Saúde ocular e as vias lacrimais
O teste de vias lacrimais é o exame que avalia o sistema de drenagem da sua lágrima, investigando a causa do lacrimejamento excessivo.
Esta seção foi elaborada para esclarecer, de forma acolhedora, as dúvidas mais comuns sobre este exame, explicando como ele funciona e sua importância no diagnóstico do lacrimejamento.
O principal teste é a irrigação. O exame é feito no consultório. Primeiro, o médico aplica um colírio anestésico para seu conforto. Em seguida, ele utiliza uma cânula muito fina, com a ponta arredondada, que é inserida delicadamente no seu ponto lacrimal (o pequeno orifício no canto da pálpebra). Através dessa cânula, o médico injeta soro fisiológico. Ele irá observar como o líquido flui, se ele retorna ou se você o sente a descer pela garganta.
Não, o teste não dói. O uso do colírio anestésico antes de o procedimento começar garante que a superfície do seu olho e a área do ponto lacrimal fiquem sem sensibilidade. Você pode sentir a sensação do soro a ser injetado e um gosto salgado na garganta, o que pode ser uma sensação estranha, mas não é dolorosa. É um exame rápido e muito bem tolerado.
O teste de irrigação das vias lacrimais é um procedimento muito rápido. A canulação do ponto lacrimal e a injeção do soro em cada olho levam, no total, apenas alguns minutos. É um exame que o oftalmologista realiza durante a própria consulta, fornecendo um diagnóstico imediato sobre a perviedade do seu sistema de drenagem.
Não, para a realização do teste de vias lacrimais não é necessário dilatar a pupila. O exame avalia o sistema de drenagem da lágrima, que fica localizado no canto das pálpebras, e não tem nenhuma relação com o tamanho da pupila ou com as estruturas internas do fundo do olho.
Sua colaboração é muito simples. Você precisará se sentar confortavelmente no aparelho de exame (a lâmpada de fenda), inclinar a cabeça para a frente e mantê-la firme no suporte. O médico irá pedir que você olhe em uma determinada direção (geralmente para cima e para o lado) para facilitar o acesso ao ponto lacrimal. Tentar relaxar e não apertar os olhos durante o procedimento é o mais importante.
Se a sua via lacrimal estiver desobstruída, no momento em que o médico injetar o soro, você sentirá o líquido a passar pelo seu nariz e a chegar à sua garganta, e terá a vontade de engolir. É normal sentir um gosto um pouco salgado. Essa sensação é, na verdade, o sinal de que o teste foi bem-sucedido e que seu canal está aberto. Se o canal estiver obstruído, você não sentirá o líquido a descer.
O teste de irrigação das vias lacrimais é um procedimento médico, realizado exclusivamente pelo médico oftalmologista, especialmente por aqueles com experiência na área de plástica ocular e vias lacrimais. A técnica de inserir a cânula no ponto lacrimal de forma delicada e a interpretação correta da resposta do fluxo de soro exigem o conhecimento e a habilidade do especialista.
Sim, os resultados do teste de irrigação das vias lacrimais são imediatos. No momento em que está realizando o procedimento, o médico já tem a resposta. Ele consegue ver e sentir se o líquido está passando livremente ou se há alguma resistência ou refluxo. Ele já poderá, na mesma consulta, dar a você o diagnóstico e conversar sobre as possíveis opções de tratamento, se necessárias.
O ponto lacrimal é um pequeno orifício, quase imperceptível, que temos no canto interno de cada uma das nossas pálpebras, tanto na superior quanto na inferior. Eles funcionam como o “ralo” da pia. São as aberturas de entrada para o sistema de drenagem. É através desses pequenos pontos que a lágrima que lubrifica o olho é “sugada” para dentro dos canalículos para iniciar seu caminho até o nariz.
Sua visão pode ficar um pouco embaçada por um curto período. O embaçamento não é causado pelo procedimento em si, mas sim pelo colírio anestésico e pelo excesso de soro e lágrima que podem ficar na superfície do olho. Essa sensação é passageira e melhora rapidamente conforme você pisca e o excesso de líquido é eliminado. Não se compara ao embaçamento de longa duração da dilatação.
A principal condição que o teste diagnostica é a obstrução das vias lacrimais, ou seja, o “entupimento” do canal da lágrima. É a causa mais comum de lacrimejamento excessivo (epífora) em adultos e bebês. O teste de irrigação confirma se há ou não uma obstrução e pode, inclusive, dar pistas sobre o local do entupimento.
Em bebês, a causa mais comum é a persistência de uma fina membrana no final do ducto, que deveria se abrir ao nascer. Em adultos, a obstrução pode ocorrer sem uma causa aparente, simplesmente pelo envelhecimento e estreitamento do canal. Outras causas incluem infecções crônicas, inflamações, traumas na face, pólipos nasais ou, mais raramente, tumores que comprimem o ducto.
A dacriocistite é a infecção do saco lacrimal. Ela ocorre como uma complicação da obstrução do ducto nasolacrimal. Como a lágrima não consegue ser drenada, ela fica parada dentro do saco lacrimal, criando um ambiente perfeito para a proliferação de bactérias. A dacriocistite causa um inchaço doloroso e avermelhado no canto do olho, perto do nariz, com saída de secreção. O teste de vias lacrimais é feito após o tratamento da infecção aguda para confirmar a obstrução.
O teste é a ferramenta-chave para diferenciar as duas principais causas de lacrimejamento. Se o teste de irrigação mostra que a via lacrimal está totalmente aberta (o soro passa para a garganta), o médico conclui que o lacrimejamento não é por um problema de “ralo entupido”, mas sim por excesso de “água na torneira” (hipersecreção reflexa), geralmente causada por olho seco ou irritação. Se o teste mostra obstrução, a causa do lacrimejamento é o entupimento.
Sim. A obstrução congênita das vias lacrimais é muito comum em bebês. O diagnóstico é principalmente clínico. Se o lacrimejamento não melhora com as massagens nos primeiros meses de vida, o oftalmopediatra pode indicar um procedimento de sondagem terapêutica, que é feito com uma sonda para romper a membrana. O teste de irrigação é realizado durante esse procedimento, sob sedação, para confirmar a obstrução antes e a desobstrução depois.
Um resultado normal no teste de irrigação, onde o soro passa livremente, é um excelente sinal. Ele confirma que não há uma obstrução anatômica completa no seu sistema de drenagem. No entanto, é possível ter uma “estenose funcional”, ou seja, o canal está aberto, mas a “bomba” lacrimal, que depende do piscar, não funciona bem, ou o canal é muito estreito e não dá conta do volume. Nesses casos, outros testes, como o de desaparecimento do corante, podem ajudar.
Se o médico injeta o soro no ponto lacrimal inferior e o líquido retorna imediatamente pelo mesmo ponto, isso geralmente indica uma obstrução no canalículo inferior, que é o pequeno canal que vai do ponto até o saco lacrimal. Se o líquido retorna pelo ponto lacrimal superior, isso indica uma obstrução mais adiante, no ducto nasolacrimal, que está impedindo a passagem do soro. A forma como o líquido retorna dá ao médico pistas sobre a localização do problema.
Sim, de forma indireta e muito importante. Muitos pacientes com olho seco, especialmente o evaporativo, se queixam de lacrimejamento. A superfície do olho fica tão irritada que o corpo reage produzindo um grande volume de lágrima reflexa, que o sistema de drenagem não dá conta de escoar. Realizar o teste de vias lacrimais e confirmar que a drenagem está normal é um passo importante para se concluir que a causa do lacrimejamento é, paradoxalmente, o olho seco.
Sim. Após uma cirurgia de dacriocistorrinostomia, que cria um novo caminho para a lágrima, o teste de irrigação das vias lacrimais pode ser realizado no consultório para verificar se a nova passagem (o ostio) está funcionando bem e permanece aberta. É uma forma de confirmar o sucesso da cirurgia e de avaliar a causa em caso de persistência do lacrimejamento no pós-operatório.
Sim, inflamações crônicas na cavidade nasal e nos seios da face, como a sinusite, podem levar a um inchaço da mucosa nasal que pode, por sua vez, comprimir e fechar a abertura inferior do ducto nasolacrimal, que fica dentro do nariz. Por isso, na investigação de uma obstrução adquirida, a avaliação com um médico otorrinolaringologista também é importante para descartar problemas nasais como a causa ou um fator contribuinte.
Na prática, os termos são frequentemente usados como sinônimos, mas há uma pequena diferença técnica. A “irrigação” é o ato de injetar o líquido (soro) para testar a perviedade do canal. A “sondagem” é o ato de passar um instrumento metálico mais rígido, a sonda de Bowman, através da via lacrimal, geralmente em bebês e crianças, para desobstruí-la mecanicamente. A irrigação é diagnóstica. A sondagem é terapêutica, sendo o tratamento padrão para a obstrução em bebês.
A técnica de irrigação das vias lacrimais é um procedimento clássico da oftalmologia, utilizado há mais de um século. Não é uma tecnologia nova baseada em um equipamento complexo, mas sim uma técnica semiológica (baseada em sinais) fundamental. Sua simplicidade, baixo custo e a informação direta que fornece fazem com que ela continue a ser o padrão-ouro para a avaliação funcional da via de drenagem lacrimal.
O teste de irrigação das vias lacrimais tem componentes objetivos e subjetivos. A observação do médico sobre como o líquido flui (se há refluxo, por qual ponto, etc.) é objetiva. A sensação do paciente de sentir o soro a chegar à garganta é uma resposta subjetiva, mas de grande valor confirmatório. A combinação desses dois fatores, o sinal objetivo e o sintoma subjetivo, é o que torna o diagnóstico muito confiável.
A dacriocistografia é um exame de imagem, uma espécie de radiografia ou tomografia com contraste das vias lacrimais. O médico injeta um contraste radiopaco através do ponto lacrimal e, em seguida, são feitas as imagens de raios-X. O exame gera um “mapa” da via lacrimal, mostrando o local exato e a extensão de uma obstrução ou estreitamento. É um exame mais complexo, reservado para casos de trauma, suspeita de tumores ou para o planejamento cirúrgico.
Sim, a qualidade e o conforto do exame dependem muito da habilidade e da delicadeza do oftalmologista. A canulação do ponto lacrimal, que é muito pequeno, exige uma mão firme e experiente para não causar trauma ou criar um falso trajeto. Além disso, a interpretação correta do fluxo do líquido e a correlação com a queixa do paciente dependem do conhecimento do profissional.
É outro teste funcional da via lacrimal. O médico instila uma gota de colírio de fluoresceína em cada olho e observa o filme lacrimal na lâmpada de fenda. Em um olho com uma drenagem normal, o corante deve desaparecer (ser drenado) em até 5 minutos. Se após esse tempo ainda houver uma grande quantidade de corante no olho, isso indica uma drenagem lenta ou ineficiente, mesmo que a via não esteja totalmente obstruída.
A cânula usada para a irrigação é projetada para ser segura. Ela é muito fina e tem uma ponta lisa e arredondada (romba), para não perfurar nem arranhar os delicados tecidos dos canalículos. Quando o procedimento é realizado por um oftalmologista experiente, o risco de qualquer trauma é mínimo. O uso do colírio anestésico também ajuda, pois o paciente fica mais relaxado.
Sentir o gosto salgado do soro na garganta é o sinal de que o teste foi um sucesso e que sua via lacrimal está aberta. Isso acontece porque o final do ducto nasolacrimal se abre dentro da sua cavidade nasal, na parte de trás. O soro injetado no olho percorre todo o caminho (ponto, canalículo, saco lacrimal, ducto) e sai no nariz, de onde escorre para a garganta, permitindo que você sinta o gosto.
Não. Se o paciente estiver com uma dacriocistite aguda, ou seja, uma infecção ativa no saco lacrimal, com dor, inchaço e secreção purulenta, o teste de irrigação não deve ser realizado. A injeção de líquido sob pressão poderia espalhar a infecção para os tecidos vizinhos. Nesses casos, o tratamento da infecção aguda, com antibióticos e compressas mornas, é a prioridade. O teste de vias lacrimais é realizado depois, quando a infecção já foi resolvida.
Na maioria dos casos de obstrução em adultos, que são causados por fibrose e estreitamento, a simples pressão do soro da irrigação não é suficiente para desobstruir o canal. O teste é diagnóstico. Em bebês, no entanto, o procedimento de sondagem, que é um pouco diferente e usa uma sonda metálica, é terapêutico e tem o objetivo de romper a membrana que causa a obstrução.
O preparo para o teste de vias lacrimais é muito simples. Não é necessário fazer jejum. O principal cuidado, caso você seja usuário, é estar sem as suas lentes de contato no momento do exame. Também é recomendado não usar maquiagem na região dos olhos, para facilitar o procedimento e a higiene. É um exame de consultório que não exige nenhuma preparação complexa da sua parte.
Não, você pode continuar usando seus colírios de tratamento normalmente. Colírios para glaucoma, lubrificantes ou outros tratamentos não interferem no teste de irrigação. Manter sua rotina de medicação é importante. Apenas informe ao seu médico sobre todos os colírios que você utiliza.
Sim, é fundamental que você esteja sem suas lentes de contato para realizar o teste de irrigação. O exame envolve a aplicação de colírio anestésico e a injeção de soro, que podem se acumular sob a lente. Além disso, a manipulação da pálpebra para acessar o ponto lacrimal é mais segura sem a presença da lente. O ideal é que você vá para a consulta usando seus óculos.
Sim, você pode ir e voltar do teste de vias lacrimais totalmente sozinho. O procedimento não utiliza nenhum colírio que afete a sua visão de forma prolongada, como os de dilatação. Sua visão pode ficar levemente embaçada por alguns minutos, mas não o suficiente para impedi-lo de se locomover com segurança. A presença de um acompanhante não é necessária.
O principal cuidado após a irrigação é evitar coçar ou esfregar o olho por cerca de 20 a 30 minutos, até que o efeito do colírio anestésico passe completamente. Isso é para evitar que você arranhe a superfície do olho sem sentir. Fora isso, não há nenhuma outra restrição. Sua lágrima pode ficar um pouco mais abundante por um curto período, o que é normal.
É prudente aguardar alguns minutos na clínica até que o leve embaçamento causado pelo excesso de lágrima e soro passe e sua visão volte a ficar totalmente nítida. Geralmente, isso leva poucos minutos. Uma vez que o embaçamento tenha desaparecido, e como sua pupila não foi dilatada, você estará apto a dirigir com segurança.
É fortemente recomendado que você não use maquiagem na região dos olhos no dia do seu exame. O procedimento envolve a aplicação de colírios e a manipulação do canto da pálpebra. A maquiagem iria borrar e poderia até mesmo soltar partículas que poderiam entrar na via lacrimal. Para garantir a higiene e o seu conforto, o ideal é ir com a área dos olhos limpa.
Antes de o exame começar, é fundamental que você informe ao seu médico sobre qualquer cirurgia prévia que tenha feito nos olhos, nas pálpebras ou no nariz. Informe também se tem histórico de traumas na face, de sinusite crônica ou se tem alguma alergia conhecida a medicamentos, especialmente a anestésicos.
Não, não há nenhuma necessidade de jejum para a realização do teste de vias lacrimais. Você pode se alimentar e se hidratar normalmente antes de vir para a clínica. O exame é puramente local, no olho, e não tem nenhuma interação com o seu sistema digestivo ou metabólico.
É recomendado aguardar algumas horas, ou idealmente até o dia seguinte, para recolocar suas lentes de contato. Isso dá tempo para que todo o colírio anestésico e o soro sejam eliminados da superfície ocular e para que a sensibilidade normal do seu olho retorne completamente, garantindo um uso mais seguro e confortável das lentes.
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