O sistema de drenagem: as vias lacrimais
O lacrimejamento excessivo pode ser um problema nas vias lacrimais. Descubra as soluções para a obstrução das vias lacrimais e viva com mais conforto.
Com base nas perguntas mais comuns, esta seção explica o que causa o lacrimejamento, como é feito o diagnóstico e quais os tratamentos para as obstruções das vias lacrimais.
As causas variam com a idade. Em bebês, a causa mais comum é a congênita, na qual uma fina membrana persiste na extremidade do canal lacrimal, impedindo sua abertura para o nariz.
Em adultos, a causa mais frequente é a idiopática, um estreitamento e uma fibrose do canal que ocorrem com o envelhecimento, sem um motivo claro. Outras causas adquiridas incluem traumas faciais com fraturas, inflamações crônicas do nariz (sinusite), tumores que comprimem o canal ou, mais raramente, o uso de certos medicamentos.
É comum porque o sistema de drenagem lacrimal é uma das últimas estruturas da face a se desenvolver completamente durante a gestação. A canalização do duto nasolacrimal ocorre no final da gravidez.
Em muitos bebês, especialmente nos que nascem um pouco antes do tempo, esse processo não está totalmente finalizado, e uma fina membrana de tecido pode permanecer bloqueando a passagem. Felizmente, com o crescimento do rosto do bebê e a pressão da própria lágrima, essa membrana costuma se romper sozinha na grande maioria dos casos.
Sim. A obstrução primária adquirida do duto nasolacrimal, a causa mais comum em adultos, é significativamente mais frequente em mulheres, especialmente após a menopausa.
Acredita-se que as alterações hormonais possam ter um papel na inflamação crônica e na fibrose do canal. Além disso, a anatomia do canal lacrimal em mulheres tende a ser um pouco mais estreita do que nos homens, o que poderia torná-lo mais suscetível à obstrução.
A rinite crônica ou a sinusite podem contribuir para a obstrução, mas geralmente de forma funcional ou secundária.
A inflamação e o inchaço da mucosa nasal podem fechar a abertura do duto lacrimal dentro do nariz, dificultando a drenagem da lágrima e piorando o lacrimejamento. Em casos de inflamação muito crônica, esse processo pode, eventualmente, levar a uma fibrose e a uma obstrução anatômica permanente. Pólipos nasais também podem, mecanicamente, bloquear a saída do duto.
Sim, um trauma facial que envolva fraturas dos ossos do nariz ou da maxila, que são os ossos por onde o duto nasolacrimal passa, pode causar uma lesão direta ou uma obstrução do canal. O tratamento da fratura pode, às vezes, comprimir o duto, ou a própria cicatrização pode levar à sua fibrose.
Um corte na pálpebra perto do canto interno do olho também pode lesar os canalículos, que são as partes iniciais da via de drenagem, causando lacrimejamento se não forem reparados corretamente.
É uma causa rara, mas que deve sempre ser considerada. Tumores que se originam no saco lacrimal ou, mais comumente, tumores dos seios da face ou da cavidade nasal podem crescer e comprimir ou invadir o duto nasolacrimal, causando uma obstrução.
Uma obstrução que surge de forma rápida, em um paciente mais velho, e que é acompanhada de sangramento ou de uma massa palpável no canto do olho, deve sempre levantar a suspeita e ser investigada com exames de imagem, como a tomografia.
Não, a obstrução das vias lacrimais, tanto a congênita quanto a adquirida, não é considerada uma doença hereditária.
A obstrução congênita é uma questão do desenvolvimento do bebê, e a adquirida está mais relacionada ao envelhecimento e a fatores inflamatórios. Não há um padrão genético conhecido que seja transmitido na família para essa condição.
A dacriocistite é a infecção do saco lacrimal, e ela é uma consequência, e não uma causa, da obstrução.
Quando o duto nasolacrimal está obstruído, a lágrima fica estagnada no saco lacrimal, criando um ambiente perfeito para a proliferação de bactérias. Isso leva a uma infecção aguda, com dor, vermelhidão e inchaço no canto do olho, e a formação de um abcesso. A dacriocistite crônica se manifesta com lacrimejamento constante e secreção.
É muito raro, mas o uso crônico de alguns tipos de colírios, especialmente alguns quimioterápicos ou antivirais, pode causar uma inflamação e uma cicatrização nos pontos e nos canalículos lacrimais, levando a uma obstrução.
Alguns tratamentos de quimioterapia sistêmica também podem, raramente, ter a obstrução do canal como efeito colateral.
Sim. Na maioria dos casos de obstrução em adultos, não se encontra nenhuma causa específica, como um trauma ou uma inflamação prévia.
Essa forma é chamada de Obstrução Primária Adquirida do Duto Nasolacrimal (PANDO). Acredita-se que ela seja resultado de um processo de inflamação crônica de baixo grau e de fibrose progressiva que ocorre na mucosa do duto, relacionado ao envelhecimento.
O principal e mais característico sintoma é a epífora, que é o lacrimejamento constante e excessivo. A lágrima, por não ter por onde escoar, transborda e escorre pelo rosto, como se a pessoa estivesse chorando, mesmo sem nenhum estímulo emocional.
O lacrimejamento geralmente piora em ambientes externos, com vento ou frio, e pode atrapalhar a visão, deixando-a embaçada, e irritar a pele da pálpebra.
Não. Um olho que fica constantemente “marejado” ou “cheio de água”, a ponto de a lágrima escorrer, é um sinal de que há um desequilíbrio no sistema lacrimal. Isso pode ser por uma produção excessiva de lágrima (hiperlacrimejamento reflexo, comum no olho seco) ou, mais frequentemente, por uma falha na drenagem, que é a obstrução das vias lacrimais. A avaliação do oftalmologista é o que irá diferenciar as duas causas.
Sim. Como a lágrima parada no saco lacrimal favorece o crescimento de bactérias, é muito comum que, junto com o lacrimejamento, o paciente apresente uma secreção mucopurulenta (amarelada).
A pessoa pode acordar com os olhos “grudados” ou notar que, ao pressionar o canto do olho, uma secreção sai pelo ponto lacrimal. A presença de secreção é um sinal de uma infecção crônica (dacriocistite crônica).
A obstrução em si, que causa apenas o lacrimejamento, geralmente não dói. A dor é um sinal de que houve uma complicação, a dacriocistite aguda, que é a infecção do saco lacrimal.
Nesse caso, a dor é intensa, localizada no canto interno do olho, e vem acompanhada de vermelhidão e de um inchaço endurecido. A dor na dacriocistite aguda pode ser muito forte e requer tratamento com antibióticos.
Sim. O excesso de lágrima na superfície do olho pode embaçar a visão. A lágrima forma uma camada irregular sobre a córnea, o que borra as imagens, de forma semelhante a olhar através de um vidro molhado.
É um embaçamento que melhora momentaneamente ao enxugar os olhos, mas que retorna rapidamente. O lacrimejamento constante pode ser particularmente incômodo para atividades como a leitura e a direção.
Sim. O lacrimejamento constante e a necessidade de enxugar os olhos com frequência podem causar uma irritação crônica na pele das pálpebras, deixando-a avermelhada e macerada.
Além disso, a infecção crônica associada à obstrução pode levar a episódios de conjuntivite de repetição, com o olho em si ficando vermelho e irritado.
Sim, um inchaço ou “caroço” doloroso e avermelhado no canto interno do olho, entre o olho e o nariz, é o sinal clássico da dacriocistite aguda.
Esse caroço corresponde ao saco lacrimal inflamado e cheio de pus. Em alguns casos de obstrução crônica, mesmo sem infecção aguda, o saco lacrimal pode ficar permanentemente dilatado pela lágrima acumulada, formando uma pequena elevação indolor na mesma região, chamada de mucocele.
Sim, é muito característico que o lacrimejamento piore em ambientes frios, com vento ou com ar-condicionado. Isso acontece porque esses fatores estimulam a produção reflexa de lágrima para proteger o olho.
Em uma pessoa com o sistema de drenagem normal, essa lágrima extra é escoada sem problemas. Mas, em quem tem o canal obstruído, esse aumento na produção de lágrima sobrecarrega ainda mais o sistema, e o lacrimejamento se torna muito mais intenso.
Sim, na maioria das vezes, a obstrução adquirida em adultos é unilateral, e os sintomas de lacrimejamento afetam apenas um dos olhos.
A obstrução congênita em bebês também pode ser unilateral, embora a chance de ser bilateral seja um pouco maior.
O lacrimejamento constante, desde as primeiras semanas de vida, em um bebê com o olho calmo e branco, é, na grande maioria dos casos, causado pela obstrução congênita.
No entanto, se o lacrimejamento vier acompanhado de outros sinais, como sensibilidade à luz, olho de aparência grande ou azulada, é fundamental descartar outras causas mais graves, como o glaucoma congênito. Por isso, todo bebê com lacrimejamento persistente deve ser avaliado por um oftalmopediatra.
A obstrução em si não é uma condição que ameaça a visão diretamente. O principal problema é o lacrimejamento crônico, que afeta muito a qualidade de vida. O risco maior está na sua complicação, a dacriocistite (infecção do saco lacrimal).
Uma dacriocistite aguda pode, em casos raros, evoluir para uma infecção mais grave, como uma celulite orbitária. Portanto, embora não seja uma emergência, é uma condição que merece diagnóstico e tratamento.
Sim, e essa é a regra. Cerca de 90% dos casos de obstrução congênita do duto nasolacrimal se resolvem espontaneamente durante o primeiro ano de vida.
Isso ocorre porque a membrana que obstrui o canal costuma se romper com o crescimento do rosto da criança e com a pressão da própria lágrima, especialmente com a ajuda das massagens. Por isso, a conduta inicial é sempre conservadora, aguardando a resolução natural.
O tratamento das doenças das vias lacrimais é uma das principais áreas de atuação do médico oftalmologista especialista em plástica ocular.
Esse profissional tem o treinamento específico e o conhecimento aprofundado da complexa anatomia da região para realizar tanto o diagnóstico quanto os procedimentos cirúrgicos, como a sondagem em bebês e a dacriocistorrinostomia em adultos.
O diagnóstico é baseado na história clínica de lacrimejamento e no exame oftalmológico. O médico irá avaliar a posição das pálpebras e dos pontos lacrimais e irá pressionar o saco lacrimal para verificar se há refluxo de secreção.
Para confirmar a obstrução, pode ser feito o teste de irrigação das vias lacrimais no consultório. O médico injeta soro fisiológico no ponto lacrimal; se o líquido não passar para o nariz e voltar pelo olho, a obstrução está confirmada.
Em bebês, o diagnóstico é quase sempre clínico, baseado na história de lacrimejamento constante desde o nascimento e na observação dos sinais.
O teste do desaparecimento do corante de fluoresceína também é muito útil. Uma gota do corante é pingada no olho do bebê. Em um olho normal, o corante deve desaparecer em poucos minutos. Se ele permanecer no olho por mais de 5 a 10 minutos, isso indica uma drenagem deficiente.
Na sondagem em bebês, a taxa de sucesso é muito alta, acima de 90%, e é raro a obstrução voltar.
Na cirurgia de dacriocistorrinostomia (DCR) em adultos, a taxa de sucesso também é excelente, geralmente acima de 90 a 95%. A nova passagem que é criada costuma permanecer aberta a longo prazo. A falha da cirurgia, embora incomum, pode ocorrer por uma cicatrização excessiva no local da nova abertura.
A dacriocistite é a infecção do saco lacrimal, que ocorre como uma complicação da obstrução do duto nasolacrimal.
Na forma aguda, ela causa um inchaço vermelho, quente e muito doloroso no canto do olho, que pode formar um abcesso e requerer tratamento com antibióticos sistêmicos. Na forma crônica, ela se manifesta com lacrimejamento constante e secreção purulenta ao se pressionar o saco lacrimal. A cura definitiva da dacriocistite requer a cirurgia para corrigir a obstrução.
Sim. É muito importante diferenciar o lacrimejamento por obstrução (epífora) do lacrimejamento por produção excessiva de lágrima. A produção excessiva é um reflexo a uma irritação na superfície do olho.
As causas mais comuns são o olho seco, a blefarite, a conjuntivite alérgica ou a presença de um corpo estranho. A avaliação do oftalmologista é o que irá determinar a causa correta do lacrimejamento e indicar o tratamento apropriado.
Sim, a obstrução pode ser unilateral ou bilateral. Em bebês, a obstrução congênita é bilateral em cerca de um terço dos casos.
Em adultos, a obstrução adquirida é mais comumente unilateral, mas também pode afetar os dois olhos, especialmente se estiver relacionada a um processo inflamatório sistêmico.
O “ponto lacrimal entupido”, ou estenose de ponto lacrimal, é um estreitamento do pequeno orifício no canto da pálpebra por onde a lágrima começa a ser drenada. Pode ser causado pelo envelhecimento ou por inflamações crônicas, como a blefarite.
Se o ponto estiver muito fechado, a lágrima não consegue entrar no sistema de drenagem, causando lacrimejamento. O tratamento pode envolver um pequeno procedimento no consultório para dilatar ou reabrir o ponto.
O tratamento inicial é sempre conservador. A grande maioria dos casos se resolve com a Massagem de Crigler, orientada pelo médico, para ser feita em casa pelos pais.
A massagem visa aumentar a pressão hidrostática dentro do saco lacrimal para ajudar a romper a membrana obstrutiva. Se a obstrução persistir após os 10 a 12 meses de idade, o próximo passo é o procedimento de sondagem das vias lacrimais, que tem uma alta taxa de sucesso.
A sondagem é considerada um procedimento cirúrgico, mas é minimamente invasivo. É realizado em centro cirúrgico para que o bebê possa receber uma sedação ou uma anestesia geral leve e rápida, garantindo sua segurança e imobilidade.
O procedimento em si dura apenas alguns minutos e consiste em passar uma sonda fina pelo canal para desobstruí-lo. A criança geralmente tem alta no mesmo dia.
Para a obstrução completa do duto nasolacrimal em adultos, o único tratamento definitivo é a cirurgia de dacriocistorrinostomia (DCR). Como a causa é uma fibrose, a sondagem não funciona.
A cirurgia cria um novo caminho para a drenagem da lágrima, fazendo uma conexão direta entre o saco lacrimal e a cavidade nasal. É um procedimento muito eficaz para resolver o lacrimejamento e as infecções de repetição.
Existem duas técnicas principais. A DCR externa é a tradicional, na qual uma pequena incisão é feita na pele, ao lado do nariz, para se criar a nova passagem.
A DCR endoscópica é uma técnica mais moderna, na qual a cirurgia é toda realizada por dentro do nariz, com o auxílio de um endoscópio (uma pequena câmera de vídeo), sem deixar nenhuma cicatriz na pele. Ambas as técnicas têm taxas de sucesso muito altas.
Sim, a dacriocistorrinostomia é considerada um procedimento seguro e com um alto índice de satisfação. É realizada com anestesia local e sedação ou com anestesia geral. Como toda cirurgia, ela tem riscos, como sangramento ou infecção, mas eles são baixos.
O sucesso da cirurgia, ou seja, a resolução do lacrimejamento, ocorre em mais de 90 a 95% dos casos. A recuperação costuma ser tranquila, com um inchaço local que melhora em algumas semanas.
Em alguns procedimentos, tanto na sondagem em bebês quanto na DCR em adultos, o cirurgião pode optar por deixar um tubo de silicone muito fino passando por dentro dos canalículos e do novo caminho de drenagem.
Esse tubo funciona como um “stent”, ou um molde, que ajuda a manter a via aberta durante o processo de cicatrização, diminuindo o risco de a obstrução voltar. O tubo é imperceptível para o paciente e geralmente é removido no consultório alguns meses depois.
O tratamento da dacriocistite aguda (a infecção do saco lacrimal) é feito com antibióticos sistêmicos (por via oral ou, em casos mais graves, na veia) e compressas mornas para ajudar na drenagem do abscesso.
Após a resolução completa da infecção e da inflamação, a cirurgia de DCR é programada para corrigir a obstrução de base e prevenir que a infecção ocorra novamente.
Não. A massagem de Crigler é indicada apenas para bebês com obstrução congênita, pois o objetivo é romper uma membrana muito fina.
Em adultos, a obstrução é causada por uma fibrose e um estreitamento do canal ósseo, uma estrutura rígida que não responde à massagem. Portanto, para adultos com obstrução completa, a massagem não tem nenhum efeito.
Para o lacrimejamento crônico, não há muito o que fazer em casa além de manter a área sempre limpa e seca para evitar a irritação da pele.
O mais importante é obter um diagnóstico correto. Para bebês, a massagem de Crigler, se orientada pelo médico, é a principal medida. Para adultos com dacriocistite crônica, a limpeza da secreção é importante, mas a solução definitiva dependerá do tratamento indicado pelo especialista.
A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, causando vermelhidão e secreção. Pode ser viral, bacteriana ou alérgica, com tratamentos específicos para cada tipo.
O terçol é uma infecção bacteriana aguda na pálpebra, que causa um nódulo vermelho e dolorido. Geralmente melhora com compressas mornas e boa higiene.
O astigmatismo é um erro de foco causado pela curvatura irregular do olho, que torna a visão distorcida. Pode ser corrigido com óculos, lentes ou cirurgia.
A oftalmologia cirúrgica utiliza microcirurgia e alta tecnologia para tratar doenças como catarata e glaucoma, oferecendo procedimentos seguros e de rápida recuperação.
O glaucoma é uma doença crônica e silenciosa que danifica o nervo óptico. O diagnóstico precoce e o tratamento contínuo são cruciais para preservar a visão.
O ceratocone é uma doença que deforma a córnea, afinando-a e causando astigmatismo. O tratamento visa parar a progressão e melhorar a visão.