Pterígio: a saúde dos seus olhos em foco
O pterígio, ou “carne no olho”, está ligado à exposição solar. Saiba como a prevenção e o tratamento cirúrgico do pterígio podem proteger sua visão.
Com base nas perguntas mais comuns dos pacientes, esta seção foi criada para explicar, de forma clara, as causas, os sintomas e os modernos tratamentos para o pterígio.
A causa principal para o desenvolvimento do pterígio é a exposição crônica e prolongada à radiação ultravioleta (UV) do sol. A radiação UV causa um dano cumulativo às células da conjuntiva, levando a um processo de degeneração e a um crescimento de tecido fibrovascular que avança sobre a córnea.
Fatores irritativos crônicos, como a exposição a vento, poeira e ambientes muito secos, também contribuem para o seu surgimento. Além disso, parece haver uma predisposição genética, já que a condição é mais comum em algumas famílias.
Sim, qualquer pessoa pode desenvolver pterígio, mas ele é muito mais comum em indivíduos que vivem em regiões de alta incidência solar (próximas à linha do Equador) e que passam muito tempo em atividades ao ar livre sem a proteção ocular adequada.
Profissões como agricultores, pescadores e trabalhadores da construção civil apresentam um risco maior. A idade também é um fator, sendo mais comum em adultos acima dos 30-40 anos, devido ao efeito cumulativo da exposição solar ao longo da vida.
Não. O pterígio não é uma infecção. É um processo degenerativo e proliferativo do tecido da conjuntiva. Não há nenhum vírus, bactéria ou outro micro-organismo envolvido na sua causa.
Portanto, o pterígio não é contagioso e não pode ser transmitido de uma pessoa para outra. É uma condição que se desenvolve como uma resposta do olho a agressões ambientais crônicas, principalmente a radiação solar.
A alergia ocular crônica não é uma causa direta do pterígio. No entanto, a inflamação persistente associada à alergia pode, teoricamente, ser um fator contribuinte para a irritação da superfície ocular, o que poderia favorecer o desenvolvimento da lesão em uma pessoa já predisposta.
Além disso, o ato de coçar os olhos com frequência, comum na alergia, também é uma forma de microtrauma crônico para a conjuntiva.
O olho seco e o pterígio são condições que frequentemente coexistem e que podem se influenciar mutuamente. Um olho cronicamente seco e mal lubrificado tem uma superfície mais vulnerável à irritação causada pelo sol e pelo vento, o que pode facilitar o surgimento do pterígio.
Por outro lado, a presença do pterígio, por ser uma lesão elevada, pode atrapalhar a distribuição uniforme da lágrima, piorando os sintomas do olho seco.
A pinguécula é uma lesão degenerativa muito semelhante ao pterígio e causada pelos mesmos fatores (exposição solar). É uma mancha ou elevação amarelada que se forma na conjuntiva, mas que não avança sobre a córnea. Pode-se considerar a pinguécula como uma lesão precursora.
Em alguns casos, uma pinguécula que sofre inflamações de repetição pode continuar a se desenvolver e, eventualmente, se transformar em um pterígio, começando a crescer sobre a córnea.
O pterígio não é causado por um único evento de trauma agudo, como uma pancada. Sua origem está em um processo de irritação crônica e de dano cumulativo ao longo de anos.
No entanto, a teoria do microtrauma crônico, causado pela exposição a vento e poeira, é um dos fatores que ajudam a explicar seu desenvolvimento, em conjunto com a ação da radiação ultravioleta.
Não, o pterígio é uma lesão completamente benigna. Não é e não tem o potencial de se transformar em câncer. Histologicamente, ele é um tecido fibrovascular com características degenerativas.
No entanto, em casos muito raros, uma lesão na superfície do olho com uma aparência atípica pode ser confundida com um pterígio, mas na verdade ser uma lesão pré-maligna ou maligna, como uma neoplasia escamosa. Por isso, toda lesão que cresce no olho deve ser avaliada por um oftalmologista.
A localização mais comum do pterígio é no setor nasal (o canto do olho próximo ao nariz). Acredita-se que isso ocorra devido a um fenômeno de reflexão da luz.
A luz solar que vem da lateral do rosto pode ser focada pela curvatura da córnea justamente na região da conjuntiva nasal, concentrando a radiação UV nessa área e aumentando o dano celular que leva ao desenvolvimento da lesão.
Nos estágios iniciais, o pterígio pode ser assintomático, sendo apenas uma questão estética. Conforme ele cresce ou inflama, os sintomas mais comuns são a sensação de corpo estranho (como se houvesse areia no olho), a ardência, a queimação e a vermelhidão ocular, que pioram com a exposição ao sol, vento ou ar-condicionado.
O lacrimejamento também é uma queixa frequente. Em casos mais avançados, pode causar visão embaçada devido ao astigmatismo induzido.
Sim. O pterígio pode afetar a visão de duas maneiras. Primeiro, e mais comumente, ao crescer sobre a córnea, ele a “repuxa”, alterando sua curvatura e causando astigmatismo, o que leva a uma visão distorcida e embaçada.
Segundo, se o pterígio não for tratado e continuar a crescer, ele pode avançar até cobrir o eixo visual (a pupila), funcionando como uma barreira física para a entrada de luz e causando uma baixa de visão significativa.
O pterígio geralmente não causa uma dor forte. Os sintomas são mais de desconforto e irritação, como a sensação de areia, ardência ou queimação.
No entanto, em fases de inflamação aguda, quando a lesão fica muito vermelha e inchada (um quadro chamado de pterigite), pode haver uma dor leve a moderada, além de uma piora de todos os outros sintomas de irritação.
Sim, é muito comum que o pterígio tenha períodos de inflamação. A exposição ao sol, ao vento, à poeira ou a ambientes com ar-condicionado pode irritar o tecido do pterígio, fazendo com que seus vasos sanguíneos se dilatem e ele fique muito vermelho e sintomático.
Esses episódios de “pterigite” geralmente são tratados com colírios lubrificantes e, em alguns casos, com um ciclo curto de colírios anti-inflamatórios prescritos pelo médico.
Sim, o embaçamento visual é um sintoma importante e uma indicação de que o pterígio pode estar afetando a córnea. O astigmatismo induzido pelo crescimento da lesão é a principal causa desse embaçamento.
Além disso, o próprio pterígio, por ser uma lesão elevada na superfície, pode atrapalhar a distribuição uniforme da lágrima sobre a córnea, o que também pode causar um borramento transitório da visão, que melhora ao piscar.
A coceira não é o sintoma mais típico do pterígio, mas pode ocorrer, principalmente durante os episódios de inflamação. A sensação de corpo estranho e a irritação podem, às vezes, ser interpretadas como coceira.
Se a coceira for um sintoma muito proeminente, é importante investigar se não há também uma conjuntivite alérgica associada, o que é muito comum em pacientes que vivem em ambientes com muitos alérgenos.
É muito raro que um pterígio sangre espontaneamente. O que ocorre é que a lesão é muito vascularizada, ou seja, rica em vasos sanguíneos. Durante as fases de inflamação, esses vasos se dilatam, o que deixa o pterígio com uma aparência muito avermelhada e “sanguinolenta”, mas sem um sangramento ativo. Um trauma direto sobre a lesão, no entanto, poderia causar um pequeno sangramento.
Sim, caracteristicamente, os sintomas de irritação do pterígio pioram com a exposição aos fatores ambientais que o causam.
A exposição ao sol, ao vento e à poeira são os principais gatilhos para a inflamação e o desconforto. Por isso, o uso de óculos de sol de boa qualidade, que funcionam como uma barreira física, é uma das medidas mais importantes para aliviar os sintomas e para prevenir a progressão da lesão.
Sim. Como o pterígio é uma lesão elevada na superfície do olho, ele pode criar um “degrau” que dificulta a adaptação e o conforto no uso de lentes de contato gelatinosas.
A lente pode se mover excessivamente ou causar irritação ao passar sobre a lesão. Em muitos casos, o desconforto pode ser tão grande que inviabiliza o uso das lentes. A remoção cirúrgica do pterígio pode permitir que a pessoa volte a usar lentes de contato com conforto.
Sim. Em muitos casos, especialmente em estágios iniciais, o pterígio pode não causar nenhum sintoma de desconforto, e a única queixa do paciente é a aparência estética da lesão.
A presença da “carne vermelha” no olho pode causar um incômodo social e afetar a autoestima. A insatisfação estética, por si só, pode ser uma indicação para o tratamento cirúrgico, desde que o paciente esteja ciente dos riscos e dos cuidados necessários no pós-operatório.
O pterígio é uma lesão benigna, ou seja, não é câncer e não oferece risco à vida. No entanto, ele pode ser perigoso para a visão. Se ele crescer de forma descontrolada e cobrir o centro da córnea (o eixo visual), ele pode causar uma baixa de visão significativa.
Além disso, mesmo após a sua remoção, ele pode deixar uma cicatriz na córnea que pode afetar a visão. Por isso, o acompanhamento é importante para decidir o momento certo de intervir, antes que ele cause um dano visual maior.
Sim, a principal complicação e o grande desafio da cirurgia de pterígio é a recidiva, ou seja, a chance de ele voltar a crescer, muitas vezes de forma mais agressiva. A taxa de recidiva depende muito da técnica cirúrgica utilizada.
A técnica de simples remoção (“esclera nua”) tem taxas de recidiva muito altas. Já a técnica moderna, com o transplante de conjuntiva, reduz drasticamente essa chance, com taxas baixas (geralmente <10%) dependendo da técnica e do seguimento pós-operatório.
O pterígio pode ser unilateral, afetando apenas um olho, ou bilateral, afetando os dois. A forma bilateral é muito comum, pois os fatores de risco, como a exposição solar, geralmente afetam ambos os olhos.
No entanto, é comum que a lesão seja assimétrica, com o pterígio em um olho sendo muito maior ou mais sintomático do que no outro.
São duas doenças completamente diferentes. O pterígio é um crescimento de tecido na superfície externa do olho, na conjuntiva e na córnea. A catarata é a opacificação da lente interna do olho, o cristalino.
Ambas podem causar visão embaçada, mas por mecanismos distintos. O pterígio causa embaçamento ao deformar a córnea ou ao cobri-la, enquanto a catarata causa embaçamento ao impedir a passagem de luz dentro do olho.
O pterígio pode ser classificado em graus, de I a IV, dependendo do quanto ele já avançou sobre a córnea. O grau I é quando ele está apenas no limbo (a borda da córnea). O grau II é quando ele avança um pouco sobre a córnea, mas sem chegar à pupila. O grau III é quando ele atinge a borda da pupila, e o grau IV é quando ele a ultrapassa. Essa classificação ajuda o médico a avaliar a gravidade e a indicar o momento da cirurgia.
Sim. Mesmo que o pterígio seja pequeno e assintomático, é recomendável um acompanhamento oftalmológico periódico, geralmente anual. O objetivo é monitorar o crescimento da lesão.
O médico irá documentar o tamanho do pterígio com fotografias ou medidas para poder comparar nas consultas seguintes. Esse acompanhamento permite que a indicação cirúrgica seja feita no momento ideal, antes que a lesão cresça demais e cause um astigmatismo significativo ou ameace o eixo visual.
Não, o diagnóstico do pterígio é feito de forma simples, durante a consulta oftalmológica. O médico utiliza um aparelho chamado lâmpada de fenda, que é um microscópio que permite examinar a superfície do olho com grande aumento.
A aparência do pterígio é muito característica e o diagnóstico é, na maioria das vezes, clínico. Em alguns casos, a topografia de córnea pode ser solicitada para medir o astigmatismo induzido pela lesão.
Na grande maioria dos casos, a aparência do pterígio é inconfundível. No entanto, em casos de lesões com aspecto atípico, pigmentado ou de crescimento muito rápido, o médico pode considerar outros diagnósticos diferenciais, como a neoplasia escamosa da superfície ocular (uma lesão pré-maligna ou maligna).
Nesses casos, a remoção cirúrgica com o envio do material para biópsia é fundamental para o diagnóstico de certeza.
Não. A pinguécula é uma lesão amarelada e elevada que se forma na conjuntiva, mas que se limita a ela, sem invadir a córnea. O pterígio é a lesão que efetivamente cresce e avança sobre a córnea.
A pinguécula é causada pelos mesmos fatores do pterígio (exposição solar) e também pode inflamar (pingueculite), causando olho vermelho e irritação. Ela pode ser considerada uma lesão precursora do pterígio.
Não. Embora a melhora da aparência seja um resultado importante, a cirurgia de pterígio tem indicações funcionais muito claras.
Ela é indicada para melhorar a visão quando o pterígio causa um astigmatismo significativo, para prevenir a perda de visão quando ele ameaça cobrir a pupila, e para aliviar os sintomas crônicos de irritação e olho vermelho que não melhoram com o tratamento clínico, restaurando o conforto ocular e a qualidade de vida do paciente.
O tratamento do pterígio depende do seu tamanho e dos sintomas. Para lesões pequenas e com pouca irritação, o tratamento é clínico, com o uso de colírios lubrificantes para aliviar o desconforto e, principalmente, com o uso de óculos de sol para proteção.
Para casos em que o pterígio cresce, afeta a visão ou causa sintomas persistentes, o tratamento definitivo é a remoção cirúrgica, preferencialmente com a técnica de transplante de conjuntiva para diminuir o risco de recidiva.
Não, infelizmente não existe nenhum colírio que possa curar ou fazer o pterígio regredir. Os colírios utilizados no tratamento clínico do pterígio são sintomáticos. Os lubrificantes melhoram o conforto e a irritação.
Os colírios anti-inflamatórios ou vasoconstritores, prescritos por curtos períodos, são usados para tratar as fases de inflamação aguda (pterigite), diminuindo a vermelhidão e o inchaço. A única forma de remover o tecido do pterígio é através da cirurgia.
Sim. Para a remoção da lesão, a cirurgia é o único tratamento eficaz. Ela é indicada quando o tratamento clínico não é suficiente para controlar os sintomas ou quando o pterígio representa um risco para a visão.
O objetivo da cirurgia é remover todo o tecido doente da superfície da córnea e da conjuntiva e realizar um procedimento para diminuir a chance de ele voltar a crescer.
Essa é a técnica cirúrgica moderna com os melhores resultados e as menores taxas de recidiva. Após a remoção completa do pterígio, fica uma área de esclera (a parte branca) exposta.
Para cobrir essa área, o cirurgião retira um fino enxerto de conjuntiva saudável de outra região do mesmo olho (geralmente da parte superior, que é protegida pela pálpebra) e o posiciona sobre a área operada. Esse enxerto funciona como uma barreira que promove uma cicatrização mais saudável e previne o retorno da lesão.
A cirurgia é realizada com anestesia local, portanto, o paciente não sente dor durante o procedimento. A anestesia pode ser feita com a aplicação de colírios e uma pequena injeção ao lado do olho.
Para garantir o conforto e a tranquilidade, uma sedação leve, acompanhada por um médico anestesista, também é realizada. No pós-operatório, pode haver um desconforto ou a sensação de areia no olho, que são bem controlados com os colírios e os analgésicos prescritos.
A recuperação leva algumas semanas. Nos primeiros dias, é normal o olho ficar vermelho, inchado e sensível à luz. O paciente usará um curativo oclusivo nas primeiras 24 horas.
O uso de colírios antibióticos e anti-inflamatórios é fundamental por algumas semanas. O desconforto diminui gradualmente, e a vermelhidão tende a desaparecer ao longo de 30 a 60 dias. É recomendado o repouso das atividades físicas por cerca de duas semanas. O resultado estético final é observado após alguns meses.
A prevenção é a medida mais importante e se baseia na proteção contra a radiação ultravioleta. A recomendação principal é o uso de óculos de sol de boa qualidade, que bloqueiem 100% dos raios UVA e UVB, sempre que você estiver em ambientes externos, mesmo em dias nublados ou na sombra.
O uso de chapéus ou bonés de aba larga também ajuda a criar uma barreira adicional. O uso de colírios lubrificantes em ambientes secos ou com muito vento pode ajudar a diminuir a irritação.
A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, causando vermelhidão e secreção. Pode ser viral, bacteriana ou alérgica, com tratamentos específicos para cada tipo.
O terçol é uma infecção bacteriana aguda na pálpebra, que causa um nódulo vermelho e dolorido. Geralmente melhora com compressas mornas e boa higiene.
O astigmatismo é um erro de foco causado pela curvatura irregular do olho, que torna a visão distorcida. Pode ser corrigido com óculos, lentes ou cirurgia.
A oftalmologia cirúrgica utiliza microcirurgia e alta tecnologia para tratar doenças como catarata e glaucoma, oferecendo procedimentos seguros e de rápida recuperação.
O glaucoma é uma doença crônica e silenciosa que danifica o nervo óptico. O diagnóstico precoce e o tratamento contínuo são cruciais para preservar a visão.
O ceratocone é uma doença que deforma a córnea, afinando-a e causando astigmatismo. O tratamento visa parar a progressão e melhorar a visão.