Prevenção e tratamento da retinopatia diabética
A retinopatia diabética tem controle. Veja como laser e injeções intraoculares podem controlar as complicações da retinopatia diabética.
Com base nas perguntas mais comuns dos pacientes, esta seção foi criada para explicar, de forma clara, o que é a retinopatia diabética, seus sintomas, fatores de risco e tratamentos.
A retinopatia diabética é uma complicação vascular do diabetes. A causa principal é o nível elevado de açúcar no sangue (hiperglicemia) de forma crônica. O excesso de glicose, ao longo dos anos, danifica as paredes dos pequenos vasos sanguíneos de todo o corpo, e os vasos da retina são particularmente sensíveis.
Esse dano torna os vasos mais fracos e permeáveis, levando ao vazamento de fluido e sangue para dentro da retina. Além da hiperglicemia, a pressão alta e o colesterol elevado também contribuem para o dano vascular.
Não necessariamente, mas o risco é muito alto. O tempo de duração do diabetes é o principal fator: quanto mais anos a pessoa tem a doença, maior a probabilidade de desenvolver algum grau de retinopatia.
Estima-se que, após 20 anos de diabetes, quase todos os pacientes com tipo 1 e mais de 60% dos pacientes com tipo 2 terão algum sinal da doença. O fator mais importante para prevenir ou retardar o seu aparecimento e a sua progressão é o bom controle da glicemia e da pressão arterial.
Sim, com certeza. A hipertensão arterial é um fator de risco independente e muito importante para a progressão da retinopatia diabética.
A pressão alta também danifica os pequenos vasos sanguíneos, e quando ela está associada ao diabetes, o dano na retina é potencializado. O controle rigoroso da pressão arterial, em conjunto com o cardiologista ou o clínico, é uma parte fundamental do tratamento para proteger os olhos e também os rins e o coração.
Sim. Ambos os tipos de diabetes podem causar a retinopatia diabética, e as lesões na retina são as mesmas. A principal diferença está no tempo de início. Em pacientes com diabetes tipo 1, a retinopatia raramente aparece antes de 5 anos de doença.
Já em pacientes com diabetes tipo 2, como o diagnóstico do diabetes em si pode ser tardio, não é incomum que a pessoa já tenha algum grau de retinopatia no momento em que descobre que é diabética. Por isso, a primeira avaliação oftalmológica deve ser feita logo após o diagnóstico do tipo 2.
Sim, a dislipidemia (colesterol e triglicerídeos altos) também contribui para o dano vascular. O acúmulo de gordura no sangue pode levar à formação de exsudatos duros, que são depósitos de lipídios que vazam dos vasos doentes para a retina.
A presença de muitos exsudatos, especialmente na mácula, está associada a um pior prognóstico visual. O controle dos níveis de gordura no sangue, com dieta e, se necessário, com medicamentos, faz parte do cuidado integral do paciente.
Sim. A gravidez pode acelerar a progressão da retinopatia diabética, especialmente se a mulher já tinha algum grau da doença antes de engravidar ou se o controle do diabetes não for rigoroso durante a gestação.
Por isso, toda mulher diabética que planeja engravidar deve passar por uma avaliação oftalmológica antes. Durante a gravidez, o acompanhamento do fundo de olho deve ser mais frequente, a cada trimestre, para detectar e, se necessário, tratar qualquer sinal de piora.
A retinopatia em si não é hereditária, mas a predisposição para o diabetes, tanto o tipo 1 quanto o tipo 2, tem um forte componente genético.
Portanto, se você tem um histórico familiar de diabetes, tem um risco maior de desenvolver a doença e, consequentemente, suas complicações, como a retinopatia. O que se herda é o risco para o diabetes, não para a retinopatia diretamente.
O edema macular diabético (EMD) ocorre quando os capilares danificados da retina, especialmente na região da mácula, se tornam excessivamente permeáveis e vazam fluido para o tecido retiniano. É como uma mangueira cheia de pequenos furos. Esse acúmulo de líquido faz com que a mácula, a área da visão central, inche.
A inflamação crônica associada ao diabetes também desempenha um papel importante nesse processo de vazamento. O EMD é a principal causa de baixa de visão em pacientes com retinopatia diabética.
O crescimento de novos vasos anormais (neovascularização), que caracteriza a retinopatia proliferativa, é uma resposta da retina à falta de oxigênio (isquemia). Quando a oclusão dos capilares se torna muito extensa, grandes áreas da retina deixam de receber sangue e oxigênio.
Em resposta, a retina isquêmica libera uma substância de “socorro”, o fator de crescimento vascular endotelial (VEGF), que estimula a formação de novos vasos. O problema é que esses vasos são defeituosos e causam mais mal do que bem.
A cirurgia de catarata em um paciente diabético exige um cuidado especial. A inflamação natural que ocorre após a cirurgia pode, em alguns casos, piorar um edema macular diabético preexistente.
Por isso, é fundamental que a retinopatia esteja o mais estável e controlada possível antes de se indicar a cirurgia de catarata. O oftalmologista pode indicar um tratamento com injeções ou laser antes da cirurgia para “preparar” a retina e minimizar o risco de complicações.
O grande perigo da retinopatia diabética é que, em suas fases iniciais e até em fases moderadamente avançadas, ela é completamente assintomática. A visão pode ser perfeitamente normal, e o paciente não sente absolutamente nada.
Os sintomas só aparecem quando a doença já atingiu um estágio mais grave. Os mais comuns são a visão embaçada ou borrada (geralmente causada pelo edema macular) ou o aparecimento de manchas e moscas volantes, que podem ser um sinal de sangramento.
Não. A retinopatia diabética é uma doença indolor. Todo o processo de dano aos vasos, vazamento e crescimento de neovasos ocorre sem causar nenhuma dor no olho.
A única situação em que a retinopatia pode levar à dor é em sua complicação mais tardia e grave, o glaucoma neovascular, no qual a pressão do olho sobe para níveis muito altos e causa uma dor intensa. A ausência de dor nos estágios iniciais contribui para o diagnóstico tardio em pacientes que não fazem o acompanhamento regular.
Sim, o embaçamento da visão central é o principal sintoma do edema macular diabético. O inchaço da mácula impede que ela funcione corretamente, e a pessoa começa a notar uma dificuldade para ler e para ver detalhes finos.
O embaçamento pode ser flutuante no início, piorando em alguns momentos do dia. Se a retinopatia for proliferativa e ocorrer um sangramento (hemorragia vítrea), o embaçamento pode ser súbito e severo.
O aparecimento súbito de manchas escuras, pontos ou “teias de aranha” que flutuam na visão, em um paciente com diabetes, é um sinal de alerta para uma hemorragia vítrea.
Isso ocorre quando um dos vasos anormais da retinopatia proliferativa se rompe e sangra para dentro do gel vítreo. Os pontos que a pessoa enxerga são, na verdade, as células do sangue flutuando no olho. Esse sintoma sempre requer uma avaliação oftalmológica de urgência.
Sim. O edema macular, ao causar o inchaço e a desorganização da retina, também pode causar a percepção de que as linhas retas parecem tortas ou onduladas (metamorfopsia).
É o mesmo sintoma que ocorre em outras doenças da mácula. A distorção da visão central é um sinal claro de que a mácula está afetada pelo vazamento dos vasos sanguíneos e que o tratamento pode ser necessário.
Pode ser ambos. A perda de visão causada pelo edema macular diabético geralmente é gradual, com um embaçamento que vai piorando lentamente ao longo de semanas ou meses.
Já a perda de visão causada por uma complicação da forma proliferativa, como uma hemorragia vítrea ou um descolamento de retina tracional, costuma ser súbita e dramática. Em ambos os casos, a procura pelo especialista em retina deve ser rápida.
Sim. Em estágios mais avançados da retinopatia, quando há uma isquemia significativa da retina periférica, a visão noturna e a capacidade de adaptação ao escuro podem ser afetadas, pois as células da periferia da retina (os bastonetes) são as mais atingidas pela falta de oxigênio. No entanto, esse não costuma ser um sintoma inicial da doença.
Sim. O edema macular, ao afetar as células do centro da retina (os cones), que são as responsáveis pela visão de cores, pode levar a uma alteração na sua percepção.
As cores podem parecer mais “desbotadas” ou menos vivas. Essa alteração na qualidade da visão é um dos sintomas que podem indicar que a mácula está inchada e precisa de tratamento.
O diabetes é uma doença sistêmica, portanto, a retinopatia diabética é quase sempre uma doença bilateral, que afeta os dois olhos.
No entanto, é muito comum que a doença seja assimétrica, ou seja, um olho pode estar em um estágio muito mais avançado do que o outro. É por isso que o tratamento pode ser diferente para cada olho, e o acompanhamento deve sempre incluir a avaliação cuidadosa de ambos.
Sim, e esse é um dos grandes perigos da doença. É perfeitamente possível ter uma retinopatia diabética proliferativa, com a presença de vasos anormais com alto risco de sangramento, e ainda manter uma visão de 20/20, se a mácula não estiver inchada.
A pessoa se sente bem e não percebe que está à beira de uma complicação grave que pode levar à perda súbita da visão. Isso reforça, mais uma vez, a importância do exame de fundo de olho preventivo, mesmo para quem não tem nenhuma queixa.
A retinopatia diabética é uma complicação crônica do diabetes e não tem uma “cura” definitiva. As alterações nos vasos sanguíneos, uma vez que ocorrem, são permanentes.
No entanto, a doença tem controle. O tratamento com laser ou com injeções pode tratar as complicações, como o edema macular e a neovascularização, fazendo com que a doença regrida para um estágio mais leve e estável. O mais importante é que a prevenção, com o controle do diabetes, pode evitar que a doença apareça ou progrida.
Sim. Se não for diagnosticada e tratada a tempo, a retinopatia diabética é uma das principais causas de cegueira irreversível em pessoas em idade de trabalho. A perda de visão pode ocorrer pelo edema macular crônico, pela hemorragia vítrea ou pelo descolamento de retina tracional.
A boa notícia é que, com os tratamentos modernos e, principalmente, com o rastreamento anual, a cegueira pelo diabetes pode ser prevenida em mais de 90% dos casos.
O diagnóstico é feito através do exame de mapeamento de retina, ou oftalmoscopia, com a pupila dilatada. Esse exame permite ao oftalmologista visualizar diretamente a retina e procurar pelos sinais da doença, como microaneurismas, hemorragias, exsudatos e, em casos mais avançados, os neovasos.
Exames complementares como a retinografia (fotos do fundo do olho), o OCT (para avaliar a mácula) e a angiografia fluoresceínica (para avaliar a circulação) são fundamentais para o estadiamento e o planejamento do tratamento.
A retinopatia diabética não proliferativa é classificada em estágios de gravidade (leve, moderada, grave) com base no número e na extensão das lesões retinianas, como microaneurismas, hemorragias intrarretinianas, exsudatos e anomalias microvasculares intrarretinianas (IRMA), encontradas no fundo do olho.
Essa classificação ajuda o médico a determinar o risco de progressão para a forma proliferativa, a mais grave, e a definir a frequência do acompanhamento. Quanto mais grave a retinopatia, mais frequentes devem ser as consultas.
A diferença fundamental é a presença ou não de neovascularização (crescimento de vasos anormais). Na forma não proliferativa, o dano se restringe aos vasos originais da retina, que se tornam permeáveis e causam vazamentos.
Na forma proliferativa, a doença atinge um estágio de isquemia (falta de oxigênio) tão severo que a retina começa a criar novos vasos sanguíneos para tentar se revascularizar. A forma proliferativa é a que tem o maior risco de complicações que levam à cegueira.
Sim, sem exceção. A recomendação de todas as sociedades médicas é que: pacientes com diabetes tipo 1 devem fazer o primeiro exame de fundo de olho cinco anos após o diagnóstico; pacientes com diabetes tipo 2 devem fazer o primeiro exame logo no momento do diagnóstico.
Após a primeira avaliação, se não houver retinopatia, o exame deve ser repetido anualmente. Se já houver algum grau de retinopatia, a frequência do acompanhamento será menor, a critério do especialista em retina.
O tratamento da retinopatia diabética é realizado pelo médico oftalmologista, de preferência um especialista em retina. O retinólogo é o profissional com o treinamento específico para diagnosticar os diferentes estágios da doença e para realizar os procedimentos de tratamento, como a fotocoagulação a laser e as injeções intravítreas.
O tratamento, no entanto, é sempre multidisciplinar, e a parceria com o médico endocrinologista, para o controle rigoroso do diabetes, é a parte mais importante de todo o processo.
A isquemia macular é uma forma grave de retinopatia na qual os pequenos capilares que nutrem a mácula, a área central da visão, se fecham. É uma falta de circulação no centro da retina.
Diferente do edema macular, que é um inchaço tratável, a isquemia leva à morte das células fotorreceptoras por falta de oxigênio. A perda de visão causada pela isquemia macular é, infelizmente, irreversível, e não há tratamento para ela. É mais uma razão pela qual a prevenção é tão importante.
Em muitos casos, sim. A visão que foi perdida devido ao edema macular diabético pode ser significativamente recuperada com o tratamento com as injeções intraoculares.
A visão que foi perdida por uma hemorragia vítrea também pode ser recuperada, seja com a absorção do sangue ou com a cirurgia de vitrectomia. No entanto, a visão que foi perdida por um dano isquêmico à mácula ou por um descolamento de retina tracional de longa data geralmente é permanente.
Um controle intensivo e rigoroso da glicemia e da pressão arterial é a medida mais eficaz para retardar a progressão da retinopatia diabética. Em alguns casos, especialmente em estágios iniciais da doença, um bom controle pode até levar a uma certa regressão das lesões.
No entanto, é importante saber que, em casos de retinopatia já estabelecida, uma melhora muito rápida e abrupta da glicemia pode, paradoxalmente, causar uma piora temporária da retinopatia. Por isso, o acompanhamento oftalmológico durante esse processo é fundamental.
O tratamento depende do estágio da doença e da presença de complicações. A base de tudo é o controle rigoroso do diabetes, da pressão arterial e do colesterol. Para o edema macular diabético, que é a principal causa de baixa visão, o tratamento de escolha são as injeções intraoculares de antiangiogênicos ou de corticoides.
Para a retinopatia proliferativa, o tratamento padrão é a fotocoagulação a laser (panfotocoagulação). Para as complicações mais graves, como a hemorragia vítrea persistente ou o descolamento de retina, a cirurgia de vitrectomia é indicada.
As injeções intravítreas de medicamentos antiangiogênicos (anti-VEGF) são o tratamento mais moderno e eficaz para o edema macular diabético e para a retinopatia proliferativa.
Esses medicamentos bloqueiam a ação de uma substância (o VEGF) que causa o vazamento dos vasos e o crescimento dos neovasos. Ao serem injetados dentro do olho, eles “secam” a mácula, diminuem o inchaço e ajudam a regredir os vasos anormais, o que leva a uma melhora da visão na maioria dos pacientes.
Sim. O efeito do medicamento dentro do olho é temporário, durando cerca de um a dois meses. Por isso, o tratamento geralmente começa com uma série de aplicações mensais para controlar a doença.
Depois, o intervalo entre as injeções pode ser aumentado, e o tratamento passa a ser individualizado, com novas aplicações sendo feitas conforme a necessidade, com base na resposta da visão e do OCT. É um tratamento crônico, que pode ser necessário por um longo período para manter o edema controlado.
A fotocoagulação a laser é um tratamento fundamental, principalmente para a retinopatia proliferativa. O procedimento, chamado de panfotocoagulação, consiste em aplicar o laser em toda a periferia da retina.
Isso “desativa” a retina doente que está sem oxigênio, diminuindo a produção do estímulo para o crescimento dos neovasos. Isso faz com que os vasos anormais regridam, prevenindo as complicações de sangramento e o glaucoma neovascular. O laser também pode ser usado para tratar o edema macular em casos específicos.
O procedimento de panfotocoagulação a laser pode causar algum desconforto. Geralmente é realizado em algumas sessões, com o uso de colírios anestésicos e uma lente especial que fica em contato com o olho.
O paciente pode sentir algumas “picadas” a cada disparo do laser. O desconforto é suportável para a maioria, mas, se necessário, uma anestesia com bloqueio pode ser feita para tornar o procedimento mais confortável.
A vitrectomia é a cirurgia de retina indicada para as complicações mais graves da retinopatia diabética. A principal indicação é a hemorragia vítrea, quando o sangue que vazou para o meio do olho não é absorvido em semanas a meses, mantendo a visão muito baixa. Outra indicação importante é o descolamento de retina tracional, no qual a cirurgia é necessária para remover o tecido cicatricial que está puxando e descolando a retina.
Em muitos casos, sim. A visão que foi perdida pelo edema macular diabético tem uma alta chance de ser recuperada, parcial ou totalmente, com o tratamento com as injeções.
A visão perdida por uma hemorragia vítrea também é recuperada após a cirurgia de vitrectomia. No entanto, a visão que foi perdida por um dano permanente à mácula (isquemia) ou por um descolamento de retina de longa data é, infelizmente, irreversível. Por isso, o tratamento precoce é tão importante.
Sim, sem dúvida. Nenhum tratamento oftalmológico para a retinopatia diabética terá sucesso a longo prazo se o diabetes não estiver bem controlado.
O controle rigoroso da glicemia (mantendo a hemoglobina glicada em níveis ideais) e da pressão arterial é a base de tudo. É o que previne o aparecimento da retinopatia e o que retarda a sua progressão. O tratamento oftalmológico trata as complicações, mas o controle da doença de base é o que impede que novas complicações surjam.
A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, causando vermelhidão e secreção. Pode ser viral, bacteriana ou alérgica, com tratamentos específicos para cada tipo.
O terçol é uma infecção bacteriana aguda na pálpebra, que causa um nódulo vermelho e dolorido. Geralmente melhora com compressas mornas e boa higiene.
O astigmatismo é um erro de foco causado pela curvatura irregular do olho, que torna a visão distorcida. Pode ser corrigido com óculos, lentes ou cirurgia.
A oftalmologia cirúrgica utiliza microcirurgia e alta tecnologia para tratar doenças como catarata e glaucoma, oferecendo procedimentos seguros e de rápida recuperação.
O glaucoma é uma doença crônica e silenciosa que danifica o nervo óptico. O diagnóstico precoce e o tratamento contínuo são cruciais para preservar a visão.
O ceratocone é uma doença que deforma a córnea, afinando-a e causando astigmatismo. O tratamento visa parar a progressão e melhorar a visão.