Saúde ocular e o teste de lente de contato
O teste de lente de contato é um passo fundamental para garantir que a lente escolhida seja perfeitamente compatível com a saúde dos seus olhos.
Esta seção foi elaborada para esclarecer, de forma acolhedora, as dúvidas mais comuns sobre o processo de adaptação, explicando como ele é feito e sua importância para a sua saúde ocular.
O teste é um processo de várias etapas. Primeiro, o médico faz uma avaliação completa da saúde dos seus olhos e mede a sua curvatura e o seu grau. Com base nesses dados, ele seleciona uma lente de teste e a coloca no seu olho. Em seguida, ele avalia, no microscópio (lâmpada de fenda), como a lente se encaixa e se move. Ele também verifica a sua visão com a lente. Se tudo estiver bem, você leva um par para testar em casa por alguns dias e depois retorna para uma reavaliação.
Não, o teste não dói. A primeira vez que se coloca uma lente de contato, é normal sentir uma sensação estranha, de ter “algo” no olho, mas isso não é dor. Seus olhos podem lacrimejar um pouco no início. O médico e a equipe são treinados para tornar essa primeira experiência a mais tranquila possível. As lentes de teste modernas são muito macias e confortáveis, e a maioria das pessoas se adapta a essa nova sensação muito rapidamente.
A primeira consulta de teste de lente de contato costuma ser mais longa que uma consulta normal. Ela pode levar de 40 a 60 minutos, pois inclui o exame inicial, a escolha da lente, o tempo de espera com a lente no olho para ela se “assentar”, a avaliação no microscópio e, o mais importante, o treinamento para você aprender a colocar, tirar e cuidar das lentes. Após essa primeira consulta, você leva as lentes para testar em casa.
Não, para o teste e a adaptação de lentes de contato não é necessário dilatar a pupila. O foco do exame está na parte da frente do olho: na adaptação da lente sobre a córnea e na sua interação com as pálpebras e a lágrima. A dilatação da pupila é um procedimento destinado a exames do fundo do olho.
Sua principal tarefa durante o teste no consultório é relaxar e seguir as orientações do profissional. Durante a avaliação no microscópio, você precisará posicionar o rosto no aparelho e manter o olhar fixo para a frente. A parte mais interativa é o treinamento de manuseio. É importante que você preste muita atenção às instruções e não tenha medo de tentar colocar e tirar a lente você mesmo, com a supervisão do profissional.
Não se preocupe, isso é muito comum no início. A equipe de adaptação de lentes de contato tem muita experiência e paciência para ensinar. Eles irão guiá-lo passo a passo, mostrando as melhores técnicas. Se você não conseguir na primeira tentativa, eles o ajudarão. O objetivo é que você saia do consultório sentindo-se seguro para manusear as lentes em casa. Lembre-se que, com a prática, o processo se torna muito fácil e automático.
O processo de adaptação e o teste de lente de contato são conduzidos pelo médico oftalmologista, que é o responsável por avaliar a saúde ocular, determinar os parâmetros da lente e emitir a prescrição final. Muitas vezes, a parte de treinamento do manuseio e a avaliação inicial podem ser auxiliadas por um profissional treinado, como um tecnólogo oftálmico ou um contatólogo, sempre sob a supervisão do médico.
A avaliação inicial da adaptação, feita no consultório, é imediata. O médico já consegue ver se a lente está bem centralizada e com a movimentação correta. No entanto, o resultado final da adaptação só é confirmado após o período de teste em casa e a consulta de retorno. A sua percepção de conforto e a qualidade da sua visão no seu dia a dia são partes fundamentais do “resultado” do teste.
Na lâmpada de fenda (o microscópio), o médico avalia o que chamamos de “bom fit” da lente. Ele observa se a lente está bem centralizada sobre a sua córnea, se ela cobre toda a sua extensão, e, o mais importante, se ela tem a movimentação ideal a cada piscada. A lente não pode ficar nem muito “frouxa” (movimentando-se demais), nem muito “apertada” (sem se mover), pois ambos os casos podem trazer problemas.
Geralmente, sim. As clínicas e os consultórios que fazem adaptação de lentes de contato possuem um grande estoque de “lentes de diagnóstico”, com as curvaturas e os graus mais comuns. O médico irá selecionar a lente de teste que seja o mais próximo possível do seu grau. Após a adaptação, ele pode fazer um pequeno ajuste fino no grau, se necessário, para a sua prescrição final.
O objetivo principal do teste é encontrar a lente de contato que seja perfeitamente compatível com a anatomia e a fisiologia do seu olho e que corrija o seu erro refrativo (grau) de forma eficaz. O teste busca garantir três pilares: 1) Boa saúde ocular, com uma lente que não prejudique a sua córnea; 2) Bom conforto, para que você possa usar a lente ao longo do dia; e 3) Boa visão, nítida e estável.
Sim. A primeira etapa do teste é a avaliação da sua saúde ocular. Se o médico, durante o exame, identificar alguma condição que seja uma contraindicação ao uso de lentes, como um olho seco muito severo não tratado, uma inflamação ativa nas pálpebras (blefarite) ou alguma doença na córnea, ele irá orientá-lo de que, naquele momento, o uso não é seguro. Primeiro, é preciso tratar a condição de base.
As lentes de contato gelatinosas são as mais populares e confortáveis. Elas são feitas de materiais macios e flexíveis que contêm água. Existem diferentes tipos. As de hidrogel são as mais tradicionais. As de silicone-hidrogel são mais modernas e permitem uma passagem muito maior de oxigênio para a córnea, o que as torna mais saudáveis, especialmente para quem usa por muitas horas. O teste ajuda a definir qual material é melhor para você.
As lentes tóricas são lentes de contato especiais, projetadas para corrigir o astigmatismo. Elas têm um desenho que faz com que a lente se posicione e se mantenha estável em um eixo específico no seu olho. Durante o teste de uma lente tórica, o médico irá verificar, no microscópio, se a lente está parando na posição correta. Uma boa estabilidade da lente tórica é o que garante que o seu astigmatismo seja bem corrigido e que sua visão fique nítida.
O teste para lentes de contato multifocais, para quem tem presbiopia (“vista cansada”), é um pouco mais complexo. Essas lentes têm diferentes “zonas” de visão, para perto e para longe. Durante o teste, além de avaliar a adaptação física da lente, o médico irá testar a sua visão em diferentes distâncias. O período de teste em casa é ainda mais importante, pois o seu cérebro precisa de um tempo para se adaptar a essa nova forma de enxergar.
O teste para lentes de contato rígidas gás-permeáveis (RGP) é mais técnico. Essas lentes são menores e não se moldam ao olho. O médico seleciona a lente de teste e instila um colírio de fluoresceína. A forma como a lágrima colorida se distribui entre a lente e a córnea mostra o padrão de adaptação. O médico busca um padrão que mostre que a lente não está tocando o centro da córnea. A adaptação de lentes rígidas é uma verdadeira arte.
Para pacientes com ceratocone, a adaptação de lentes de contato é um processo ainda mais especializado. Devido à irregularidade da córnea, as lentes gelatinosas comuns geralmente não funcionam. O teste é feito com lentes especiais, como as rígidas gás-permeáveis ou as lentes esclerais. O objetivo é encontrar uma lente que consiga “neutralizar” a irregularidade da córnea, proporcionando uma visão muito mais nítida do que a obtida com óculos.
Não. A receita dos óculos e a das lentes de contato são diferentes. A receita de óculos contém apenas o grau. A prescrição final das lentes de contato, que você recebe após o teste de adaptação ser concluído com sucesso, contém, além do grau (que pode ser um pouco diferente do dos óculos), outras informações fundamentais: a curva-base da lente (que tem a ver com o seu encaixe), o diâmetro da lente, o material e a marca da lente que foi adaptada.
A curva-base (ou BC, de “Base Curve”) é a medida da curvatura da parte de trás da lente de contato. Ela é expressa em milímetros. Essa medida precisa ser compatível com a curvatura da sua córnea (que o médico mede no exame de ceratometria). Uma lente com a curva-base correta para o seu olho terá um bom encaixe e uma boa movimentação. Uma curva-base errada pode fazer com que a lente fique muito “apertada” ou muito “frouxa”.
O diâmetro (DIA) é a medida da largura total da lente de contato, de uma borda à outra, também expresso em milímetros. O diâmetro precisa ser adequado para que a lente cubra toda a sua córnea e se apoie confortavelmente na esclera (a parte branca do olho). As lentes gelatinosas têm um diâmetro maior que as rígidas. A escolha do diâmetro correto faz parte do processo de teste e adaptação.
O exame de refração é o que mede o seu “grau”. O teste de lente de contato é o processo clínico de encontrar a lente com o tamanho, a curvatura e o material corretos para o seu olho e de verificar se ela proporciona boa visão e conforto. O exame de refração é o ponto de partida para o teste de lente. Com o seu grau em mãos, o médico inicia o processo de adaptação da lente.
Imensamente. As lentes de contato modernas são fruto de muita tecnologia. Os materiais de silicone-hidrogel, por exemplo, têm alta transmissibilidade ao oxigênio, tornando o uso muito mais saudável. Existem tecnologias de hidratação que mantêm a lente úmida por mais tempo. Os desenhos das lentes tóricas e multifocais estão cada vez mais sofisticados, proporcionando uma visão mais estável e nítida.
O teste de lente de contato tem as duas partes. A avaliação da adaptação da lente na lâmpada de fenda pelo médico é objetiva. A medida da visão com a lente também é objetiva. No entanto, a parte mais importante do teste é subjetiva: a sua percepção de conforto. A melhor lente do mundo não serve para nada se ela não for confortável para você. Por isso, a sua opinião durante o período de teste é fundamental.
A fluoresceína é um corante que, sob luz azul, brilha em verde. No teste de lentes rígidas, o médico instila uma gota de fluoresceína. A lágrima, agora colorida, preenche o espaço entre a lente e a córnea. Onde há mais lágrima, a cor verde é mais intensa. Onde a lente está tocando a córnea, não há lágrima e a área fica escura. Esse padrão de fluorescência mostra ao médico, como um mapa, se a lente está bem adaptada ou se precisa de ajustes.
Sim, fundamentalmente. A adaptação de lentes de contato, especialmente as mais complexas, como as tóricas, multifocais ou para ceratocone, é um processo que exige um grande conhecimento técnico e experiência por parte do oftalmologista. A habilidade de escolher a lente correta, de avaliar os mínimos detalhes da adaptação e de resolver problemas de desconforto ou de visão embaçada é o que diferencia uma adaptação de sucesso.
Sim, a topografia de córnea, que cria um mapa do relevo da córnea, é uma ferramenta muito importante no processo de adaptação de lentes de contato, especialmente as rígidas e para ceratocone. O mapa detalhado da curvatura da córnea ajuda o médico a escolher a curva-base inicial da lente de forma muito mais precisa e a entender as irregularidades que precisam ser corrigidas, tornando o processo de teste mais eficiente.
A sobrerrefração é o exame de grau que o médico faz com a lente de contato já no seu olho. Ele coloca o refrator de Greens na sua frente e testa algumas lentes adicionais “por cima” da sua lente de contato. Isso serve para verificar se o grau da lente de teste está perfeito ou se precisa de algum pequeno ajuste para a prescrição final, garantindo que sua visão fique a mais nítida possível.
O período de adaptação é o tempo que o seu olho e o seu cérebro levam para se acostumarem com a nova sensação e com a nova forma de enxergar com as lentes de contato. Para as lentes gelatinosas, esse período costuma ser muito curto, de algumas horas a poucos dias. Para as lentes multifocais ou rígidas, a neuroadaptação pode ser um pouco mais longa. O período de teste em casa serve justamente para que essa adaptação ocorra.
A lente de contato é um dispositivo médico que fica em contato direto com um tecido vivo, a sua córnea. Um uso inadequado ou uma lente mal adaptada podem causar problemas sérios, como infecções, úlceras e até perda de visão. A prescrição, emitida pelo oftalmologista após um teste de adaptação completo, é a garantia de que a lente que você está comprando é segura, tem os parâmetros corretos para o seu olho e irá lhe proporcionar uma boa visão.
O principal preparo é vir para a consulta com tempo disponível, pois a primeira adaptação pode ser mais longa. Não é necessário fazer jejum. É recomendado não vir usando as lentes de contato no dia do seu primeiro teste, e sim os seus óculos. Também é importante evitar o uso de maquiagem na região dos olhos, para facilitar o manuseio das lentes.
Não, você deve continuar usando seus colírios de tratamento normalmente, a menos que seu médico lhe dê uma instrução específica em contrário. É importante, no entanto, que você informe ao médico sobre todos os colírios que utiliza, pois ele irá orientá-lo sobre a melhor forma de conciliar o uso dos seus medicamentos com o uso das lentes de contato no futuro.
Sim. Para a primeira consulta de adaptação, o ideal é que você venha sem as lentes de contato e usando seus óculos. Isso permite que o médico avalie a sua córnea e a sua superfície ocular em seu estado mais natural, antes de iniciar o processo de teste. Se for uma consulta de retorno, a orientação será o contrário: vir usando as lentes para que o médico possa avaliá-las no seu olho.
Sim, você pode ir e voltar do teste de lente de contato totalmente sozinho. O procedimento não utiliza nenhum colírio que afete a sua visão, como os de dilatação. Sua capacidade de enxergar permanecerá normal durante e após o exame. Portanto, você estará perfeitamente apto a dirigir ou a utilizar qualquer meio de transporte.
Após a primeira consulta, você levará um par de lentes de teste para casa. Os principais cuidados serão seguir à risca as orientações de higiene que você recebeu, como lavar bem as mãos antes de manusear as lentes. Observe o conforto e a visão. Se sentir qualquer dor, olho muito vermelho ou secreção, você deve remover as lentes imediatamente e entrar em contato com o seu médico.
Sim, com toda a segurança. O teste de lente de contato não interfere na sua capacidade visual. Com a lente de teste no olho, sua visão já estará corrigida. Não há uso de colírios que embaçam a visão. Portanto, não há nenhuma contraindicação para dirigir. Você pode sair da clínica já a testar sua nova visão com as lentes.
É fortemente recomendado que, no dia da sua primeira adaptação, você não use maquiagem na região dos olhos. Você irá aprender a colocar e tirar as lentes, e a maquiagem pode borrar, sujar as lentes e dificultar o processo. Após a adaptação, o médico irá orientá-la sobre a forma correta de usar maquiagem junto com as lentes de contato.
Não, não há nenhuma necessidade de jejum para a realização do teste de lente de contato. Você pode se alimentar e se hidratar normalmente antes de vir para a clínica. O exame não tem nenhuma interação com o seu sistema digestivo ou metabólico.
Antes de iniciar o teste, é fundamental que você informe ao médico sobre o seu estilo de vida, sua profissão, seus hobbies e quantas horas por dia você pretende usar as lentes. Informe sobre qualquer experiência prévia que você teve com lentes, se já sentiu desconforto ou teve problemas. Relate também se você tem alergias ou alguma condição de saúde, como o olho seco.
Não, pelo contrário. A expectativa é que, com a lente de contato de teste correta, sua visão fique mais nítida. Pode haver um pequeno lacrimejamento inicial que cause um leve embaçamento, mas isso passa em poucos minutos. Como o exame não envolve a dilatação da pupila, sua visão não ficará embaçada de forma prolongada.
A tomografia de segmento anterior (visante) é um exame 3D que analisa a córnea, sendo essencial para o diagnóstico de ceratocone e para a segurança de cirurgias.
Ultrassonografia ocular fornece imagens internas do olho, detecta alterações invisíveis a métodos ópticos e orienta diagnósticos e cirurgias com rapidez e segurança.
A topografia de córnea é um exame que cria um mapa de relevo da superfície do olho, sendo um recurso importante para diagnosticar ceratocone e planejar cirurgias.
A citologia de impressão ocular é um exame que coleta e analisa células da superfície do olho para diagnosticar doenças como olho seco severo e outras condições.
O PAM (Potencial de Acuidade Visual) é um exame que estima a visão potencial da retina, sendo um recurso importante para o prognóstico antes de cirurgias de catarata.
A autorrefração computadorizada no exame de vista estima o grau de forma objetiva e complementa a refração subjetiva, apoiando prescrições confortáveis.