O que saber sobre a úvea e suas doenças
A úvea pode apresentar sinais de doenças sistêmicas. Descubra como o exame da úvea pode ajudar no diagnóstico e no cuidado da sua saúde geral.
Com base nas perguntas mais comuns dos pacientes, esta seção foi criada para explicar, de forma clara, o que é a úvea, as causas, os sintomas e os tratamentos para a uveíte.
A uveíte é a inflamação da úvea, e suas causas são muito variadas. Em quase metade dos casos, não se consegue identificar uma causa específica, e ela é classificada como idiopática.
Nos outros casos, as causas podem ser divididas em dois grandes grupos: as infecciosas, causadas por agentes como o parasita da toxoplasmose, o vírus do herpes ou a bactéria da sífilis; e as não infecciosas, que geralmente estão ligadas a doenças autoimunes ou reumatológicas, nas quais o sistema imunológico do próprio corpo ataca os tecidos oculares.
Sim, e essa é uma associação muito importante. A uveíte pode ser a primeira manifestação de diversas doenças reumatológicas, como a espondilite anquilosante (especialmente a uveíte anterior aguda em homens jovens), a artrite idiopática juvenil, a sarcoidose, a doença de Behçet e o lúpus.
Por isso, a investigação de uma uveíte, principalmente se for recorrente, bilateral ou em crianças, sempre inclui exames de sangue para pesquisar essas condições. O tratamento é feito em conjunto com o médico reumatologista.
Sim, a toxoplasmose ocular é a causa mais comum de uveíte posterior (inflamação no fundo do olho) no Brasil. A infecção é causada por um parasita, o Toxoplasma gondii.
A pessoa geralmente adquire a infecção na infância, e o parasita pode ficar “adormecido” em uma cicatriz na retina. Anos mais tarde, por uma queda na imunidade, o cisto pode se romper, liberando os parasitas e causando uma nova lesão inflamatória na retina e na coroide. O tratamento é feito com antibióticos específicos.
O estresse não é uma causa direta de uveíte. No entanto, em pacientes que já têm uma doença autoimune de base que causa a uveíte, o estresse físico ou emocional pode ser um gatilho para o surgimento de uma nova crise inflamatória.
O estresse pode desregular o sistema imunológico, favorecendo a reativação da doença. Portanto, embora não seja a causa primária, gerenciar o estresse pode ser um fator coadjuvante no controle de uveítes crônicas.
Sim. Um trauma contuso no olho, como uma pancada, pode causar uma inflamação intraocular aguda, chamada de uveíte traumática. A lesão nos tecidos da íris e do corpo ciliar desencadeia uma resposta inflamatória, com dor, olho vermelho e sensibilidade à luz, que pode se manifestar horas ou dias após o acidente.
A uveíte traumática geralmente responde bem ao tratamento com colírios anti-inflamatórios e midriáticos, mas a avaliação é fundamental para descartar outras lesões mais graves.
Sim. Diversos vírus podem causar uveíte. O grupo do herpes (herpes simples, varicela-zoster) é uma causa importante de uveíte anterior, que pode ser acompanhada de aumento da pressão ocular e alterações na íris.
O citomegalovírus (CMV) é uma causa de retinite grave, principalmente em pacientes com o sistema imunológico muito comprometido, como em pacientes com AIDS. Outros vírus também podem, mais raramente, estar associados à inflamação.
Sim. A tuberculose é uma causa infecciosa importante de uveíte, especialmente a posterior ou a panuveíte (inflamação de toda a úvea), em países onde a doença é endêmica, como no Brasil.
A bactéria pode se disseminar pelo sangue e se alojar no olho, causando lesões inflamatórias na coroide, chamadas de tuberculomas. A investigação para tuberculose, com exames como o PPD e a radiografia de tórax, faz parte do protocolo de investigação de uveítes sem causa definida.
A uveíte pode afetar pessoas de todas as idades, desde crianças até idosos. No entanto, ela é mais frequentemente diagnosticada em adultos jovens e de meia-idade, na faixa etária entre os 20 e os 60 anos.
A uveíte em crianças, embora mais rara, é particularmente preocupante, pois pode ser assintomática no início (especialmente a associada à artrite idiopática juvenil) e levar a complicações graves, como a ambliopia e a catarata.
Toda cirurgia intraocular, incluindo a de catarata, causa um certo grau de inflamação no pós-operatório, o que é uma resposta normal do olho. Essa inflamação é controlada com o uso de colírios anti-inflamatórios.
Em pacientes que já têm uma história de uveíte, o risco de a inflamação reativar após a cirurgia é maior. Por isso, nesses casos, a cirurgia deve ser planejada para um momento em que a doença esteja completamente inativa, e um tratamento anti-inflamatório mais potente pode ser necessário no perioperatório.
Os sintomas dependem da parte da úvea que está inflamada. Na uveíte anterior, os sintomas clássicos são a dor ocular, o olho vermelho (principalmente ao redor da córnea) e a sensibilidade intensa à luz (fotofobia).
Na uveíte posterior, os sintomas são mais visuais: o aparecimento de moscas volantes (pontos flutuantes) e a visão embaçada ou com uma mancha. Em alguns casos, todos os sintomas podem estar presentes. É importante notar que a uveíte não costuma causar coceira ou secreção purulenta.
Sim, a dor é um sintoma muito comum e importante da uveíte anterior (irite). Geralmente é uma dor ocular profunda, que pode ser constante ou latejante e que pode irradiar para a testa ou para a cabeça.
A dor costuma piorar ao tentar focar para perto e em ambientes claros, devido à fotofobia. Nas uveítes posteriores, a dor é muito menos comum; a queixa principal é a baixa de visão.
A vermelhidão na uveíte anterior é característica. É chamada de hiperemia ciliar, pois a vermelhidão é mais intensa em um anel ao redor da córnea, diferentemente da vermelhidão mais difusa da conjuntivite.
Na uveíte posterior, o olho pode ter uma aparência completamente normal por fora, sem nenhuma vermelhidão, mesmo com uma inflamação intensa no fundo do olho.
Sim, o embaçamento visual é um sintoma muito frequente em todos os tipos de uveíte. Na uveíte anterior, o embaçamento ocorre porque as células inflamatórias que flutuam na parte da frente do olho turvam os meios.
Na uveíte intermediária e posterior, o embaçamento é causado pela inflamação do gel vítreo e pelo inchaço da mácula (edema macular). A perda de visão pode variar de leve a muito severa, dependendo da gravidade da inflamação.
O aparecimento de moscas volantes, especialmente de início súbito e em grande quantidade, é um sintoma típico das uveítes intermediárias e posteriores.
Nesse caso, os pontos flutuantes que a pessoa enxerga não são condensações do vítreo, mas sim as próprias células inflamatórias que “vazaram” dos vasos sanguíneos e estão em suspensão no gel vítreo. Uma inflamação intensa do vítreo (vitrite) pode causar um embaçamento visual significativo.
Sim, a fotofobia, ou sensibilidade dolorosa à luz, é um dos sintomas mais característicos e incômodos da uveíte anterior.
A inflamação da íris e do corpo ciliar causa um espasmo da musculatura interna do olho, que se torna muito sensível ao estímulo da luz. O paciente sente a necessidade de usar óculos escuros mesmo em ambientes internos e tem grande dificuldade em ficar em locais claros.
Essa é uma distinção muito importante. A conjuntivite causa olho vermelho, mas geralmente com secreção (“remela”) e coceira, e não costuma causar dor forte ou perda de visão.
A uveíte causa olho vermelho, mas com dor, sensibilidade à luz e baixa de visão, e geralmente não tem secreção ou coceira. Enquanto a conjuntivite é uma inflamação externa, a uveíte é uma inflamação interna e muito mais grave. Na dúvida, a avaliação do oftalmologista é fundamental.
Sim, a uveíte pode ser unilateral, afetando um olho só, ou bilateral, afetando os dois, seja ao mesmo tempo ou de forma alternada.
A bilateralidade ou a recorrência em olhos diferentes são pistas que sugerem uma maior probabilidade de a uveíte estar associada a uma doença sistêmica, o que reforça a necessidade de uma investigação clínica e reumatológica completa.
Sim, e essa é uma situação particularmente perigosa. Alguns tipos de uveíte, especialmente a uveíte anterior crônica associada à artrite idiopática juvenil em crianças, podem ser “silenciosos”, ou seja, causar uma inflamação persistente dentro do olho sem gerar dor ou vermelhidão.
A criança não se queixa de nada, e a doença só é descoberta tardiamente, quando já causou complicações como a catarata ou o glaucoma. Isso reforça a importância do rastreamento oftalmológico em crianças com doenças reumatológicas.
Sim, a uveíte é considerada uma doença ocular grave. Se não for diagnosticada e tratada de forma adequada e rápida, a inflamação intraocular pode levar a complicações sérias e permanentes, como o glaucoma secundário, a catarata, o edema de mácula, as cicatrizes na retina e, em última instância, a uma baixa de visão irreversível.
É uma das principais causas de cegueira evitável em pessoas jovens e de meia-idade no mundo.
Depende da causa. Se a uveíte for causada por uma infecção, o tratamento do agente infeccioso pode levar à cura completa do quadro. No entanto, se a uveíte estiver associada a uma doença autoimune sistêmica, que é uma condição crônica, a uveíte também tende a ser crônica e recorrente.
Nesses casos, a doença não tem uma “cura” definitiva, mas tem controle. O objetivo do tratamento é manter a inflamação inativa pelo maior tempo possível, prevenindo novas crises.
Não. A uveíte em si, a inflamação, não é contagiosa. No entanto, se a causa da uveíte for uma doença infecciosa que é transmissível, como a sífilis ou a tuberculose, a doença de base pode ser transmitida de uma pessoa para outra, mas não a inflamação ocular diretamente.
A maioria das causas de uveíte, como as doenças autoimunes e a toxoplasmose, não são transmitidas de pessoa para pessoa.
O exame de fundo de olho com a pupila dilatada é fundamental. Ele permite ao médico avaliar a presença de inflamação na parte de trás do olho.
O profissional consegue ver se há células inflamatórias no gel vítreo (vitrite), se há lesões inflamatórias na retina (retinite) ou na coroide (coroidite), se há inflamação nos vasos sanguíneos da retina (vasculite) ou se há inchaço na cabeça do nervo óptico. Esses achados são o que permitem classificar a uveíte como posterior.
A Tomografia de Coerência Óptica (OCT) é um exame muito importante no acompanhamento da uveíte.
Sua principal utilidade é detectar e quantificar o edema macular, que é o inchaço da área central da retina e uma das principais causas de baixa de visão na uveíte. O OCT permite monitorar a resposta do edema ao tratamento de forma muito precisa. Ele também pode avaliar a presença de inflamação no vítreo e outras alterações estruturais da retina.
A uveíte é tratada pelo médico oftalmologista, de preferência um profissional com experiência ou subespecializado na área de uveítes, devido à complexidade da investigação e do tratamento.
Como a uveíte está frequentemente associada a doenças sistêmicas, o tratamento é quase sempre multidisciplinar, envolvendo uma colaboração muito próxima com outros especialistas, principalmente o reumatologista, mas também o infectologista, o pneumologista ou o oncologista, dependendo da causa de base.
Sim, a uveíte pode ocorrer em qualquer idade, inclusive em crianças. A uveíte na infância é particularmente preocupante, pois pode ser assintomática no início e interferir no desenvolvimento visual, causando ambliopia.
A principal causa de uveíte em crianças é a artrite idiopática juvenil (AIJ). Toda criança com diagnóstico de AIJ precisa de um acompanhamento oftalmológico regular e preventivo para o rastreamento da uveíte, mesmo que não tenha nenhuma queixa.
Sim, a recorrência é uma característica comum de muitos tipos de uveíte, especialmente aquelas de causa autoimune.
O paciente pode ter períodos de atividade inflamatória (as crises), intercalados com períodos de remissão, nos quais a doença está inativa. O objetivo do tratamento crônico, em muitos casos, é justamente diminuir a frequência e a intensidade dessas crises, para minimizar o dano acumulado ao olho ao longo do tempo.
Os precipitados ceráticos são um sinal clínico clássico da uveíte anterior. São pequenos aglomerados de células inflamatórias que se depositam na superfície interna da córnea. O médico consegue visualizá-los durante o exame na lâmpada de fenda.
A quantidade, o tamanho e a aparência desses precipitados (finos, granulomatosos) podem dar ao médico pistas sobre a gravidade e a possível causa da uveíte. A diminuição dos precipitados é um sinal de que o tratamento está funcionando.
A panuveíte é a forma mais extensa de uveíte, na qual a inflamação afeta todas as partes do trato uveal: a câmara anterior (íris e corpo ciliar), o vítreo e a câmara posterior (coroide e retina).
Geralmente, é uma forma mais grave da doença, que pode ser causada por doenças sistêmicas importantes, como a sarcoidose, a doença de Behçet ou a síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada. A panuveíte tem um risco maior de complicações e frequentemente exige um tratamento sistêmico mais agressivo.
O tratamento da uveíte tem dois objetivos: controlar a inflamação e tratar a causa de base. O pilar do tratamento anti-inflamatório é o uso de corticoides, que podem ser administrados em colírios (para uveíte anterior), injeções perioculares ou intraoculares, ou por via oral ou intravenosa (para casos mais graves ou posteriores).
Colírios para dilatar a pupila (cicloplégicos) também são usados para aliviar a dor e prevenir complicações. Se a causa for uma infecção, medicamentos específicos (antibióticos, antivirais) são essenciais.
Não. Os colírios são o tratamento de escolha para a uveíte anterior, pois a inflamação está na parte da frente do olho e a medicação consegue chegar lá. No entanto, para as uveítes intermediárias, posteriores ou panuveítes, os colírios não são eficazes, pois não conseguem penetrar até o fundo do olho em concentração suficiente.
Nesses casos, o tratamento precisa ser sistêmico, com medicamentos por via oral, ou local, com injeções de medicamentos dentro ou ao redor do olho.
Para pacientes com uveíte crônica, recorrente ou grave, que não pode ser controlada apenas com corticoides ou que precisa de doses muito altas, os medicamentos imunossupressores são indicados. São medicamentos que modulam a resposta do sistema imunológico para diminuir a inflamação.
Eles são frequentemente usados em conjunto com o reumatologista. Mais recentemente, os agentes biológicos, que são uma forma mais moderna de imunossupressão, também se tornaram uma ferramenta muito importante no tratamento de uveítes graves.
A cirurgia não trata a inflamação da uveíte em si, mas pode ser necessária para tratar as suas complicações. A cirurgia de catarata é frequentemente necessária, pois a inflamação crônica e o uso de corticoides aceleram sua formação.
A cirurgia de glaucoma (trabeculectomia ou implante de drenagem) pode ser indicada se a pressão do olho não for controlada com os colírios. A vitrectomia pode ser necessária para remover um vítreo muito opaco pela inflamação ou para tratar um descolamento de retina.
Sim. As injeções intraoculares ou perioculares de corticoides são uma forma muito eficaz de administrar uma dose alta de anti-inflamatório diretamente no local da inflamação, com menos efeitos colaterais para o resto do corpo.
Elas são muito utilizadas para tratar o edema macular, que é uma complicação comum da uveíte. Mais recentemente, os implantes de liberação lenta de corticoides, que são injetados dentro do olho e liberam a medicação por meses, também se tornaram uma opção.
Sim. Como a toxoplasmose é uma infecção, o tratamento, além de controlar a inflamação com corticoides, exige o uso de medicamentos específicos para combater o parasita Toxoplasma gondii.
O esquema clássico de tratamento envolve o uso de uma combinação de antibióticos (geralmente sulfadiazina e pirimetamina) por várias semanas. O tratamento visa limitar o tamanho da lesão, diminuir a inflamação e reduzir o risco de a infecção reativar no futuro.
A duração do tratamento depende da causa e da gravidade. Uma uveíte anterior aguda e isolada pode ser tratada com colírios por algumas semanas e não voltar mais.
No entanto, uma uveíte crônica, associada a uma doença autoimune, pode exigir um tratamento contínuo por muitos anos, com o objetivo de manter a doença em remissão e prevenir novas crises. O acompanhamento a longo prazo é fundamental nesses casos.
Se a causa for uma infecção tratável, sim, a uveíte pode ser curada. Se a causa for uma doença autoimune crônica, a uveíte também se torna uma condição crônica que não tem cura, mas tem controle.
Com os tratamentos modernos, o objetivo é induzir e manter um estado de remissão, ou seja, de ausência de inflamação, permitindo que o paciente tenha uma boa visão e qualidade de vida, com o mínimo de medicação necessária para manter a doença “adormecida”.
Na uveíte anterior, o uso de colírios cicloplégicos/midriáticos, que dilatam a pupila, é uma parte muito importante do tratamento. Eles têm duas funções principais. A primeira é aliviar a dor, pois eles paralisam o músculo ciliar, cujo espasmo é uma das principais causas da dor.
A segunda é prevenir a formação de sinéquias, que são aderências da íris ao cristalino. Ao manter a pupila dilatada e em movimento, o colírio evita que essas aderências se formem.
A uveíte não tratada pode levar a complicações muito graves e à perda permanente da visão. A inflamação crônica pode causar um glaucoma secundário de difícil controle, que danifica o nervo óptico.
Pode levar à formação de uma catarata densa. Pode causar um edema macular crônico, que danifica as células da visão central. Pode levar à formação de cicatrizes e membranas na retina e no vítreo. Em resumo, não tratar a uveíte é correr um risco muito alto de cegueira.
A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, causando vermelhidão e secreção. Pode ser viral, bacteriana ou alérgica, com tratamentos específicos para cada tipo.
O terçol é uma infecção bacteriana aguda na pálpebra, que causa um nódulo vermelho e dolorido. Geralmente melhora com compressas mornas e boa higiene.
O astigmatismo é um erro de foco causado pela curvatura irregular do olho, que torna a visão distorcida. Pode ser corrigido com óculos, lentes ou cirurgia.
A oftalmologia cirúrgica utiliza microcirurgia e alta tecnologia para tratar doenças como catarata e glaucoma, oferecendo procedimentos seguros e de rápida recuperação.
O glaucoma é uma doença crônica e silenciosa que danifica o nervo óptico. O diagnóstico precoce e o tratamento contínuo são cruciais para preservar a visão.
O ceratocone é uma doença que deforma a córnea, afinando-a e causando astigmatismo. O tratamento visa parar a progressão e melhorar a visão.