenagem do líquido do olho, com acúmulo de material extracelular e comprometimento das células responsáveis pela filtragem do fluido ocular. Como resultado, a pressão se eleva e pode comprometer estruturas importantes da visão.
Embora a principal diferença esteja na presença de um fator causador identificável – neste caso, o uso de corticoides –, nem sempre o quadro é reversível.
“Em casos de uso prolongado ou em pacientes predispostos, o dano ao nervo óptico pode ser irreversível, com curso clínico e necessidade terapêutica semelhantes ao GPAA [glaucoma primário de ângulo aberto]”, afirma o médico.
A probabilidade de desenvolver glaucoma cortisônico é maior com o uso de colírios potentes à base de dexametasona e prednisolona, em razão da alta absorção intraocular. No entanto, outras formas de uso também apresentam risco.
“A sistêmica (oral e injetável), intranasal, cutânea e inalatória também podem provocar elevação da pressão intraocular, especialmente em pessoas com predisposição genética ou histórico de aumento da pressão ocular causado por corticoide – os chamados corticossensíveis”, afirma o oftalmologista.
O risco aumenta ainda mais nos casos de injeções intraoculares ou uso prolongado.
Segundo o Dr. Solon, a resposta à corticoterapia é altamente individual. Embora a elevação da pressão intraocular seja mais frequente entre a segunda e a quarta semana de uso contínuo, a alteração na pressão pode surgir em menos tempo.
“Para os pacientes corticossensíveis, a hipertensão pode surgir em poucos dias. Por essa razão, a orientação clínica é realizar controle oftalmológico com tonometria [exame que mede a pressão intraocular] já nas primeiras duas a quatro semanas de uso dos corticóides”, pontua.
Ele explica que, cerca de um terço da população pode reagir ao corticoide em diferentes intensidades. Entre os grupos mais vulneráveis estão:
“Além disso, há evidências de que mutações ou variações genéticas específicas podem estar associadas à sensibilidade aumentada à corticoterapia ocular”, complementa.
Em determinadas condições clínicas, como rinite alérgica, asma e lúpus, o uso de corticoides é constante e nem sempre pode ser interrompido. Nesses casos, o acompanhamento deve ser mais rigoroso.
“A melhor estratégia envolve minimizar a dose e o tempo de uso do corticoide sempre que possível; preferir medicamentos com menor absorção ocular [que apresentam menos risco de aumentar a pressão intraocular]; avaliar alternativas terapêuticas não esteroidais quando viáveis; instituir acompanhamento oftalmológico regular, com avaliação da PIO e do nervo óptico e; educar o paciente e a equipe médica sobre os sinais precoces de hipertensão ocular”, explica Dr. Solon.
O médico reforça que a avaliação oftalmológica também deve considerar diferentes fatores, como a via de administração, a potência do corticoide, o tempo de uso e o histórico do paciente.
“A primeira avaliação deve ocorrer após 2 semanas de uso do corticóide. Nos casos de uso crônico, o acompanhamento deve ocorrer a cada três ou seis meses, conforme o grau de risco individual. Já pacientes com elevação da PIO devem ser acompanhados com frequência aumentada, podendo exigir tratamento hipotensor específico [medicações que reduzem a pressão ocular]”, conclui.
A detecção precoce continua sendo uma das principais aliadas no controle do glaucoma, inclusive nas formas secundárias, como a cortisônica. Dados divulgados pela Agência Brasil mostram que, entre 2022 e 2023, cerca de 300 mil brasileiros evitaram a cegueira ao realizar o monitoramento correto da condição. Iniciativas que promovem o acesso ao diagnóstico, como o programa Visão Saúde e ações de educação médica integrada podem ajudar a conter o avanço silencioso da doença.
Esse FAQ reúne respostas com base exclusiva no conteúdo acima, explicando como os corticoides atuam no organismo, seus possíveis efeitos adversos e a importância do acompanhamento médico. O objetivo é esclarecer dúvidas de forma clara e responsável, com informações seguras e baseadas em evidências científicas.
Os corticoides são medicamentos que imitam a ação do cortisol, um hormônio natural produzido pelas glândulas suprarrenais. Eles atuam reduzindo a inflamação e controlando reações alérgicas, sendo amplamente utilizados em doenças autoimunes, respiratórias e oculares. No entanto, o uso deve ser sempre supervisionado por médicos, já que o efeito potente pode causar reações adversas se administrado em excesso ou por tempo prolongado.
O corticoide é indicado em casos de inflamações oculares intensas, como uveítes, alergias graves e pós-operatórios de cirurgias oftalmológicas. Ele ajuda a controlar o processo inflamatório e a aliviar sintomas como dor, vermelhidão e inchaço. Porém, seu uso inadequado pode causar complicações, incluindo aumento da pressão intraocular e risco de glaucoma. Por isso, o tratamento deve ser sempre monitorado por oftalmologistas.
O uso prolongado de corticoides pode provocar efeitos colaterais importantes, como aumento da pressão arterial, retenção de líquidos, alterações hormonais, osteoporose e enfraquecimento do sistema imunológico. No caso dos olhos, há risco de desenvolvimento de catarata ou glaucoma. Por isso, é essencial seguir o tempo e a dosagem prescritos pelo médico, sem interromper ou estender o tratamento por conta própria.
O corticoide não causa dependência no sentido clássico, mas o uso contínuo pode fazer com que o organismo reduza a produção natural de cortisol. Isso exige um processo de redução gradual da dose, conduzido por um médico, para evitar efeitos de abstinência, como fraqueza, febre e queda de pressão. A interrupção brusca nunca deve ser feita sem acompanhamento clínico.
Sim. Cada forma de corticoide tem indicações específicas. As apresentações orais e injetáveis atuam de forma sistêmica, sendo indicadas em inflamações generalizadas. Já os colírios com corticoide agem localmente, tratando inflamações oculares e reduzindo sintomas de desconforto. Mesmo quando usados topicamente, exigem acompanhamento médico para evitar complicações, especialmente o aumento da pressão intraocular.
O uso de corticoides nos olhos exige atenção porque, apesar de eficazes, podem alterar a pressão intraocular e, em casos prolongados, contribuir para o surgimento de glaucoma e catarata. Esses efeitos costumam ser silenciosos e detectados apenas em exames específicos. Por isso, o tratamento com colírios corticoides deve ser supervisionado por um oftalmologista e nunca prolongado sem orientação.
Não é recomendado. O uso de corticoides sem prescrição pode causar efeitos graves à saúde, especialmente quando há doenças preexistentes, como diabetes ou hipertensão. Cada tipo de corticoide tem dosagem, via de administração e tempo de uso específicos. O acompanhamento médico garante que o medicamento seja usado de forma segura, com acompanhamento dos possíveis efeitos colaterais.
Sim. O corticoide pode interagir com diversos fármacos, alterando sua eficácia ou aumentando o risco de efeitos adversos. Medicamentos para diabetes, anticoagulantes e anti-hipertensivos, por exemplo, exigem cuidado redobrado durante o uso conjunto. Por isso, é fundamental informar ao médico todos os medicamentos e suplementos utilizados antes de iniciar o tratamento.
Entre os sinais de alerta estão aumento repentino de peso, inchaço, fraqueza muscular, insônia e alterações de humor. No uso ocular, sintomas como visão embaçada ou dor persistente exigem avaliação imediata. Esses efeitos não devem ser ignorados, pois podem indicar complicações. Buscar orientação de um médico é a forma mais segura de ajustar a dose ou considerar alternativas terapêuticas.
O uso de corticoides durante infecções deve ser feito com extrema cautela, pois o medicamento pode suprimir a resposta imunológica, favorecendo a progressão da doença. Em alguns casos, é utilizado em associação com antibióticos, sob acompanhamento médico rigoroso. A automedicação é desaconselhada, especialmente quando há suspeita de infecção ocular, respiratória ou sistêmica.
Sim. O organismo produz cortisol de forma natural, enquanto os corticoides sintéticos são versões farmacológicas com ação semelhante, mas mais intensa e duradoura. Eles permitem controle mais rápido da inflamação, porém, também apresentam maior potencial de efeitos adversos. O equilíbrio entre eficácia e segurança depende da orientação médica e da dose prescrita.
O uso prolongado de corticoides pode causar retenção de líquidos e aumento do apetite, levando ao ganho de peso. Esse efeito é mais comum em tratamentos longos ou com altas doses. Em geral, ele é reversível após a suspensão gradual do medicamento. Manter uma alimentação equilibrada e o acompanhamento médico ajuda a minimizar esse impacto durante o tratamento.
A duração segura do uso depende do tipo de corticoide, da dose e da condição tratada. Em tratamentos curtos, os riscos são mínimos. Já o uso prolongado requer monitoramento contínuo e exames periódicos. O médico ajusta o tempo de uso conforme a resposta do paciente, buscando o equilíbrio entre eficácia terapêutica e segurança.
Sim, desde que sob acompanhamento rigoroso. Em crianças, o uso deve ser controlado para evitar interferências no crescimento. Em idosos, é necessário cuidado com o risco de osteoporose, pressão alta e diabetes. O médico avalia o melhor tipo e dose de corticoide para cada faixa etária, considerando o histórico de saúde e possíveis interações medicamentosas.
Para orientações sobre o uso de corticoides, o paciente pode acessar a página de agendamento de consultas da Vision One e conversar com médicos capacitados em diversas especialidades. O acompanhamento profissional é a melhor forma de tratar inflamações com segurança e evitar complicações relacionadas ao uso inadequado do medicamento.
Exames simples e acessíveis ajudam a detectar o glaucoma antes que ele comprometa a visão. Saiba quais.
O glaucoma pode evoluir sem sintomas, mas não sem sinais. Com exames específicos, o oftalmologista identifica alterações sutis.
A Vision One reúne marcas reconhecidas pela inovação, excelência no serviço e abordagem humanizada no atendimento.