Cuidado da visão e refração ocular
A refração ocular oferece ao oftalmologista as informações para a sua correção visual, sendo um recurso de grande valor para a sua qualidade de vida.
Esta seção foi elaborada para esclarecer, de forma acolhedora, as dúvidas mais comuns sobre o exame de grau, explicando como ele é realizado e sua importância para a sua visão.
O exame é feito em duas etapas. A primeira é a objetiva, onde você olha para uma imagem dentro de um aparelho (autorrefrator) que mede uma estimativa do seu grau. A segunda, e mais importante, é a subjetiva. O médico coloca um aparelho com várias lentes na sua frente (refrator de Greens) e, enquanto você olha para a tabela de letras, ele troca as lentes e pergunta “qual fica melhor?”. Com base nas suas respostas, ele faz o ajuste fino para encontrar o grau que lhe dá a visão mais nítida.
Não, o exame de refração ocular é totalmente indolor. Não há contato de nenhum instrumento com o seu olho. O único procedimento que pode causar um leve desconforto passageiro é a aplicação de colírios para dilatar a pupila, caso o médico julgue necessário para relaxar o seu foco. Mas o exame de medição do grau em si é baseado apenas em observação e na sua resposta, sem causar nenhuma dor.
O exame de refração em si é relativamente rápido, levando cerca de 10 a 15 minutos. A parte objetiva com o autorrefrator dura menos de um minuto. A parte subjetiva, com o teste das lentes, é a que leva mais tempo, pois depende da sua interação. Se for necessário dilatar a pupila, você precisará aguardar de 20 a 30 minutos para o colírio fazer efeito antes de o médico realizar a refração final.
Em crianças e adultos jovens, o músculo do foco (músculo ciliar) é muito forte e ativo. Muitas vezes, ele fica a fazer um esforço de foco mesmo ao olhar para longe, o que pode “esconder” uma parte do grau, especialmente a hipermetropia, ou até mesmo simular uma miopia que não é real (uma pseudo-miopia). O colírio dilatador relaxa esse músculo temporariamente, permitindo que o médico meça o grau “verdadeiro” do olho, sem nenhuma interferência do esforço de foco.
O autorrefrator é um aparelho computadorizado que faz a primeira parte do exame de refração, a objetiva. Você encosta o rosto no aparelho e olha para uma imagem (geralmente uma casa ou um balão que fica nítido e depois embaça). O aparelho emite uma luz infravermelha segura e mede como essa luz é refletida pelo seu fundo de olho. Com base nessa medida, ele calcula uma estimativa inicial e muito próxima do seu grau de miopia, hipermetropia e astigmatismo.
O refrator de Greens, ou foróptero, é aquele grande aparelho que o oftalmologista coloca na sua frente, através do qual você olha para a tabela de letras. Ele contém discos internos com uma grande variedade de lentes esféricas (para miopia e hipermetropia) e cilíndricas (para astigmatismo). O médico, ao girar os botões do aparelho, consegue apresentar a você milhares de combinações de lentes de forma rápida e eficiente, até encontrar a que proporciona a sua melhor visão.
Não se preocupe, não existe resposta “errada”. O exame é feito de tal forma que o médico tem vários mecanismos para checar a consistência das suas respostas. Além disso, a diferença entre as lentes que ele lhe apresenta é sutil. Se você ficar em dúvida, pode dizer que estão “iguais” ou “muito parecidas”. O importante é que você seja sincero. O médico irá repetir e cruzar as informações para ter certeza do resultado final. Confie no processo, ele é projetado para funcionar.
Sim, os resultados do exame de refração são imediatos. O “resultado” é o grau que foi encontrado durante a parte subjetiva do exame. Assim que o médico termina o teste das lentes, ele já tem a sua prescrição final. Ele poderá anotar os valores na sua receita de óculos na mesma hora e já conversar com você sobre as melhores opções de lentes e tratamentos para a sua correção visual.
A sala é mantida com a iluminação reduzida durante a refração subjetiva para criar um ambiente padronizado e para que seus olhos se concentrem melhor na tabela de letras, que é iluminada. Um ambiente com menos luz também ajuda a sua pupila a se dilatar um pouco, o que pode tornar a identificação do melhor foco mais precisa. É uma forma de controlar as variáveis do ambiente para que o resultado do exame seja o mais fiel e reprodutível possível.
Um erro de refração (ou ametropia) é uma condição em que o olho não consegue focar a luz de forma nítida sobre a retina, resultando em uma visão embaçada. Isso ocorre porque o formato do olho, o poder da córnea ou a flexibilidade do cristalino não estão em perfeita harmonia. Os erros de refração mais comuns são a miopia, a hipermetropia, o astigmatismo e a presbiopia (“vista cansada”). O exame de refração é o procedimento que diagnostica e mede esses erros.
A miopia, que causa visão embaçada para longe, geralmente ocorre por um de dois motivos, ou uma combinação deles. A causa mais comum é o formato do olho: o globo ocular é um pouco mais longo do que o normal, do eixo da frente até o de trás. Isso faz com que a imagem dos objetos distantes se forme “na frente” da retina, em vez de sobre ela. Outra causa pode ser uma córnea ou um cristalino com uma curvatura muito acentuada, que desvia a luz de forma muito forte.
A hipermetropia, que causa dificuldade de foco principalmente para perto, é o oposto da miopia. Ela geralmente ocorre porque o globo ocular é um pouco mais curto do que o normal. Isso faz com que o ponto de foco da luz, em um olho relaxado, se projete para um ponto “atrás” da retina. Em jovens, o músculo do foco (músculo ciliar) consegue se contrair para “puxar” o foco para a retina, mas esse esforço constante pode causar sintomas de cansaço visual, dor de cabeça e lacrimejamento.
O astigmatismo, que causa uma visão distorcida, é causado por uma irregularidade na curvatura, principalmente da córnea. Em um olho normal, a córnea é esférica, como uma bola de basquete. Em um olho com astigmatismo, a córnea é mais ovalada, como uma bola de futebol americano. Isso significa que ela tem um eixo mais curvo e outro mais plano, o que faz com que a luz se foque em dois pontos diferentes, em vez de em um só, gerando a distorção da imagem.
A presbiopia não é um erro de refração como os outros, mas sim uma condição natural do envelhecimento. Ela ocorre por dois motivos. O principal é que o nosso cristalino, a lente interna do olho que muda de forma para focar de perto, perde a sua elasticidade com o passar dos anos. Além disso, o músculo ciliar, que “espreme” o cristalino, também perde um pouco da sua força. O resultado é a dificuldade progressiva de focar em objetos próximos, que geralmente começa a ser percebida após os 40 anos.
Sim, é muito comum. Uma pessoa pode ter miopia e astigmatismo ao mesmo tempo, ou hipermetropia e astigmatismo. E, após os 40 anos, qualquer pessoa, seja ela míope, hipermétrope ou com a visão perfeita para longe, irá desenvolver a presbiopia (vista cansada) para perto. O exame de refração ocular é capaz de identificar e medir cada um desses componentes de forma separada para que a receita final dos óculos corrija todos eles.
Sim, o grau pode mudar. Na infância e na adolescência, é o período em que a miopia mais comumente surge e progride, pois o olho ainda está crescendo. O grau tende a se estabilizar no início da idade adulta. A hipermetropia pode diminuir um pouco na infância e depois se manter estável. O astigmatismo costuma ser mais estável ao longo da vida. E a presbiopia, a dificuldade para perto, irá aumentar progressivamente dos 40 até cerca de 60 anos. Por isso, consultas regulares são importantes.
O exame de refração em si é focado em medir o grau. No entanto, uma mudança súbita no grau, ou uma dificuldade em se encontrar uma lente que melhore a visão, pode ser uma pista para outras doenças. Por exemplo, o surgimento ou o aumento rápido da miopia em um adulto pode ser um sinal inicial de catarata. Uma visão que não melhora para 100% mesmo com o melhor grau pode indicar um problema na retina ou no nervo óptico. A refração é uma parte de uma consulta completa.
A “melhor acuidade visual corrigida” é um termo muito importante. É a melhor visão que você alcança durante o exame de refração, com o uso da correção óptica ideal (o melhor grau encontrado pelo médico). Por exemplo, se a sua visão sem óculos é de 20/200, mas com as lentes corretas você consegue ler a linha do 20/20, então a sua melhor acuidade visual corrigida é 20/20. Esse dado nos diz qual é o potencial máximo do seu olho.
Não, mas os conceitos estão ligados. A acuidade visual é a medida da sua capacidade de enxergar, o resultado do teste de leitura das letras (20/20, 20/40, etc.). A refração é o exame que o médico faz para encontrar o grau que permite que você alcance a sua melhor acuidade visual possível. Ou seja, a refração é o processo para se descobrir a correção, e a acuidade visual é o resultado que se obtém com essa correção.
A refração objetiva é a medida do grau que é feita pelo aparelho (o autorrefrator), sem a necessidade de uma resposta do paciente. É uma medida física, uma estimativa. A refração subjetiva é o ajuste fino dessa medida, que depende da sua participação. É a parte em que o médico testa as lentes e pergunta “qual é melhor?”. A combinação das duas é o que leva ao resultado final: a objetiva dá um excelente ponto de partida, e a subjetiva personaliza o grau para o seu conforto e a sua percepção visual.
A sigla “AV” é a abreviação de “Acuidade Visual”, que é a medida da sua visão. Você pode ver anotações como “AV sc: 20/100” e “AV cc: 20/20”. “sc” significa “sem correção”, ou seja, a sua visão natural, sem óculos. “cc” significa “com correção”, ou seja, a sua visão com os óculos ou com o grau encontrado no exame. Essa anotação é a forma padrão de se registrar o quanto a correção óptica está ajudando a sua visão.
A receita é diferente porque os óculos ficam a uma certa distância do seu olho (a distância vértice), enquanto as lentes de contato ficam diretamente sobre a córnea. Essa diferença de distância altera o poder efetivo da lente. O médico precisa fazer um cálculo de conversão, especialmente para graus mais altos, para ajustar o poder da lente de contato para que ela forneça a mesma correção que os óculos. Além disso, a receita da lente de contato inclui outras informações, como a curvatura e o diâmetro.
Sim, a tecnologia dos autorrefratores modernos é muito confiável e precisa. Ela fornece uma estimativa excelente do erro refrativo objetivo. No entanto, ela não substitui a refração subjetiva feita pelo médico. O autorrefrator mede a óptica do olho, mas a refração final também precisa levar em conta a percepção do cérebro. A medida do aparelho é o ponto de partida técnico, e o ajuste fino feito com a sua resposta é o que garante o conforto e a satisfação com os óculos.
O exame de refração ocular tem as duas partes. A primeira parte, feita com o autorrefrator, é objetiva, pois não depende da sua resposta. A segunda e mais importante parte, feita com o refrator de Greens e a sua participação, é subjetiva. A prescrição final dos óculos é determinada principalmente pela parte subjetiva, pois o objetivo é encontrar o grau que, para a sua percepção, seja o mais nítido e confortável possível.
As lentes cilíndricas são as lentes usadas para corrigir o astigmatismo. Diferente de uma lente esférica (para miopia ou hipermetropia), que tem o mesmo poder em todas as direções, uma lente cilíndrica tem poder em apenas um eixo. Ela é usada para neutralizar a curvatura irregular da córnea que causa o astigmatismo. Durante o exame, o médico não só encontra a quantidade de poder cilíndrico necessário, mas também o “eixo”, que é a orientação exata em que a lente precisa ser posicionada.
O “eixo” na sua receita de óculos, que é um número entre 0 e 180 graus, descreve a orientação do seu astigmatismo. Como o astigmatismo ocorre porque a córnea é mais curva em uma direção e mais plana em outra, o eixo nos diz qual é a localização dessa direção mais plana. A lente cilíndrica dos seus óculos precisa ser montada exatamente nesse eixo para conseguir neutralizar a distorção da sua córnea. Um erro na montagem do eixo pode deixar a visão embaçada.
Sim, a tecnologia evoluiu muito. Os refratores de Greens manuais foram sendo aprimorados, e hoje existem os refratores computadorizados, nos quais o médico troca as lentes apertando botões em um painel digital, o que torna o exame mais rápido. Os autorrefratores se tornaram muito mais precisos. E, para a cirurgia refrativa, surgiram tecnologias ainda mais avançadas, como a aberrometria (iDesign), que mede o grau em mais de mil pontos do olho.
O oclusor, aquele objeto que parece uma colher preta, é usado para cobrir um olho enquanto o outro está sendo examinado. A refração é sempre medida para um olho de cada vez. É fundamental que, enquanto o médico está avaliando o seu olho direito, por exemplo, o seu olho esquerdo esteja totalmente coberto. Isso garante que a sua resposta seja baseada unicamente na visão do olho que está sendo testado, sem nenhuma interferência do outro.
O teste do vermelho-verde, ou teste dicromático, é um dos testes de ajuste fino que o médico pode usar no final da refração. Ele projeta letras sobre um fundo que é metade vermelho e metade verde. Devido a um fenômeno óptico, se o seu grau estiver perfeitamente corrigido, você verá as letras com a mesma nitidez nos dois fundos. Se você vir mais nítido no verde, pode indicar um pouco de miopia. Se vir mais nítido no vermelho, pode indicar hipermetropia. É um teste de checagem.
O preparo para o exame de refração é muito simples. Não é necessário fazer jejum. O cuidado mais importante é para usuários de lentes de contato, que devem suspender o uso por um período antes do exame, conforme a orientação do seu médico, para que a córnea volte ao seu formato natural. Se for provável que sua pupila seja dilatada (especialmente se for sua primeira consulta ou se for criança), já venha preparado com um acompanhante.
Sim, o ideal é que você vá para a consulta de refração sem suas lentes de contato e usando seus óculos. As lentes de contato podem alterar levemente a curvatura da sua córnea, o que pode influenciar na medida do grau. Ficar algumas horas ou um dia sem as lentes antes da consulta permite que a córnea volte ao seu estado mais natural, o que contribui para uma refração mais precisa e uma prescrição de óculos mais confortável.
Depende. Para o exame de refração em si, não. No entanto, se o seu oftalmologista optar por dilatar a sua pupila para obter uma medida mais precisa do grau (o que é muito comum em crianças e jovens) ou para fazer o exame de fundo de olho na mesma consulta, aí sim, você precisará obrigatoriamente de um acompanhante, pois não poderá dirigir com a visão embaçada. Na dúvida, é sempre mais seguro já ir acompanhado.
Se a sua pupila foi dilatada para o exame, a resposta é não. É perigoso dirigir com a visão embaçada e com sensibilidade à luz. Se o exame foi realizado sem dilatação, sua visão não será afetada e você poderá dirigir normalmente. A refração em si não embaça a visão, mas a dilatação, que frequentemente a acompanha para uma avaliação completa, sim.
Não, você deve continuar usando seus colírios de tratamento normalmente (como os para glaucoma), a menos que seu médico lhe dê uma instrução específica em contrário. A maioria dos colírios de tratamento não interfere na medição do grau. Apenas informe ao médico sobre todos os medicamentos que você usa, pois isso faz parte do seu histórico de saúde.
Não, não há nenhuma necessidade de jejum para a realização do exame de refração. Você pode se alimentar normalmente antes de vir para a consulta. Manter sua rotina normal de alimentação e hidratação é o mais indicado para o seu bem-estar, especialmente se a consulta incluir um tempo de espera para a dilatação da pupila.
Sim, é extremamente útil que você leve todos os seus óculos atuais e antigos para a consulta. O seu oftalmologista irá medir o grau dos seus óculos e comparar com a refração encontrada no dia. Essa comparação ajuda a entender como o seu grau tem mudado ao longo do tempo e a tomar a decisão sobre a nova prescrição. Levar os óculos com os quais você se sente mais confortável também é uma informação valiosa.
A duração do embaçamento visual causado pela dilatação da pupila pode variar de uma pessoa para outra, mas, em média, os efeitos duram de 4 a 6 horas. Durante esse período, a visão para perto fica mais prejudicada, dificultando a leitura. Recomenda-se planejar um resto de dia mais tranquilo, sem atividades que exijam visão nítida, e usar óculos de sol para se proteger da claridade.
Sim, é possível sentir um pouco de cansaço visual após o exame de refração, especialmente se o teste foi longo e exigiu muita concentração da sua parte para responder às perguntas do médico. Se a sua pupila foi dilatada, o esforço para tentar focar com a visão embaçada também pode causar um pouco de cansaço. É uma sensação passageira, que melhora com o repouso.
Antes de o exame começar, é importante informar ao médico sobre suas principais queixas visuais: a dificuldade é para longe, para perto, ou para ambos? Você sente dor de cabeça ou cansaço visual? Informe também sobre sua profissão e seus hobbies, pois isso ajuda o médico a entender suas necessidades visuais. Relatar seu histórico de saúde geral e os medicamentos que você usa também é fundamental.
A tomografia de segmento anterior (visante) é um exame 3D que analisa a córnea, sendo essencial para o diagnóstico de ceratocone e para a segurança de cirurgias.
Ultrassonografia ocular fornece imagens internas do olho, detecta alterações invisíveis a métodos ópticos e orienta diagnósticos e cirurgias com rapidez e segurança.
A topografia de córnea é um exame que cria um mapa de relevo da superfície do olho, sendo um recurso importante para diagnosticar ceratocone e planejar cirurgias.
A citologia de impressão ocular é um exame que coleta e analisa células da superfície do olho para diagnosticar doenças como olho seco severo e outras condições.
O PAM (Potencial de Acuidade Visual) é um exame que estima a visão potencial da retina, sendo um recurso importante para o prognóstico antes de cirurgias de catarata.
A autorrefração computadorizada no exame de vista estima o grau de forma objetiva e complementa a refração subjetiva, apoiando prescrições confortáveis.