O glaucoma pode levar anos até comprometer a visão central ou causar cegueira em dias, se for do tipo mais agressivo. A Dra. Rinalva Vaz explica como o tipo de glaucoma influencia a velocidade da perda visual. Veja como identificar e tratar a tempo.
A perda visual provocada pelo glaucoma pode ocorrer em semanas ou levar décadas para se instalar, dependendo do tipo e do estágio da doença. A avaliação é da oftalmologista Rinalva Vaz, do Hospital de Olhos Santa Luzia, integrante da rede Vision One, e membro da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG).
“Clinicamente podemos definir o glaucoma como uma neuropatia óptica progressiva com dano estrutural característico no nervo óptico e na camada de fibras nervosas da retina, com consequente defeito funcional no campo visual”, pontua.
De acordo com a Dra. Rinalva, a progressão do glaucoma é avaliada com base em dois critérios técnicos: o dano estrutural ao nervo óptico e a perda funcional no campo visual. Em outras palavras, a capacidade de enxergar. Um dos principais sinais estruturais é a escavação — um “afundamento” observado em exames, que indica a perda de fibras nervosas. Quanto maior a escavação, maior o comprometimento da visão. Com base nesses parâmetros, os casos são classificados como iniciais, moderados, avançados ou terminais.
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No início da doença, a oftalmologista detalha que podem surgir pequenas falhas periféricas, geralmente restritas a um dos hemicampos — superior ou inferior. Nessa fase, a escavação do nervo óptico costuma estar acima de 0,6, e pode haver diferença perceptível entre os dois olhos.
No estágio moderado, os defeitos se espalham por regiões superiores e inferiores da visão, mas o centro ainda está preservado. Nessa etapa, a glaucomatóloga salienta que a escavação do disco óptico tende a variar entre 0,7 e 0,8, com perda mais difusa de fibras nervosas.
No glaucoma avançado, as áreas afetadas se aproximam da visão central, e a escavação atinge 0,9 ou mais. Já no estágio terminal, a Dra. Rinalva alerta que o campo visual pode estar quase ausente, e os exames mostram atrofia total do nervo óptico.
A forma como o glaucoma compromete a visão varia bastante entre os pacientes. Segundo a Dra. Rinalva, o tipo de glaucoma interfere diretamente no ritmo de progressão, sendo que o glaucoma de ângulo aberto costuma evoluir de forma lenta e silenciosa. Já o de ângulo fechado pode causar perda visual severa em poucos dias, especialmente durante crises agudas.
“O bloqueio súbito do escoamento do humor aquoso [líquido que preenche a parte frontal do olho] causa elevação brusca da pressão intraocular, de 40 a 70 mmHg, e pode causar dano irreversível em dias a semanas se não houver intervenção”, afirma.
A médica cita um estudo populacional realizado em Minnesota, nos Estados Unidos, que estimou as chances de cegueira após 20 anos de diagnóstico. Pacientes que já apresentavam alterações no nervo óptico ou no campo visual tinham 54% de probabilidade de ficarem cegos em pelo menos um olho e 22% em ambos. Entre aqueles sem sinais de dano no momento do diagnóstico, os índices foram de 14% e 4%, respectivamente.
“A evolução é muito variável entre indivíduos”, reforça.
Outros elementos também influenciam na velocidade desse avanço, como pressão intraocular elevada, espessura corneana fina, histórico familiar e doenças sistêmicas mal controladas, a exemplo do diabetes. Segundo a especialista, alguns tipos de glaucoma apresentam comportamento mais agressivo, como o de ângulo fechado, o pigmentário (causado por pigmentos que obstruem a drenagem) e o pseudoexfoliativo (marcado pelo acúmulo de uma substância no interior do olho que dificulta o escoamento do líquido ocular).
Além disso, fatores comportamentais também têm impacto relevante. A Dra. Rinalva chama atenção para a adesão irregular ao tratamento, o atraso nas revisões oftalmológicas e hábitos como tabagismo, uso prolongado de corticoides e apneia do sono, que podem acelerar a progressão da doença.
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O diagnóstico precoce tem o potencial de mudar completamente a linha do tempo da doença.
“A detecção de alterações estruturais ou funcionais iniciais, antes de sintomas ou perda funcional significativa, interrompe ou desacelera fortemente a progressão da doença, sendo possível manter a visão satisfatória durante toda a vida”, revela a médica.
Apesar disso, a maior parte dos casos ainda chega ao consultório com algum grau de comprometimento.
“Embora os números variem por região e tipo de serviço (público e privado), a maioria dos estudos e observações de prática clínica mostram que, entre 50% e 70% dos pacientes com glaucoma chegam pela primeira vez já em estágio moderado ou avançado da doença. Na minha prática clínica, em torno de 50% dos pacientes já chegam com sinais de glaucoma”, relata Dra. Rinalva.
O acompanhamento periódico com o oftalmologista varia conforme o grau da doença. Em casos leves, a recomendação é de retorno a cada 6 a 12 meses. No estágio moderado, esse intervalo é reduzido para 4 a 6 meses. Pacientes com glaucoma avançado devem ser acompanhados com frequência ainda maior: entre 1 e 3 meses. Segundo a médica, esse intervalo pode ser ampliado em casos estáveis, mas jamais deve ser suspenso.
Este FAQ reúne respostas com base exclusiva no conteúdo acima, explicando como o glaucoma pode comprometer a visão ao longo do tempo, quais fatores aceleram sua progressão e quando buscar ajuda médica para preservar a saúde ocular.
Sim. O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. Ele provoca a morte progressiva das fibras do nervo óptico, responsáveis por transmitir as imagens ao cérebro. Se não for diagnosticado e tratado precocemente, a perda de campo visual avança lentamente até atingir a visão central. O controle da pressão intraocular é essencial para desacelerar esse processo e preservar o máximo possível da função visual.
O tempo varia conforme o tipo de glaucoma, a pressão intraocular e a resposta ao tratamento. Em alguns casos, o dano pode se desenvolver por anos sem sintomas perceptíveis; em outros, a perda de visão ocorre em poucos meses. O acompanhamento regular com um oftalmologista é indispensável, pois apenas exames de imagem e de campo visual detectam o estágio real da doença e indicam quando ajustar o tratamento.
Infelizmente, não. O dano causado ao nervo óptico é permanente. O tratamento tem como objetivo preservar a visão remanescente, evitando que a doença progrida. Por isso, o diagnóstico precoce é o melhor aliado contra a cegueira. Exames preventivos anuais são recomendados, especialmente a partir dos 40 anos ou em pessoas com histórico familiar de glaucoma.
Sim, mas em graus diferentes. O glaucoma de ângulo aberto costuma evoluir de forma lenta e silenciosa, enquanto o glaucoma de ângulo fechado pode causar uma crise aguda com dor intensa e perda súbita de visão. Mesmo as formas secundárias, causadas por trauma ou uso de corticoides, precisam de vigilância constante. Em todos os casos, o acompanhamento médico é indispensável para controlar a pressão ocular.
Os sinais podem incluir visão embaçada, halos coloridos ao redor das luzes, dor ocular, cefaleia e diminuição do campo visual periférico. Em fases iniciais, o paciente muitas vezes não percebe alterações. Quando os sintomas se tornam evidentes, o nervo óptico já está comprometido. Por isso, realizar exames oftalmológicos periódicos é a melhor forma de detectar o problema antes que cause danos irreversíveis.
Sim. A predisposição genética é um dos fatores de risco mais importantes. Filhos, irmãos e pais de pessoas com glaucoma devem realizar exames regularmente, mesmo sem sintomas. O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento antes que ocorram lesões significativas. O controle da pressão ocular e o uso correto das medicações indicadas reduzem muito a probabilidade de perda visual.
Controlar a pressão ocular é a principal estratégia para preservar a visão. Colírios, medicamentos orais, lasers e cirurgias de glaucoma podem ser utilizados, dependendo da resposta de cada paciente. O tratamento deve ser mantido continuamente, com revisões periódicas para verificar a eficácia. A adesão é decisiva para impedir a progressão da doença e evitar danos irreversíveis ao nervo óptico.
Normalmente, afeta ambos os olhos, mas nem sempre com a mesma intensidade. É comum que um olho apresente sinais mais avançados que o outro. Mesmo quando a perda é assimétrica, o acompanhamento deve incluir exames em ambos os olhos, pois o glaucoma é uma doença crônica e bilateral. Ignorar o tratamento em um deles pode comprometer o equilíbrio visual e a percepção de profundidade.
Sim. Quando o uso de colírios e medicamentos não é suficiente para manter a pressão ocular dentro do limite seguro, o médico pode indicar uma cirurgia de glaucoma. O procedimento cria uma nova via de drenagem para o fluido interno do olho, reduzindo a pressão. Em alguns casos, implantes e microdispositivos modernos tornam o processo mais preciso e seguro, com recuperação rápida.
Pode. Embora o tratamento reduza a progressão, alguns pacientes apresentam resistência aos colírios ou variações de pressão ao longo do dia. Por isso, é importante realizar exames regulares e comunicar qualquer mudança visual ao médico. Ajustes de dose, troca de medicação ou indicação de procedimentos a laser podem ser necessários para manter o controle adequado da doença.
Hábitos saudáveis contribuem para o controle da pressão ocular. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física leve, controlar o estresse e dormir bem ajudam a preservar o nervo óptico. Evitar cigarro e consumo excessivo de álcool também é importante. O uso correto das medicações e o acompanhamento regular são, contudo, os principais fatores para evitar a perda de visão.
A cirurgia de glaucoma é um procedimento oftalmológico crucial para tratar essa doença ocular progressiva que pode levar à perda d
Exames simples e acessíveis ajudam a detectar o glaucoma antes que ele comprometa a visão. Saiba quais.
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