Tonometria: a medida da pressão do seu olho
A tonometria é o exame que mede a pressão intraocular. É um passo de grande importância na prevenção e no acompanhamento do glaucoma.
Esta seção foi elaborada para esclarecer, de forma acolhedora, as dúvidas mais comuns sobre a medição da pressão ocular, explicando como o exame é feito e sua grande importância.
O exame pode ser feito de algumas formas. A mais comum e precisa é a tonometria de aplanação. Nela, o médico aplica um colírio anestésico e um com corante no seu olho. Em seguida, com você sentado no microscópio do consultório, a ponta de um pequeno cone azul toca suavemente a sua córnea para medir a pressão. Outra forma comum é a tonometria de sopro, onde um aparelho dispara um pulso de ar no seu olho para medir a pressão, sem necessidade de colírios.
Não, o exame de tonometria não dói. Na tonometria de aplanação, o uso do colírio anestésico garante que você não sinta nenhuma dor, apenas um leve toque. Na tonometria de sopro, o pulso de ar pode causar uma surpresa ou um susto, mas não é doloroso. É um procedimento muito rápido e fundamental para a sua saúde ocular, projetado para ser o mais confortável possível.
A tonometria é um exame extremamente rápido. A medição da pressão em si, para cada olho, leva apenas alguns segundos. Incluindo o posicionamento do paciente no aparelho e, se for o caso, a aplicação dos colírios, todo o procedimento é geralmente concluído em menos de 5 minutos. É um dos exames mais eficientes e informativos de toda a consulta oftalmológica.
Não, para a realização da tonometria não é necessário dilatar a pupila. A medição da pressão é feita na superfície da córnea, na parte da frente do olho. O tamanho da sua pupila não interfere em nada nessa medição. Geralmente, o médico mede a pressão no início da consulta, antes de aplicar os colírios para a dilatação, que são usados para o exame de fundo de olho.
Sua colaboração é muito simples. Você precisará se sentar confortavelmente no aparelho e posicionar seu queixo e testa em um suporte. O médico pedirá que você olhe para a frente, para um ponto fixo, e tente manter os olhos bem abertos e relaxados, sem piscar, durante os breves segundos da medição. Manter o olhar fixo e não apertar os olhos é o que ajuda a garantir uma medida precisa.
O “sopro de ar” é o método utilizado pela pneumotonometria. O aparelho dispara um pulso de ar rápido e calibrado em direção à sua córnea. Um sensor óptico mede o quanto a sua córnea se deforma com esse pulso de ar. A resistência que a córnea oferece a essa deformação está relacionada com a pressão dentro do olho. É um método de triagem muito prático e rápido, pois não exige o uso de colírios.
A tonometria pode ser realizada por um médico oftalmologista ou por um profissional técnico treinado, como um tecnólogo oftálmico ou um auxiliar. A operação dos equipamentos, tanto os de sopro quanto os de aplanação, pode ser feita por um técnico. No entanto, a interpretação do valor da pressão, a correlação com a espessura da córnea e a decisão sobre a necessidade de tratamento são sempre de responsabilidade do seu médico oftalmologista.
Sim, os resultados da tonometria são instantâneos. No momento em que o aparelho realiza a medição, o valor da sua pressão intraocular, em milímetros de mercúrio (mmHg), aparece na tela. O profissional anota esse valor no seu prontuário. Isso permite que o seu médico já tenha acesso a essa informação na mesma consulta para poder conversar com você sobre o resultado.
O colírio com corante amarelo é a fluoresceína, e ele é usado na tonometria de aplanação de Goldmann. Ele tinge a sua lágrima. Quando o médico ilumina seu olho com a luz azul do aparelho, a lágrima brilha em verde. É essa fluorescência que permite ao médico visualizar, através do tonômetro, dois semicírculos verdes. A medida exata da pressão é obtida quando ele alinha perfeitamente as bordas internas desses semicírculos.
Se o exame for feito com o tonômetro de sopro, sua visão não ficará embaçada. Se for feita a tonometria de aplanação, que usa colírio anestésico e corante, sua visão pode ficar levemente embaçada por um curto período, de 10 a 20 minutos. O embaçamento é causado pela viscosidade dos colírios, e melhora rapidamente conforme você pisca. Não se compara ao embaçamento da dilatação.
A principal doença que a tonometria ajuda a diagnosticar e a acompanhar é o glaucoma. O aumento da pressão intraocular é o principal fator de risco para o desenvolvimento do glaucoma, uma doença que danifica o nervo óptico de forma silenciosa e pode levar à cegueira se não for tratada. A tonometria é a nossa principal ferramenta p
“Pressão alta no olho”, ou hipertensão ocular, é a condição em que a sua pressão intraocular está consistentemente acima dos valores considerados normais (geralmente acima de 21 mmHg), mas você ainda não tem nenhum sinal de dano no nervo óptico. A hipertensão ocular não é glaucoma, mas é um fator de risco. A tonometria é o exame que diagnostica essa condição e permite ao médico acompanhá-la.
Não necessariamente. Ter a pressão ocular alta significa que você tem um risco maior de desenvolver glaucoma, mas não é um diagnóstico da doença. O diagnóstico de glaucoma só é feito quando, além da pressão alta, já existem sinais de dano no nervo óptico, que são vistos no exame de fundo de olho e na tomografia (OCT). Muitas pessoas têm hipertensão ocular por toda a vida e nunca desenvolvem glaucoma.
A faixa de pressão intraocular considerada estatisticamente normal na população varia, em geral, entre 10 e 21 milímetros de mercúrio (mmHg). No entanto, é muito importante entender que não existe um número mágico. Algumas pessoas podem desenvolver glaucoma com pressões dentro dessa faixa (glaucoma de pressão normal), enquanto outras podem ter pressões acima de 21 mmHg e não ter a doença. O valor ideal da pressão é individual.
Sim. Embora a tonometria não diagnostique a retinopatia diabética, pacientes com diabetes têm um risco um pouco maior de desenvolver glaucoma. Além disso, os tratamentos para algumas complicações do diabetes, como o uso de corticoides, podem aumentar a pressão ocular. Por isso, a medição regular da pressão com a tonometria faz parte do acompanhamento oftalmológico completo de todo paciente diabético.
Sim, a tonometria é fundamental. O uso de corticoides, seja em forma de colírios, comprimidos, injeções ou até mesmo cremes na pele, pode, em pessoas suscetíveis, causar um aumento significativo da pressão intraocular, levando a um tipo de glaucoma chamado de glaucoma cortisônico. Por isso, todo paciente que precisa usar corticoides por um período prolongado deve ter sua pressão ocular monitorada regularmente com a tonometria.
Com certeza. Um trauma ou uma pancada no olho pode causar inflamação e sangramento interno, o que pode levar a um aumento agudo da pressão ocular. Além disso, um trauma pode danificar o sistema de drenagem do olho, o que pode levar ao desenvolvimento de um glaucoma tardio, às vezes muitos anos após o acidente. A tonometria é, portanto, uma parte importante da avaliação de um olho que sofreu um trauma.
Sim, essa é uma de suas principais funções. Para um paciente em tratamento para o glaucoma, a tonometria é realizada em todas as consultas de acompanhamento. O objetivo do tratamento é baixar a pressão para um nível seguro para o seu nervo óptico. A tonometria é o exame que verifica se essa meta de pressão está sendo atingida com os colírios que você está usando, permitindo ao médico avaliar a eficácia da terapia.
Sim. A uveíte, uma inflamação dentro do olho, pode afetar a pressão de duas maneiras. Na fase aguda, a inflamação pode até diminuir a produção de líquido e baixar a pressão. No entanto, a inflamação crônica pode “entupir” o sistema de drenagem com células inflamatórias ou causar cicatrizes, levando a um aumento severo da pressão (glaucoma uveítico). A tonometria é essencial para monitorar a pressão durante o tratamento da uveíte.
Sim. A medição da pressão intraocular com a tonometria é considerada uma parte essencial de toda avaliação oftalmológica completa e de rotina, para adultos. Como o glaucoma de ângulo aberto não causa sintomas em suas fases iniciais, a realização da tonometria como um exame de triagem é a principal forma de se detectar a doença precocemente, antes que uma perda de visão irreversível ocorra.
A principal diferença é o contato. A tonometria de sopro não toca o olho, usando um pulso de ar, o que a torna ótima para triagem, mas pode ser um pouco menos precisa. A tonometria de aplanação (Goldmann) toca suavemente a córnea (que está anestesiada) e é considerada o padrão-ouro, o método mais preciso e confiável para medir a pressão ocular, sendo o exame de escolha para o diagnóstico e acompanhamento do glaucoma.
Sim, a espessura da córnea (medida pela paquimetria) influencia a medida da pressão, especialmente nos tonômetros de aplanação e de sopro. Córneas mais grossas oferecem mais resistência e podem levar a leituras falsamente altas. Córneas finas oferecem menos resistência e podem levar a leituras falsamente baixas. O seu médico usa a medida da espessura para interpretar o valor da sua pressão de forma mais correta.
A tonometria de aplanação de Goldmann é uma tecnologia clássica, desenvolvida na década de 1950, mas que, por sua precisão e simplicidade, continua a ser o padrão de referência até hoje. A tonometria de sopro e os tonômetros portáteis são tecnologias mais recentes. E surgiram tecnologias ainda mais modernas, como a tonometria de contorno dinâmico (Pascal), que buscam medir a pressão com ainda menos interferência da córnea.
A tonometria é um exame objetivo. O resultado é uma medida numérica que é obtida pelo aparelho, sem depender de nenhuma resposta ou sensação do paciente. O paciente precisa apenas colaborar, mas o valor da pressão é um dado físico, medido pelo profissional. Essa objetividade é o que torna o exame tão confiável para o acompanhamento do glaucoma.
A sigla “mmHg” significa “milímetros de mercúrio”. É a unidade de medida padrão utilizada mundialmente para expressar a pressão, tanto a intraocular quanto a arterial. O nome tem origem histórica, dos primeiros aparelhos medidores de pressão (manômetros), que usavam uma coluna do metal líquido mercúrio para fazer a medição.
Sim, existem alguns modelos de tonômetros portáteis projetados para que o próprio paciente possa medir a pressão em casa (autotonometria). O mais conhecido é o iCare HOME. Eles são úteis em casos selecionados de glaucoma, para se ter uma ideia da variação da pressão ao longo do dia. No entanto, ainda são de alto custo e exigem um treinamento para o uso correto.
Sim, especialmente na tonometria de aplanação de Goldmann. A obtenção de uma medida precisa exige uma técnica apurada por parte do profissional. Ele precisa instilar a quantidade correta de corante, ajustar a iluminação, tocar a córnea suavemente no centro e alinhar os semicírculos de forma perfeita. A experiência do examinador é fundamental para a confiabilidade do resultado.
O tonômetro de Perkins é uma versão portátil do tonômetro de aplanação de Goldmann. Ele utiliza o mesmo princípio e a mesma ponteira, mas é um aparelho de mão, que não precisa ser acoplado à lâmpada de fenda. É muito útil para medir a pressão de pacientes que não podem se sentar no aparelho, como crianças, pacientes acamados ou durante um exame sob anestesia.
O iCare é um tipo moderno de tonômetro de rebote. É um aparelho portátil que possui uma sonda muito pequena e leve em sua ponta. Para medir a pressão, ele lança essa sonda contra a córnea e mede a velocidade com que ela “rebate” de volta. Esse rebote está relacionado com a pressão. A grande vantagem é que o toque é tão rápido e suave que, na maioria das vezes, não é necessário o uso de colírio anestésico, sendo excelente para crianças.
Não. Para todos os tipos de tonometria, é fundamental que as lentes de contato sejam removidas. Na tonometria de aplanação ou de rebote, a sonda precisa tocar diretamente a córnea. Na tonometria de sopro, a presença da lente de contato na frente da córnea iria alterar completamente a forma como ela se deforma, levando a um resultado totalmente incorreto.
O preparo para a tonometria é muito simples. Não é necessário fazer jejum. O único cuidado, caso você seja usuário, é estar sem as suas lentes de contato no momento do exame. Se for realizada a tonometria de aplanação, será usado um colírio anestésico. Para a de sopro, nenhum preparo é necessário.
Não, você deve continuar usando seus colírios de tratamento (como os para glaucoma) normalmente, a menos que seu médico lhe dê uma instrução específica em contrário. Na verdade, para o acompanhamento, o médico precisa medir a sua pressão sob o efeito da medicação, para saber se ela está sendo eficaz.
Sim, é fundamental que você esteja sem suas lentes de contato para realizar a tonometria. O exame requer o contato de um instrumento (ou de um pulso de ar) diretamente com a sua córnea. A presença da lente de contato impediria a medição correta. É recomendado que você vá para a consulta usando seus óculos.
Sim, você pode ir e voltar do exame de tonometria totalmente sozinho. O procedimento não utiliza nenhum colírio que afete a sua visão de forma prolongada, como os de dilatação. O colírio anestésico tem um efeito passageiro. Sua capacidade de enxergar permanecerá normal, permitindo que você retorne às suas atividades.
Se foi feita a tonometria de aplanação, o único cuidado é evitar coçar ou esfregar o olho por cerca de 20 a 30 minutos, até que o efeito do colírio anestésico passe. Se foi feita a de sopro, não há nenhum cuidado a ser tomado. Você pode seguir com o seu dia normalmente.
Sim. É prudente aguardar alguns minutos na clínica até que o leve embaçamento causado pelo colírio anestésico (se usado) passe. Geralmente, isso leva de 15 a 20 minutos. Uma vez que sua visão esteja nítida novamente, e como sua pupila não foi dilatada, você estará apto a dirigir com segurança.
É preferível evitar o uso de maquiagem na região dos olhos, especialmente se for feita a tonometria de aplanação. A aplicação dos colírios pode borrar a maquiagem, e o contato da ponteira do tonômetro pode sujá-la. Para garantir a higiene e o seu conforto, o ideal é ir com a área dos olhos limpa.
Não, não há nenhuma necessidade de jejum para a realização da tonometria. Você pode se alimentar e se hidratar normalmente antes de vir para a clínica. O exame não tem nenhuma interação com o seu sistema digestivo ou metabólico.
Antes do exame, é importante informar ao seu médico se você já realizou alguma cirurgia ocular, especialmente cirurgia refrativa (LASIK), pois isso pode influenciar na medida. Informe também se tem alguma doença na córnea, como o ceratocone, ou se tem alergia a algum colírio, especialmente a anestésicos.
O colírio anestésico usado para a tonometria é muito seguro. O efeito colateral mais comum é uma leve ardência que dura poucos segundos após a aplicação. Reações alérgicas são muito raras. O efeito de dormência na superfície do olho dura cerca de 15 a 20 minutos e passa completamente, sem deixar nenhum efeito residual.
A tomografia de segmento anterior (visante) é um exame 3D que analisa a córnea, sendo essencial para o diagnóstico de ceratocone e para a segurança de cirurgias.
Ultrassonografia ocular fornece imagens internas do olho, detecta alterações invisíveis a métodos ópticos e orienta diagnósticos e cirurgias com rapidez e segurança.
A topografia de córnea é um exame que cria um mapa de relevo da superfície do olho, sendo um recurso importante para diagnosticar ceratocone e planejar cirurgias.
A citologia de impressão ocular é um exame que coleta e analisa células da superfície do olho para diagnosticar doenças como olho seco severo e outras condições.
O PAM (Potencial de Acuidade Visual) é um exame que estima a visão potencial da retina, sendo um recurso importante para o prognóstico antes de cirurgias de catarata.
A autorrefração computadorizada no exame de vista estima o grau de forma objetiva e complementa a refração subjetiva, apoiando prescrições confortáveis.