Abordagens e o impacto das obstruções lacrimais

O sistema lacrimal

O nosso sistema lacrimal é uma estrutura fascinante, composta por uma parte que produz a lágrima e outra que a drena. A lágrima é produzida pela glândula lacrimal e espalhada sobre o olho a cada piscada. 

Após lubrificar a superfície, ela é drenada por dois pequenos orifícios no canto interno das pálpebras, os pontos lacrimais. A partir daí, ela passa por finos canais (os canalículos), chega ao saco lacrimal e desce por um duto (o duto nasolacrimal) até desembocar dentro do nariz. É por isso que chorar pode fazer o nariz escorrer.

Obstrução em bebês

A obstrução congênita das vias lacrimais é uma condição muito comum, que afeta cerca de 6% dos recém-nascidos. Ela ocorre porque, ao final do desenvolvimento do sistema de drenagem, uma fina membrana pode persistir na saída do canal lacrimal dentro do nariz, impedindo a passagem da lágrima. 

O principal sintoma é o lacrimejamento constante em um ou nos dois olhos do bebê, que pode vir acompanhado de secreção. Na grande maioria dos casos, a condição se resolve sozinha nos primeiros meses de vida, com a abertura espontânea dessa membrana.

Obstrução em adultos

Em adultos, a obstrução das vias lacrimais é uma condição adquirida. A causa mais comum é a idiopática, ou seja, uma fibrose e um estreitamento do duto que ocorrem com o envelhecimento, sem um motivo aparente, sendo mais comum em mulheres de meia-idade e idosas. Outras causas incluem traumas faciais com fraturas que afetam o canal, inflamações crônicas no nariz (como sinusites), tumores ou o uso de certos medicamentos. O principal sintoma é o lacrimejamento constante, que pode atrapalhar a visão e a qualidade de vida.

A dacriocistite

A dacriocistite é uma complicação da obstrução das vias lacrimais. Como a lágrima não consegue ser drenada, ela fica estagnada dentro do saco lacrimal. Essa lágrima parada se torna um meio de cultura ideal para a proliferação de bactérias, levando a uma infecção. A dacriocistite aguda se manifesta como um inchaço vermelho, quente e muito doloroso no canto interno do olho, perto do nariz, podendo formar um abscesso. A condição requer tratamento com antibióticos e, após a fase aguda, a correção cirúrgica da obstrução.

O lacrimejamento (epífora)

O lacrimejamento constante, ou epífora, é o principal sintoma de um problema nas vias lacrimais. É importante diferenciar a epífora do hiperlacrimejamento reflexo. No hiperlacrimejamento, o olho produz mais lágrima do que o normal em resposta a uma irritação na sua superfície, como no olho seco ou na presença de um corpo estranho. Na epífora por obstrução, a produção de lágrima é normal, mas como o “ralo” está entupido, a lágrima transborda e escorre pelo rosto. A avaliação oftalmológica é o que diferencia as duas condições.

O diagnóstico

O diagnóstico da obstrução das vias lacrimais é primariamente clínico. O oftalmologista irá ouvir a história do paciente e realizar um exame na lâmpada de fenda. Um teste simples consiste em pressionar a área do saco lacrimal; se houver saída de secreção pelo ponto lacrimal, isso sugere fortemente obstrução, a ser confirmada por testes específicos, como a irrigação das vias lacrimais. Outro exame é o teste de desaparecimento do corante, no qual uma gota de fluoresceína é pingada no olho. Se, após cinco minutos, o corante ainda estiver no olho, isso indica problema na drenagem.

Massagem de Crigler

Para os bebês com obstrução congênita, a Massagem de Crigler é a principal medida de tratamento inicial. Orientada pelo oftalmopediatra, a massagem consiste em aplicar uma pressão suave com o dedo indicador no canto interno do olho, sobre o saco lacrimal, e deslizar para baixo, em direção ao nariz. 

O objetivo é criar uma pressão hidrostática que ajude a romper a membrana que está obstruindo o final do canal. A massagem deve ser feita algumas vezes ao dia, geralmente associada à limpeza da secreção com soro fisiológico.

A sondagem

Se a obstrução do canal lacrimal do bebê não se resolver com as massagens até por volta do primeiro ano de vida, o procedimento de sondagem das vias lacrimais pode ser indicado. 

É um procedimento simples e rápido, realizado em centro cirúrgico com uma sedação leve. O oftalmopediatra utiliza uma sonda metálica, muito fina e de ponta romba, que é passada através do ponto lacrimal e ao longo de todo o canal, até perfurar mecanicamente a membrana obstrutiva no nariz. A taxa de sucesso do procedimento é muito alta.

A dacriocistorrinostomia

A dacriocistorrinostomia, ou DCR, é a cirurgia para corrigir a obstrução das vias lacrimais em adultos. Como a obstrução no adulto é causada por uma fibrose, a sondagem não funciona. 

A cirurgia consiste em criar um novo caminho de drenagem para a lágrima, fazendo uma comunicação direta entre o saco lacrimal e a cavidade nasal, “pulando” a parte do duto que está bloqueada. É um procedimento muito eficaz, com altas taxas de sucesso, para resolver o lacrimejamento. A cirurgia pode ser feita por uma incisão externa ou por via endoscópica, por dentro do nariz.

A plástica ocular

O tratamento das doenças das vias lacrimais é uma das principais áreas de atuação da plástica ocular, a subespecialidade da oftalmologia que cuida das pálpebras, da órbita e do sistema lacrimal. 

O oftalmologista especialista em plástica ocular tem o treinamento e o conhecimento aprofundado da complexa anatomia dessa região, o que é fundamental para a realização de procedimentos delicados como a dacriocistorrinostomia ou a reconstrução dos canalículos lacrimais após um trauma.

Cuidados com a secreção

Em bebês com obstrução do canal, é muito comum o acúmulo de uma secreção amarelada no canto dos olhos, especialmente ao acordar. É importante manter a área sempre limpa para evitar o acúmulo e o risco de uma conjuntivite secundária. 

A limpeza deve ser feita com uma gaze ou algodão limpo, umedecido em soro fisiológico ou água filtrada fervida e resfriada. O movimento deve ser suave, sempre do canto interno para o externo. Se a secreção se tornar muito espessa, esverdeada ou o olho ficar vermelho, a avaliação médica é indicada.

A avaliação completa

Embora o lacrimejamento seja o principal sintoma de obstrução, é importante lembrar que ele pode ter outras causas. Por isso, a avaliação oftalmológica completa é tão relevante. 

O profissional irá descartar outras condições que podem causar lacrimejamento, como o olho seco (que causa um lacrimejamento reflexo), a blefarite, um corpo estranho, a triquíase (cílios virados para dentro) ou o ectrópio (pálpebra virada para fora). O diagnóstico preciso da causa é o que garante a indicação do tratamento correto e eficaz.

Principais dúvidas sobre as vias lacrimais

Com base nas perguntas mais comuns, esta seção explica o que causa o lacrimejamento, como é feito o diagnóstico e quais os tratamentos para as obstruções das vias lacrimais.

Causas de condições oculares
Sintomas nas vias lacrimais
Sobre as vias lacrimais
Tipos de tratamento
Causas de condições oculares

O que causa a obstrução das vias lacrimais?

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As causas variam com a idade. Em bebês, a causa mais comum é a congênita, na qual uma fina membrana persiste na extremidade do canal lacrimal, impedindo sua abertura para o nariz. 

Em adultos, a causa mais frequente é a idiopática, um estreitamento e uma fibrose do canal que ocorrem com o envelhecimento, sem um motivo claro. Outras causas adquiridas incluem traumas faciais com fraturas, inflamações crônicas do nariz (sinusite), tumores que comprimem o canal ou, mais raramente, o uso de certos medicamentos.

Por que a obstrução é tão comum em bebês?

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É comum porque o sistema de drenagem lacrimal é uma das últimas estruturas da face a se desenvolver completamente durante a gestação. A canalização do duto nasolacrimal ocorre no final da gravidez. 

Em muitos bebês, especialmente nos que nascem um pouco antes do tempo, esse processo não está totalmente finalizado, e uma fina membrana de tecido pode permanecer bloqueando a passagem. Felizmente, com o crescimento do rosto do bebê e a pressão da própria lágrima, essa membrana costuma se romper sozinha na grande maioria dos casos.

A obstrução em adultos é mais comum em mulheres?

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Sim. A obstrução primária adquirida do duto nasolacrimal, a causa mais comum em adultos, é significativamente mais frequente em mulheres, especialmente após a menopausa. 

Acredita-se que as alterações hormonais possam ter um papel na inflamação crônica e na fibrose do canal. Além disso, a anatomia do canal lacrimal em mulheres tende a ser um pouco mais estreita do que nos homens, o que poderia torná-lo mais suscetível à obstrução.

Um nariz entupido por rinite pode causar obstrução?

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A rinite crônica ou a sinusite podem contribuir para a obstrução, mas geralmente de forma funcional ou secundária. 

A inflamação e o inchaço da mucosa nasal podem fechar a abertura do duto lacrimal dentro do nariz, dificultando a drenagem da lágrima e piorando o lacrimejamento. Em casos de inflamação muito crônica, esse processo pode, eventualmente, levar a uma fibrose e a uma obstrução anatômica permanente. Pólipos nasais também podem, mecanicamente, bloquear a saída do duto.

Um acidente ou uma fratura no rosto podem ser a causa?

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Sim, um trauma facial que envolva fraturas dos ossos do nariz ou da maxila, que são os ossos por onde o duto nasolacrimal passa, pode causar uma lesão direta ou uma obstrução do canal. O tratamento da fratura pode, às vezes, comprimir o duto, ou a própria cicatrização pode levar à sua fibrose. 

Um corte na pálpebra perto do canto interno do olho também pode lesar os canalículos, que são as partes iniciais da via de drenagem, causando lacrimejamento se não forem reparados corretamente.

A obstrução pode ser causada por um tumor?

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É uma causa rara, mas que deve sempre ser considerada. Tumores que se originam no saco lacrimal ou, mais comumente, tumores dos seios da face ou da cavidade nasal podem crescer e comprimir ou invadir o duto nasolacrimal, causando uma obstrução. 

Uma obstrução que surge de forma rápida, em um paciente mais velho, e que é acompanhada de sangramento ou de uma massa palpável no canto do olho, deve sempre levantar a suspeita e ser investigada com exames de imagem, como a tomografia.

A obstrução é hereditária?

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Não, a obstrução das vias lacrimais, tanto a congênita quanto a adquirida, não é considerada uma doença hereditária. 

A obstrução congênita é uma questão do desenvolvimento do bebê, e a adquirida está mais relacionada ao envelhecimento e a fatores inflamatórios. Não há um padrão genético conhecido que seja transmitido na família para essa condição.

O que é a dacriocistite?

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A dacriocistite é a infecção do saco lacrimal, e ela é uma consequência, e não uma causa, da obstrução. 

Quando o duto nasolacrimal está obstruído, a lágrima fica estagnada no saco lacrimal, criando um ambiente perfeito para a proliferação de bactérias. Isso leva a uma infecção aguda, com dor, vermelhidão e inchaço no canto do olho, e a formação de um abcesso. A dacriocistite crônica se manifesta com lacrimejamento constante e secreção.

O uso de algum colírio pode causar obstrução?

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É muito raro, mas o uso crônico de alguns tipos de colírios, especialmente alguns quimioterápicos ou antivirais, pode causar uma inflamação e uma cicatrização nos pontos e nos canalículos lacrimais, levando a uma obstrução. 

Alguns tratamentos de quimioterapia sistêmica também podem, raramente, ter a obstrução do canal como efeito colateral.

A causa pode ser desconhecida?

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Sim. Na maioria dos casos de obstrução em adultos, não se encontra nenhuma causa específica, como um trauma ou uma inflamação prévia. 

Essa forma é chamada de Obstrução Primária Adquirida do Duto Nasolacrimal (PANDO). Acredita-se que ela seja resultado de um processo de inflamação crônica de baixo grau e de fibrose progressiva que ocorre na mucosa do duto, relacionado ao envelhecimento.

Sintomas nas vias lacrimais

Qual o principal sintoma da obstrução das vias lacrimais?

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O principal e mais característico sintoma é a epífora, que é o lacrimejamento constante e excessivo. A lágrima, por não ter por onde escoar, transborda e escorre pelo rosto, como se a pessoa estivesse chorando, mesmo sem nenhum estímulo emocional. 

O lacrimejamento geralmente piora em ambientes externos, com vento ou frio, e pode atrapalhar a visão, deixando-a embaçada, e irritar a pele da pálpebra.

É normal o olho ficar sempre "cheio de água"?

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Não. Um olho que fica constantemente “marejado” ou “cheio de água”, a ponto de a lágrima escorrer, é um sinal de que há um desequilíbrio no sistema lacrimal. Isso pode ser por uma produção excessiva de lágrima (hiperlacrimejamento reflexo, comum no olho seco) ou, mais frequentemente, por uma falha na drenagem, que é a obstrução das vias lacrimais. A avaliação do oftalmologista é o que irá diferenciar as duas causas.

A obstrução pode causar secreção ou "remela"?

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Sim. Como a lágrima parada no saco lacrimal favorece o crescimento de bactérias, é muito comum que, junto com o lacrimejamento, o paciente apresente uma secreção mucopurulenta (amarelada). 

A pessoa pode acordar com os olhos “grudados” ou notar que, ao pressionar o canto do olho, uma secreção sai pelo ponto lacrimal. A presença de secreção é um sinal de uma infecção crônica (dacriocistite crônica).

A obstrução das vias lacrimais causa dor?

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A obstrução em si, que causa apenas o lacrimejamento, geralmente não dói. A dor é um sinal de que houve uma complicação, a dacriocistite aguda, que é a infecção do saco lacrimal. 

Nesse caso, a dor é intensa, localizada no canto interno do olho, e vem acompanhada de vermelhidão e de um inchaço endurecido. A dor na dacriocistite aguda pode ser muito forte e requer tratamento com antibióticos.

A visão pode ficar embaçada?

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Sim. O excesso de lágrima na superfície do olho pode embaçar a visão. A lágrima forma uma camada irregular sobre a córnea, o que borra as imagens, de forma semelhante a olhar através de um vidro molhado. 

É um embaçamento que melhora momentaneamente ao enxugar os olhos, mas que retorna rapidamente. O lacrimejamento constante pode ser particularmente incômodo para atividades como a leitura e a direção.

O olho pode ficar vermelho e irritado?

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Sim. O lacrimejamento constante e a necessidade de enxugar os olhos com frequência podem causar uma irritação crônica na pele das pálpebras, deixando-a avermelhada e macerada. 

Além disso, a infecção crônica associada à obstrução pode levar a episódios de conjuntivite de repetição, com o olho em si ficando vermelho e irritado.

Pode aparecer um caroço no canto do olho?

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Sim, um inchaço ou “caroço” doloroso e avermelhado no canto interno do olho, entre o olho e o nariz, é o sinal clássico da dacriocistite aguda. 

Esse caroço corresponde ao saco lacrimal inflamado e cheio de pus. Em alguns casos de obstrução crônica, mesmo sem infecção aguda, o saco lacrimal pode ficar permanentemente dilatado pela lágrima acumulada, formando uma pequena elevação indolor na mesma região, chamada de mucocele.

Os sintomas são piores no frio ou no vento?

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Sim, é muito característico que o lacrimejamento piore em ambientes frios, com vento ou com ar-condicionado. Isso acontece porque esses fatores estimulam a produção reflexa de lágrima para proteger o olho. 

Em uma pessoa com o sistema de drenagem normal, essa lágrima extra é escoada sem problemas. Mas, em quem tem o canal obstruído, esse aumento na produção de lágrima sobrecarrega ainda mais o sistema, e o lacrimejamento se torna muito mais intenso.

Os sintomas podem ser em um olho só?

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Sim, na maioria das vezes, a obstrução adquirida em adultos é unilateral, e os sintomas de lacrimejamento afetam apenas um dos olhos. 

A obstrução congênita em bebês também pode ser unilateral, embora a chance de ser bilateral seja um pouco maior.

O lacrimejamento do bebê é sempre obstrução?

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O lacrimejamento constante, desde as primeiras semanas de vida, em um bebê com o olho calmo e branco, é, na grande maioria dos casos, causado pela obstrução congênita. 

No entanto, se o lacrimejamento vier acompanhado de outros sinais, como sensibilidade à luz, olho de aparência grande ou azulada, é fundamental descartar outras causas mais graves, como o glaucoma congênito. Por isso, todo bebê com lacrimejamento persistente deve ser avaliado por um oftalmopediatra.

Sobre as vias lacrimais

A obstrução das vias lacrimais é grave?

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A obstrução em si não é uma condição que ameaça a visão diretamente. O principal problema é o lacrimejamento crônico, que afeta muito a qualidade de vida. O risco maior está na sua complicação, a dacriocistite (infecção do saco lacrimal). 

Uma dacriocistite aguda pode, em casos raros, evoluir para uma infecção mais grave, como uma celulite orbitária. Portanto, embora não seja uma emergência, é uma condição que merece diagnóstico e tratamento.

A obstrução em bebês pode melhorar sozinha?

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Sim, e essa é a regra. Cerca de 90% dos casos de obstrução congênita do duto nasolacrimal se resolvem espontaneamente durante o primeiro ano de vida. 

Isso ocorre porque a membrana que obstrui o canal costuma se romper com o crescimento do rosto da criança e com a pressão da própria lágrima, especialmente com a ajuda das massagens. Por isso, a conduta inicial é sempre conservadora, aguardando a resolução natural.

Qual o profissional que trata os problemas das vias lacrimais?

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O tratamento das doenças das vias lacrimais é uma das principais áreas de atuação do médico oftalmologista especialista em plástica ocular.

Esse profissional tem o treinamento específico e o conhecimento aprofundado da complexa anatomia da região para realizar tanto o diagnóstico quanto os procedimentos cirúrgicos, como a sondagem em bebês e a dacriocistorrinostomia em adultos.

Como é feito o diagnóstico em adultos?

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O diagnóstico é baseado na história clínica de lacrimejamento e no exame oftalmológico. O médico irá avaliar a posição das pálpebras e dos pontos lacrimais e irá pressionar o saco lacrimal para verificar se há refluxo de secreção. 

Para confirmar a obstrução, pode ser feito o teste de irrigação das vias lacrimais no consultório. O médico injeta soro fisiológico no ponto lacrimal; se o líquido não passar para o nariz e voltar pelo olho, a obstrução está confirmada.

E o diagnóstico em bebês?

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Em bebês, o diagnóstico é quase sempre clínico, baseado na história de lacrimejamento constante desde o nascimento e na observação dos sinais. 

O teste do desaparecimento do corante de fluoresceína também é muito útil. Uma gota do corante é pingada no olho do bebê. Em um olho normal, o corante deve desaparecer em poucos minutos. Se ele permanecer no olho por mais de 5 a 10 minutos, isso indica uma drenagem deficiente.

A obstrução pode voltar após o tratamento?

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Na sondagem em bebês, a taxa de sucesso é muito alta, acima de 90%, e é raro a obstrução voltar. 

Na cirurgia de dacriocistorrinostomia (DCR) em adultos, a taxa de sucesso também é excelente, geralmente acima de 90 a 95%. A nova passagem que é criada costuma permanecer aberta a longo prazo. A falha da cirurgia, embora incomum, pode ocorrer por uma cicatrização excessiva no local da nova abertura.

O que é a dacriocistite?

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A dacriocistite é a infecção do saco lacrimal, que ocorre como uma complicação da obstrução do duto nasolacrimal. 

Na forma aguda, ela causa um inchaço vermelho, quente e muito doloroso no canto do olho, que pode formar um abcesso e requerer tratamento com antibióticos sistêmicos. Na forma crônica, ela se manifesta com lacrimejamento constante e secreção purulenta ao se pressionar o saco lacrimal. A cura definitiva da dacriocistite requer a cirurgia para corrigir a obstrução.

O lacrimejamento pode ter outras causas?

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Sim. É muito importante diferenciar o lacrimejamento por obstrução (epífora) do lacrimejamento por produção excessiva de lágrima. A produção excessiva é um reflexo a uma irritação na superfície do olho. 

As causas mais comuns são o olho seco, a blefarite, a conjuntivite alérgica ou a presença de um corpo estranho. A avaliação do oftalmologista é o que irá determinar a causa correta do lacrimejamento e indicar o tratamento apropriado.

A obstrução pode afetar os dois olhos?

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Sim, a obstrução pode ser unilateral ou bilateral. Em bebês, a obstrução congênita é bilateral em cerca de um terço dos casos.

Em adultos, a obstrução adquirida é mais comumente unilateral, mas também pode afetar os dois olhos, especialmente se estiver relacionada a um processo inflamatório sistêmico.

O que é um "ponto lacrimal entupido"?

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O “ponto lacrimal entupido”, ou estenose de ponto lacrimal, é um estreitamento do pequeno orifício no canto da pálpebra por onde a lágrima começa a ser drenada. Pode ser causado pelo envelhecimento ou por inflamações crônicas, como a blefarite. 

Se o ponto estiver muito fechado, a lágrima não consegue entrar no sistema de drenagem, causando lacrimejamento. O tratamento pode envolver um pequeno procedimento no consultório para dilatar ou reabrir o ponto.

Tipos de tratamento

Qual o tratamento para a obstrução em bebês?

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O tratamento inicial é sempre conservador. A grande maioria dos casos se resolve com a Massagem de Crigler, orientada pelo médico, para ser feita em casa pelos pais. 

A massagem visa aumentar a pressão hidrostática dentro do saco lacrimal para ajudar a romper a membrana obstrutiva. Se a obstrução persistir após os 10 a 12 meses de idade, o próximo passo é o procedimento de sondagem das vias lacrimais, que tem uma alta taxa de sucesso.

A sondagem em bebês precisa de cirurgia?

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A sondagem é considerada um procedimento cirúrgico, mas é minimamente invasivo. É realizado em centro cirúrgico para que o bebê possa receber uma sedação ou uma anestesia geral leve e rápida, garantindo sua segurança e imobilidade. 

O procedimento em si dura apenas alguns minutos e consiste em passar uma sonda fina pelo canal para desobstruí-lo. A criança geralmente tem alta no mesmo dia.

Qual o tratamento para a obstrução em adultos?

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Para a obstrução completa do duto nasolacrimal em adultos, o único tratamento definitivo é a cirurgia de dacriocistorrinostomia (DCR). Como a causa é uma fibrose, a sondagem não funciona. 

A cirurgia cria um novo caminho para a drenagem da lágrima, fazendo uma conexão direta entre o saco lacrimal e a cavidade nasal. É um procedimento muito eficaz para resolver o lacrimejamento e as infecções de repetição.

Como a cirurgia de DCR é feita?

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Existem duas técnicas principais. A DCR externa é a tradicional, na qual uma pequena incisão é feita na pele, ao lado do nariz, para se criar a nova passagem. 

A DCR endoscópica é uma técnica mais moderna, na qual a cirurgia é toda realizada por dentro do nariz, com o auxílio de um endoscópio (uma pequena câmera de vídeo), sem deixar nenhuma cicatriz na pele. Ambas as técnicas têm taxas de sucesso muito altas.

A cirurgia de DCR é segura?

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Sim, a dacriocistorrinostomia é considerada um procedimento seguro e com um alto índice de satisfação. É realizada com anestesia local e sedação ou com anestesia geral. Como toda cirurgia, ela tem riscos, como sangramento ou infecção, mas eles são baixos. 

O sucesso da cirurgia, ou seja, a resolução do lacrimejamento, ocorre em mais de 90 a 95% dos casos. A recuperação costuma ser tranquila, com um inchaço local que melhora em algumas semanas.

O que é a intubação das vias lacrimais?

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Em alguns procedimentos, tanto na sondagem em bebês quanto na DCR em adultos, o cirurgião pode optar por deixar um tubo de silicone muito fino passando por dentro dos canalículos e do novo caminho de drenagem. 

Esse tubo funciona como um “stent”, ou um molde, que ajuda a manter a via aberta durante o processo de cicatrização, diminuindo o risco de a obstrução voltar. O tubo é imperceptível para o paciente e geralmente é removido no consultório alguns meses depois.

Como a dacriocistite aguda é tratada?

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O tratamento da dacriocistite aguda (a infecção do saco lacrimal) é feito com antibióticos sistêmicos (por via oral ou, em casos mais graves, na veia) e compressas mornas para ajudar na drenagem do abscesso. 

Após a resolução completa da infecção e da inflamação, a cirurgia de DCR é programada para corrigir a obstrução de base e prevenir que a infecção ocorra novamente.

A massagem funciona para adultos?

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Não. A massagem de Crigler é indicada apenas para bebês com obstrução congênita, pois o objetivo é romper uma membrana muito fina. 

Em adultos, a obstrução é causada por uma fibrose e um estreitamento do canal ósseo, uma estrutura rígida que não responde à massagem. Portanto, para adultos com obstrução completa, a massagem não tem nenhum efeito.

O que fazer em casa para aliviar os sintomas?

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Para o lacrimejamento crônico, não há muito o que fazer em casa além de manter a área sempre limpa e seca para evitar a irritação da pele. 

O mais importante é obter um diagnóstico correto. Para bebês, a massagem de Crigler, se orientada pelo médico, é a principal medida. Para adultos com dacriocistite crônica, a limpeza da secreção é importante, mas a solução definitiva dependerá do tratamento indicado pelo especialista.

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Ceratocone

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Oftalmos Balneário Camboriú

Rua 10, 175. Centro – Balneário Camboriú (SC)
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Oftalmo Città Shopping Città America

Shopping Città America. Av. das Américas, 700 – Bloco 08 – Salas 101 A e 105 A. Barra da Tijuca – RJ
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H.Olhos Laser Ocular

Av. Portugal, 830 . Jd Bela Vista . Santo André . SP
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HRO Rio Anil Shopping

Av. São Luís Rei de França, Rio Anil Shopping, 8, Loja 1094. Turu – São Luís – MA
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HRO Golden Shopping

Av. dos Holandeses, Golden Shopping Calhau, Loja 40. Calhau – São Luís – MA
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HRO Shopping da Ilha

Av. Daniel de la Touche, 987, Shopping da Ilha. Cohama – São Luís – MA
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HRO São Domingos

Av. Jerônimo de Albuquerque, 540. Complexo do Hospital São Domingos. Bequimão - São Luís – MA
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HOSL Recife

Estrada do Encanamento, 909/873. Casa Forte, Recife - PE.
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HOS Centro, Aracaju

R. Santo Amaro, 296 – Centro, Aracaju (SE).
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HOS Jardins Aracaju

Av. Min. Geraldo Barreto Sobral, 2131, Térreo, Centro Médico Jardins. Aracaju – SE
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HOS Aracaju (matriz)

Rua Campo do Brito, 995, Bairro São José.
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HOPE Ilha do Leite

Rua Francisco Alves, 887 • Ilha do Leite, Recife - PE
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HOPE Shopping Recife

Rua Padre Carapuceiro, 777 • Shopping Recife, Boa Viagem, Recife - PE • 1° piso
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HOPE Shopping Guararapes

Av. Barreto de Menezes, 800 • Piedade, Jaboatão dos Guararapes - PE • Entrada A
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HOPE Plaza Casa Forte

R. Dr. João Santos Filho, 255 • Parnamirim, Recife - PE • Mezanino
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HOPE RioMar

Av. República do Líbano, 251. Shopping RioMar. Pina, Recife - PE
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HOPE Shopping Patteo Olinda

R. Carmelita Muniz de Araújo, 225 • Shopping Patteo Olinda, Casa Caiada, Olinda - PE • L4 Piso Ribeira
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H.Olhos Molinari

R. Bento de Andrade, 379 - Jardim Paulista. São Paulo - SP. CEP: 04503-011.
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H.Olhos Clinoft

Rua Doutor João Ribeiro, 184 - Penha de França. São Paulo - SP
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H.Olhos Paulista

Rua Abílio Soares, 218 – Paraíso – São Paulo (SP). Próximo à Estação Paraíso do Metrô.
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H.Olhos ABC

Avenida Lucas Nogueira Garcez, 169 - São Bernardo do Campo (SP)
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HOC, Vitória

Av. Rosendo Serapiao de Souza Filho, 95. Mata da Praia - Vitória /ES
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HOC, Várzea Grande

Av. Castelo Branco, 790 - Centro Sul, Várzea Grande - MT, 78110-002
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HOC, Cuiabá

Av. Gen. Ramiro de Noronha, 453 - Jardim Cuiabá, Cuiabá - MT, 78043-272
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H.Olhos São Caetano do Sul

R. Espírito Santo, 67 – Centro – São Caetano do Sul – SP – CEP: 09530-700.
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H.Olhos Mauá

Rua Campos Sales, 48 – Vila Bocaina – Mauá – SP.
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H.Olhos Diadema

Rua Carmine Flauto, 26 – Centro – Diadema – SP
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H.Olhos Santo André

Rua Dona Carlota, 166 – Vila Bastos – Santo André – SP – CEP: 09040-250.
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H.Olhos Santo Amaro

Av. Santo Amaro, 6277- Chácara Santo Antônio – São Paulo – CEP: 04701-100.
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H.Olhos CEOSP Moema

Av. Ibijaú, 331 - Moema, São Paulo - SP, 04524-020
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CCOlhos Santa Lúcia, Vitória

R. das Palmeiras, 721, Santa Lucia, Vitória – ES
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CBV, Araucárias

Avenida das Araucárias, 785 – Loja 03. Águas Claras, Brasília – DF, 71936-250
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CBV, Taguatinga Sul

QSA 1, Lote 08. Em frente ao Alameda Shopping. Taguatinga Sul, Brasília – DF, 72015-010
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CBV, Matriz L2 Sul

Avenida L2 Sul, Quadra 613, Lote 91. Asa Sul, Brasília – DF, 70200-730
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