Detalhes da ultrassonografia biomicroscópica
A ultrassonografia biomicroscópica (UBM) é um exame que gera imagens de alta resolução da parte da frente do seu olho para um diagnóstico preciso.
Esta seção foi elaborada para esclarecer, de forma acolhedora, as dúvidas mais comuns sobre este exame, explicando como ele funciona e sua importância para um diagnóstico detalhado.
O exame é realizado com você deitado confortavelmente em uma cadeira reclinável. Primeiro, o profissional irá aplicar uma gota de colírio anestésico no seu olho. Em seguida, uma pequena cuba de plástico será posicionada ao redor do seu olho e preenchida com um gel ou soro fisiológico. A sonda do ultrassom é então mergulhada nesse líquido, sem tocar seu olho, e o profissional realiza a varredura para capturar as imagens da parte da frente do seu olho.
Não, o exame não dói. O uso do colírio anestésico antes do procedimento garante que a superfície do seu olho fique completamente sem sensibilidade. Você pode sentir a sensação da cuba plástica sobre a pele ao redor do olho e a umidade do gel ou do soro, mas não sentirá nenhuma dor. É um procedimento muito seguro e projetado para ser o mais confortável possível.
A ultrassonografia biomicroscópica é um exame detalhado. O tempo total do procedimento, incluindo a preparação com o colírio, o posicionamento da cuba e a aquisição das imagens em ambos os olhos, geralmente leva de 15 a 20 minutos. A captura das imagens em si é rápida, mas o profissional precisa de tempo para examinar as estruturas em diferentes ângulos.
Não. Para a maioria das indicações da UBM, como a avaliação do ângulo e do corpo ciliar, o exame é realizado com a pupila em seu estado natural, sem dilatação. Isso é importante para avaliar a anatomia em suas condições normais. Em situações muito específicas, o médico pode querer comparar as imagens com e sem dilatação, mas o padrão é realizar o exame sem o uso de colírios dilatadores.
Sua principal colaboração durante o exame é tentar relaxar e manter o olhar o mais fixo possível. O profissional irá orientá-lo a olhar para um ponto fixo no teto. Em alguns momentos, ele pode pedir que você olhe para a direita, para a esquerda, para cima ou para baixo, para que ele consiga visualizar diferentes partes do segmento anterior. Manter a cabeça imóvel também é importante para a qualidade das imagens.
A “cuba” utilizada na UBM é um pequeno copo de plástico, macio e estéril, que tem uma abertura no fundo. Ela é posicionada de forma que a sua borda se apoie na pele das pálpebras, ao redor do olho. Ela serve para conter o soro fisiológico ou o gel que é usado como meio de contato para o ultrassom. É essa técnica de imersão que permite que a sonda de alta frequência consiga gerar imagens de altíssima qualidade.
A UBM é um exame de imagem altamente especializado, realizado por um médico oftalmologista com treinamento específico em ultrassom ocular ou por um tecnólogo em oftalmologia com grande experiência. A interpretação das imagens, que requer um conhecimento profundo da anatomia do segmento anterior, é sempre de responsabilidade do médico, que irá correlacionar os achados da UBM com o seu quadro clínico.
As imagens da UBM são geradas em tempo real durante o exame, e o profissional que o realiza já consegue ter uma impressão diagnóstica imediata. No entanto, a análise detalhada de todas as imagens, a realização de medições e a elaboração de um laudo médico formal, com a descrição completa dos achados e a conclusão, requerem tempo. Geralmente, o laudo fica pronto em alguns dias úteis.
As ondas de ultrassom não se propagam bem através do ar. Para que as ondas sonoras geradas pela sonda consigam entrar no seu olho e gerar uma imagem, é preciso que haja um meio líquido ou em gel que faça o “acoplamento” entre a sonda e o seu olho. O soro fisiológico ou o gel especial usado na UBM cumprem essa função, eliminando o ar e permitindo a passagem do ultrassom, o que é fundamental para a formação de uma imagem nítida.
É comum que a visão fique um pouco embaçada por um curto período após o exame. O embaçamento é causado principalmente pelo gel ou pelo metilcelulose que é usado como meio de contato e também pelo colírio anestésico. Essa sensação geralmente melhora significativamente nos primeiros 30 a 60 minutos, conforme você pisca e a lágrima natural vai lavando o excesso de produto.
A UBM é uma ferramenta de grande valor para o diagnóstico e, principalmente, para o entendimento do mecanismo de casos de glaucoma de ângulo fechado. Ela consegue mostrar com clareza a anatomia do ângulo de drenagem e a sua relação com a íris e o corpo ciliar, permitindo ao médico entender por que o ângulo está fechado e qual o melhor tratamento, seja ele a laser ou cirúrgico.
Sim. A UBM é o melhor exame de imagem para avaliar tumores localizados na íris e, principalmente, no corpo ciliar, a estrutura que fica escondida atrás da íris. Ela consegue “ver através” da íris e mostrar a presença de lesões, como cistos (que são benignos e cheios de líquido) ou tumores sólidos, como o melanoma. O exame mede o tamanho exato da lesão e avalia se ela está invadindo outras estruturas, o que é crucial para o planejamento do tratamento.
A síndrome de platô de íris é uma causa de glaucoma de ângulo fechado em que o problema não está no tamanho do cristalino, mas sim na posição do corpo ciliar, que está inserido de forma mais anterior. Isso “empurra” a periferia da íris para a frente, mantendo o ângulo estreito. A UBM é o único exame que consegue visualizar essa anatomia e confirmar o diagnóstico de platô de íris, que tem um tratamento específico, diferente do glaucoma de ângulo fechado comum.
Sim, a UBM é muito útil no acompanhamento pós-operatório de cirurgias de glaucoma. Ela permite avaliar o funcionamento dos implantes de drenagem (tubos), verificando se eles estão bem posicionados e se não estão obstruídos. Após uma trabeculectomia, ela pode avaliar a “bolha” de filtração. E após procedimentos a laser, como a iridotomia, a UBM pode confirmar se a abertura criada na íris está funcionando adequadamente.
Com certeza. A UBM é uma ferramenta excelente para avaliar a posição de lentes intraoculares, especialmente as lentes fácicas de câmara anterior ou posterior (ICL), que são implantadas para corrigir altos graus. O exame mede com precisão a distância (“vault”) entre a lente de ICL e o cristalino, e entre a lente e a córnea. Essas medidas são fundamentais para garantir que a lente está bem posicionada e com um espaçamento seguro em relação às estruturas oculares.
Após uma pancada no olho, a UBM pode revelar lesões no segmento anterior que não são visíveis de outra forma. Ela pode diagnosticar um descolamento do corpo ciliar (ciclodiálise), uma lesão no ângulo (recessão angular), uma ruptura na íris ou o deslocamento do cristalino. A identificação precoce dessas lesões é muito importante, pois elas podem levar a complicações sérias, como glaucoma ou baixa de pressão no olho (hipotonia).
Sim, a UBM pode ser indicada para crianças em situações específicas, como na investigação de glaucoma congênito, de cistos ou tumores na íris, ou para avaliar o olho após um trauma. Como o exame requer que a criança fique imóvel por alguns minutos, em crianças muito pequenas ou pouco colaborativas, ele pode precisar ser realizado sob sedação ou anestesia geral, em ambiente de centro cirúrgico.
Sim, a UBM é muito eficaz para avaliar a posição do cristalino e das zônulas, que são as finas “cordas” que o seguram no lugar. Em casos de trauma ou em algumas doenças genéticas, as zônulas podem se romper, e o cristalino pode se deslocar (subluxar). A UBM consegue visualizar essa instabilidade e o deslocamento do cristalino, uma informação fundamental para o cirurgião planejar uma cirurgia de catarata muito mais complexa e delicada.
Os cistos de íris ou de corpo ciliar são como pequenas “bolhas” preenchidas com líquido que podem se formar na parte de trás da íris. Na maioria das vezes, são benignos e não causam problemas. No entanto, se eles crescerem muito, podem empurrar a íris para a frente e fechar o ângulo de drenagem, causando glaucoma. A UBM é o exame que consegue diagnosticar esses cistos com clareza, mostrando sua localização e seu tamanho.
Não. A UBM é um tipo especial de ecografia. A ecografia ocular comum (modo B) usa uma frequência mais baixa e é projetada para ver as estruturas do fundo do olho, como a retina e o nervo óptico. A UBM usa uma frequência altíssima e é projetada para ver, com resolução microscópica, apenas as estruturas da parte da frente do olho (o segmento anterior). São tecnologias de ultrassom diferentes, para finalidades diferentes.
A principal diferença está na tecnologia. O OCT utiliza luz e oferece uma resolução de imagem um pouco maior. A UBM utiliza ultrassom. A grande vantagem da UBM é que o ultrassom consegue “ver através” de estruturas que a luz não atravessa, como a íris (a parte colorida) e a esclera (a parte branca). Portanto, para avaliar o que está atrás da íris, como o corpo ciliar, a UBM é insubstituível. Os dois exames se complementam.
A frequência do ultrassom está diretamente relacionada à resolução da imagem. Quanto mais alta a frequência, maior a capacidade de distinguir dois pontos que estão muito próximos, ou seja, maior a resolução. A UBM utiliza frequências altíssimas (de 35 a 50 MHz) para conseguir gerar imagens com um nível de detalhe quase microscópico, o que é necessário para visualizar as pequenas estruturas do segmento anterior do olho. A desvantagem é que a alta frequência penetra menos nos tecidos.
Não, a UBM não utiliza nenhum tipo de radiação ionizante, como os raios-X ou a tomografia computadorizada. O exame é baseado em ondas sonoras de alta frequência, que são inofensivas para os tecidos do corpo humano. É a mesma tecnologia segura utilizada em outros ultrassons. Portanto, a UBM pode ser repetida quantas vezes forem necessárias para o acompanhamento de uma condição, sem nenhum risco associado à radiação.
A UBM é um exame de imagem totalmente objetivo. O resultado é um conjunto de imagens anatômicas que são geradas pelo aparelho, independentemente de qualquer resposta ou sensação do paciente. O paciente precisa apenas colaborar ficando imóvel. A objetividade das imagens e das medidas que podem ser feitas nelas é o que torna o exame tão confiável para o diagnóstico e o acompanhamento.
A ultrassonografia biomicroscópica foi desenvolvida e introduzida na prática clínica na década de 1990. Portanto, não é uma tecnologia extremamente nova, mas é considerada uma tecnologia avançada e de ponta na oftalmologia. Ela revolucionou a nossa capacidade de entender e de diagnosticar diversas doenças do segmento anterior, especialmente os glaucomas de ângulo fechado, e continua a ser uma ferramenta insubstituível para muitas condições.
Sim, fundamentalmente. A UBM é um exame altamente dependente do operador. A habilidade do profissional em posicionar a sonda corretamente, em realizar a varredura de todas as áreas importantes e, principalmente, em interpretar as imagens em tempo real, reconhecendo as estruturas normais e as alterações patológicas, é crucial para a qualidade e a precisão do diagnóstico.
Sim, com certeza. Os aparelhos de UBM são digitais, e todas as imagens e pequenos vídeos capturados durante o exame são salvos no prontuário eletrônico do paciente. Manter esse arquivo de imagens é fundamental, especialmente no acompanhamento de lesões como tumores ou cistos. A comparação das imagens ao longo do tempo permite ao médico avaliar de forma objetiva se a lesão está crescendo ou se permanece estável.
Não, as imagens geradas pela UBM são em tons de cinza. A intensidade do brilho na imagem (do preto ao branco) corresponde à refletividade de cada tecido. Estruturas que refletem muito o som, como a esclera, aparecem bem brancas (hiperecogênicas). Áreas com líquido, como a câmara anterior ou o interior de um cisto, que não refletem o som, aparecem pretas (anecoicas). O médico interpreta essas diferentes tonalidades para identificar as estruturas.
“Em tempo real” significa que as imagens de ultrassom são geradas e exibidas na tela instantaneamente, no mesmo momento em que o profissional está movimentando a sonda sobre o olho. Isso permite uma avaliação dinâmica. O médico pode ver o movimento das estruturas e realizar uma varredura completa de todo o segmento anterior, como se estivesse navegando por dentro do olho, o que é muito diferente de uma fotografia estática.
Sim. Uma das funções mais importantes da UBM é a medição precisa de lesões. O software do aparelho possui ferramentas (calipers) que permitem ao médico medir, diretamente na imagem da tela, a altura e a largura de um cisto ou de um tumor com precisão de frações de milímetro. Realizar essas medições de forma seriada, em exames de acompanhamento, é a maneira mais confiável de determinar se uma lesão está crescendo.
O preparo para a UBM é simples. O principal cuidado, caso você seja usuário, é estar sem as suas lentes de contato no momento do exame. É recomendado também não usar maquiagem na região dos olhos. Não é necessário fazer jejum. Como a sua visão pode ficar um pouco embaçada após o exame, é prudente considerar a necessidade de um acompanhante para a sua volta.
Não. Você deve continuar usando seus colírios de tratamento normalmente (como os para glaucoma), a menos que seu médico lhe dê uma instrução específica em contrário. É importante, no entanto, que você informe ao profissional sobre todos os colírios que utiliza, especialmente os que contraem ou dilatam a pupila (mióticos ou midriáticos), pois isso
Sim, é fundamental que você esteja sem suas lentes de contato para realizar o exame. O procedimento requer a colocação de uma cuba e de um gel ou soro sobre a superfície ocular, o que não pode ser feito com a lente de contato. É recomendado que você vá para a consulta usando seus óculos.
Como a visão pode ficar temporariamente embaçada após o exame, devido ao gel e ao colírio anestésico, é uma medida de segurança recomendada que você venha com um acompanhante para auxiliá-lo na volta para casa. Embora o embaçamento não seja tão intenso quanto o da dilatação, dirigir logo após o exame pode não ser confortável.
O principal cuidado após a UBM é evitar coçar ou esfregar o olho por cerca de 20 a 30 minutos, até que o efeito do colírio anestésico passe completamente. Isso é para evitar que você arranhe a superfície do olho sem sentir. Seus olhos podem ficar um pouco vermelhos e a visão, um pouco embaçada, mas isso melhora rapidamente.
Não é recomendado. Como a sua visão ficará temporariamente embaçada por causa do gel de acoplamento e do colírio anestésico, não é seguro dirigir imediatamente após o exame. O ideal é que você aguarde na clínica até que a visão melhore ou, preferencialmente, que tenha um acompanhante para dirigir para você.
É fortemente recomendado que você não use maquiagem na região dos olhos no dia da sua UBM. O exame utiliza uma cuba e um gel ou soro ao redor e sobre o olho. A maquiagem iria se misturar com o gel, sujando o meio de contato e podendo até atrapalhar a qualidade das imagens. Para garantir a higiene e a precisão, o ideal é ir com a área dos olhos limpa.
Não, não há nenhuma necessidade de jejum para a realização da UBM. Você pode se alimentar e se hidratar normalmente antes de vir para a clínica. O exame é puramente de imagem do olho e não tem nenhuma interação com o seu sistema digestivo ou metabólico.
É recomendado aguardar algumas horas, ou idealmente até o dia seguinte, para recolocar suas lentes de contato. Isso dá tempo para que todo o colírio anestésico e o gel sejam eliminados da superfície ocular e para que a sensibilidade normal do seu olho retorne completamente, garantindo um uso mais seguro e confortável das lentes.
Não. O embaçamento visual após a UBM é leve e de curta duração. Ele é causado pelo gel e pelo anestésico. Geralmente, a visão volta ao normal dentro de 1 a 2 horas após o término do exame. Não se compara ao embaçamento de longa duração (4 a 6 horas) causado pela dilatação da pupila.
A tomografia de segmento anterior (visante) é um exame 3D que analisa a córnea, sendo essencial para o diagnóstico de ceratocone e para a segurança de cirurgias.
Ultrassonografia ocular fornece imagens internas do olho, detecta alterações invisíveis a métodos ópticos e orienta diagnósticos e cirurgias com rapidez e segurança.
A topografia de córnea é um exame que cria um mapa de relevo da superfície do olho, sendo um recurso importante para diagnosticar ceratocone e planejar cirurgias.
A citologia de impressão ocular é um exame que coleta e analisa células da superfície do olho para diagnosticar doenças como olho seco severo e outras condições.
O PAM (Potencial de Acuidade Visual) é um exame que estima a visão potencial da retina, sendo um recurso importante para o prognóstico antes de cirurgias de catarata.
A autorrefração computadorizada no exame de vista estima o grau de forma objetiva e complementa a refração subjetiva, apoiando prescrições confortáveis.