O que saber sobre a órbita ocular e seus cuidados
Problemas na órbita ocular podem afetar a visão. Saiba como o diagnóstico preciso de doenças da órbita ocular é o primeiro passo para o tratamento.
Com base nas perguntas mais comuns dos pacientes, esta seção foi criada para explicar o que é a órbita, as doenças que a afetam e os tratamentos disponíveis para esta área tão complexa.
A exoftalmia é causada por qualquer condição que aumente o volume do conteúdo dentro da órbita. Como a órbita é uma caixa óssea, o excesso de volume empurra o olho para a frente. A causa mais comum de exoftalmia em adultos é a Orbitopatia de Graves, uma doença autoimune ligada à tireoide, que causa uma inflamação e um inchaço da gordura e dos músculos orbitários.
Outras causas incluem tumores (benignos ou malignos), inflamações não infecciosas (pseudotumor), infecções (celulite orbitária) ou problemas vasculares.
A fratura de órbita é quase sempre causada por um trauma direto na região do rosto. As causas mais comuns são agressões físicas, acidentes automobilísticos, quedas e acidentes esportivos, especialmente com bolas.
O impacto sobre a borda óssea ou sobre o próprio globo ocular aumenta subitamente a pressão dentro da órbita, e essa força é transmitida para as paredes ósseas. As paredes mais finas, como o assoalho e a parede medial, são as que se quebram com mais facilidade, caracterizando a fratura “blowout”.
A celulite orbitária é uma infecção bacteriana grave dos tecidos da órbita. A causa mais comum, especialmente em crianças, é a disseminação de uma infecção a partir dos seios da face (uma sinusite).
As bactérias podem passar dos seios paranasais para a órbita através de pequenas aberturas ou pela via sanguínea. Outras causas menos comuns incluem a disseminação de uma infecção de pele no rosto (como uma espinha infectada perto do olho), uma infecção dentária ou um trauma penetrante na órbita.
Não, felizmente, a maioria dos tumores que se originam na órbita em adultos é benigna. O hemangioma cavernoso (um tumor de vasos sanguíneos) e o meningioma (um tumor das meninges do nervo óptico) são exemplos de tumores benignos comuns.
No entanto, tumores malignos, como os linfomas ou as metástases de cânceres de outras partes do corpo, também podem ocorrer. Em crianças, a principal preocupação com um tumor orbitário é a possibilidade de ser maligno.
Sim, e essa é a principal causa. A Doença de Graves, uma condição autoimune que geralmente causa hipertireoidismo (produção excessiva de hormônios pela tireoide), pode levar a um quadro chamado Orbitopatia de Graves.
Nessa condição, o sistema imunológico ataca os tecidos atrás do olho, causando uma inflamação que aumenta o volume dos músculos e da gordura. É esse aumento de volume que empurra o olho para a frente, causando a exoftalmia.
É uma condição na qual ocorre uma inflamação dos tecidos da órbita sem nenhuma causa conhecida, por isso o nome “idiopática”. É um diagnóstico de exclusão, feito após se descartar infecções, tumores ou a Doença de Graves.
A inflamação pode afetar qualquer parte da órbita, como os músculos, a glândula lacrimal ou a gordura, causando dor, inchaço e exoftalmia. Acredita-se que seja uma condição de natureza autoimune, e o tratamento geralmente envolve o uso de corticoides.
Indiretamente, sim. Um aneurisma cerebral, se localizado perto da órbita, pode comprimir os nervos que controlam os músculos oculares, causando visão dupla.
Uma condição vascular mais diretamente ligada à órbita é a fístula carótido-cavernosa. Nela, uma comunicação anormal se forma entre a artéria carótida e uma veia na base do cérebro. Isso aumenta a pressão nas veias da órbita, causando exoftalmia pulsátil, olho muito vermelho e, às vezes, um sopro que pode ser ouvido.
Os sintomas dependem da causa, mas os mais comuns são a exoftalmia (olho saltado), a dor ocular ou ao redor do olho (que pode piorar com a movimentação), o inchaço e a vermelhidão das pálpebras e da conjuntiva, e a visão dupla (diplopia).
Em casos mais graves, pode haver uma diminuição da visão, que é um sinal de alerta de que o nervo óptico pode estar sendo comprimido. Qualquer um desses sintomas, especialmente se for de início recente, merece uma avaliação médica.
A exoftalmia, ou proptose, é sempre um sinal de que algo está ocupando espaço na órbita e deve ser investigado. No entanto, é importante notar que algumas pessoas têm, por sua constituição facial, os olhos naturalmente mais proeminentes, o que não representa uma doença.
O que caracteriza a exoftalmia patológica é uma mudança na posição do olho, ou seja, um olho que se tornou mais saliente do que era antes, ou a presença de uma assimetria significativa entre os dois olhos.
Sim. A visão dupla (diplopia) é um sintoma muito comum das doenças da órbita. Isso ocorre porque os processos inflamatórios (como na Doença de Graves) ou os tumores podem afetar os músculos que movimentam os olhos.
A inflamação pode inchar os músculos e restringir seus movimentos, enquanto um tumor pode empurrá-los ou comprimir os nervos que os controlam. Em ambos os casos, o resultado é um desalinhamento dos olhos, que o cérebro percebe como duas imagens.
Sim, e é o sintoma mais preocupante. A perda de visão em uma doença da órbita pode ocorrer por dois mecanismos principais.
O mais grave é a compressão do nervo óptico pelo inchaço dos músculos ou por um tumor no fundo da órbita, o que causa uma perda de visão lenta e progressiva. Outra causa é a exposição severa da córnea, em casos de exoftalmia extrema, que pode levar a úlceras e cicatrizes que embaçam a visão. A perda de visão é sempre um sinal de urgência.
A dor que piora com a movimentação ocular é um sintoma comum em processos inflamatórios agudos da órbita, como na fase ativa da Orbitopatia de Graves, na inflamação orbitária idiopática ou na celulite orbitária.
A dor ocorre porque os músculos oculares, que estão inflamados e inchados, são estirados durante o movimento, o que desencadeia o desconforto. Não é um sintoma normal e deve ser investigado.
Sim. O inchaço das pálpebras (edema palpebral) e a vermelhidão da conjuntiva são sinais de inflamação que frequentemente acompanham as doenças da órbita.
Na Doença de Graves, o inchaço pode ser significativo, especialmente pela manhã. Na celulite orbitária, o inchaço é intenso, quente e doloroso. O inchaço ocorre por um acúmulo de fluido nos tecidos inflamados ou pela congestão dos vasos sanguíneos.
Sim. Embora a Doença de Graves seja tipicamente bilateral, ela é frequentemente assimétrica, com um olho muito mais afetado que o outro. Já em casos de tumores, fraturas ou celulite, os sintomas são quase sempre unilaterais, afetando apenas o lado do problema.
Uma exoftalmia que afeta um único olho sempre exige uma investigação cuidadosa para se descartar a presença de um tumor.
A retração palpebral é um sinal muito característico da Orbitopatia de Graves. É a posição anormalmente elevada da pálpebra superior e/ou rebaixada da pálpebra inferior, o que expõe uma parte da esclera (o branco do olho) acima ou abaixo da íris, criando uma aparência de “olhar assustado”.
É causada pela inflamação e fibrose dos músculos que controlam a posição das pálpebras. A retração contribui para os sintomas de olho seco por exposição.
A velocidade de instalação dos sintomas depende da causa. Em doenças inflamatórias agudas, como a celulite orbitária ou a fase ativa da Doença de Graves, os sintomas podem se desenvolver rapidamente, em questão de dias ou semanas.
Em casos de tumores benignos de crescimento lento, a exoftalmia pode progredir de forma muito gradual, ao longo de meses ou anos. Um início súbito, com dor e baixa de visão, geralmente indica um processo mais agressivo.
Sim. A perda de sensibilidade ou a dormência na região da bochecha, do lábio superior e dos dentes do lado afetado é um sintoma clássico de uma fratura do assoalho da órbita.
Isso ocorre porque o nervo infraorbitário, que é responsável pela sensibilidade dessa área, passa exatamente pelo assoalho da órbita e pode ser danificado ou comprimido durante a fratura. A presença desse sintoma após um trauma é muito sugestiva desse tipo de lesão.
A órbita é a cavidade óssea do crânio que contém e protege o globo ocular e todas as suas estruturas associadas, como os músculos, nervos, vasos sanguíneos, a gordura e a glândula lacrimal.
Ela tem um formato de uma pirâmide de quatro lados, com o ápice (a ponta) voltado para dentro do crânio, por onde passa o nervo óptico. É uma estrutura anatômica complexa e vital para o funcionamento e a proteção do nosso sistema visual.
O tratamento das doenças da órbita é realizado por um médico oftalmologista que fez uma subespecialização em plástica ocular e órbita. É um profissional com um treinamento cirúrgico avançado e um conhecimento profundo da anatomia complexa dessa região.
O tratamento frequentemente envolve uma equipe multidisciplinar, que pode incluir o endocrinologista, o oncologista, o neurocirurgião e o radioterapeuta, dependendo da causa do problema.
Sim. As doenças da órbita podem levar à perda de visão permanente por vários mecanismos. A complicação mais grave é a compressão do nervo óptico, que pode causar um dano irreversível às fibras nervosas (atrofia óptica).
A exposição severa da córnea, em casos de exoftalmia extrema, pode levar a cicatrizes que causam opacidade. Além disso, o desalinhamento muscular crônico pode levar a uma visão dupla permanente e incapacitante. O tratamento precoce visa evitar essas sequelas.
O diagnóstico começa com um exame clínico detalhado, no qual o médico avalia a visão, a posição dos olhos (exoftalmometria), a motilidade ocular, os reflexos pupilares e o fundo de olho.
A investigação é complementada com exames de imagem, como a tomografia computadorizada (para estrutura óssea) e a ressonância magnética (para tecidos moles), que são fundamentais para visualizar o que está acontecendo atrás do olho. Exames de sangue também são importantes, principalmente para investigar a função da tireoide.
A fratura “blowout”, ou fratura por explosão, é um tipo específico de fratura do assoalho ou da parede medial da órbita. Ela ocorre quando um trauma no olho, que não quebra a borda orbitária resistente, causa um aumento súbito da pressão dentro da órbita.
Essa pressão “explode” a parede mais fina, geralmente o assoalho, para dentro do seio maxilar. O risco dessa fratura é que o tecido mole da órbita, incluindo um dos músculos oculares, pode ficar aprisionado no foco da fratura, causando visão dupla.
Sim. Na fase inflamatória da Doença de Graves, a visão dupla pode melhorar com o tratamento anti-inflamatório (corticoides).
Em casos de fratura de órbita com encarceramento muscular, a cirurgia para liberar o músculo pode resolver a diplopia. Se a visão dupla se tornar crônica e estável, ela pode ser tratada com o uso de prismas nos óculos ou com uma cirurgia de estrabismo para realinhar os olhos.
O nervo óptico é a estrutura nobre que conecta o olho ao cérebro, transmitindo toda a informação visual. Ele passa pelo fundo da órbita, em uma área chamada de ápice, onde está cercado pelos músculos oculares.
Em doenças que causam um grande inchaço desses músculos, como na Orbitopatia de Graves, o nervo óptico pode ser esmagado nesse espaço apertado. A compressão do nervo é a complicação mais temida das doenças da órbita, pois pode levar à perda de visão irreversível.
É importante diferenciar a celulite orbitária da pré-septal. A celulite pré-septal (ou periorbitária) é uma infecção mais superficial, que afeta apenas os tecidos da pálpebra, na frente de uma estrutura chamada septo orbitário.
Ela causa inchaço e vermelhidão na pálpebra, mas não há exoftalmia, dor ao mover o olho ou baixa de visão. É uma condição menos grave que a celulite orbitária e geralmente pode ser tratada com antibióticos por via oral, sem a necessidade de internação.
Sim, em muitos casos, o tratamento é clínico. As doenças inflamatórias, como a Orbitopatia de Graves na fase ativa e a inflamação orbitária idiopática, são tratadas primariamente com medicamentos, como os corticoides e outros imunossupressores.
As infecções, como a celulite, são tratadas com antibióticos. A cirurgia é reservada para a correção de sequelas, para a remoção de tumores ou para situações de urgência, como a compressão do nervo óptico.
O tratamento depende inteiramente da causa. Doenças inflamatórias como a Orbitopatia de Graves são tratadas com corticoides ou outros imunossupressores. Infecções como a celulite são tratadas com antibióticos.
Tumores são tratados com cirurgia para remoção, radioterapia ou quimioterapia, dependendo do tipo. Fraturas são tratadas com cirurgia para reparar o osso e liberar os tecidos. O tratamento é sempre individualizado, com base em um diagnóstico preciso.
A descompressão de órbita é a cirurgia para aumentar o espaço da cavidade orbitária, indicada para tratar a exoftalmia (“olho saltado”) severa.
O cirurgião pode remover uma parte das paredes ósseas da órbita, a gordura orbitária, ou uma combinação dos dois. Isso permite que o olho recue para uma posição mais natural, o que alivia a pressão sobre o nervo óptico, melhora a exposição da córnea e traz um grande benefício estético e funcional.
Sim, a radioterapia é uma opção de tratamento para algumas condições orbitárias. Ela pode ser usada para tratar certos tipos de tumores, como os linfomas ou as metástases, que são sensíveis à radiação.
Na Orbitopatia de Graves, a radioterapia em doses baixas pode ser usada na fase inflamatória para ajudar a controlar a doença e a visão dupla, geralmente em pacientes que não podem usar corticoides. O tratamento é planejado por um médico radioterapeuta.
A cirurgia para corrigir uma fratura de órbita é indicada quando há um aprisionamento de um músculo ocular causando visão dupla ou quando o olho está visivelmente afundado.
O cirurgião acessa a fratura, geralmente através de uma incisão por dentro da pálpebra ou em uma ruga natural, libera os tecidos que possam estar presos e cobre o defeito no osso com um implante fino, que pode ser de titânio, polietileno poroso ou outro material biocompatível, para reconstruir o assoalho da órbita.
A cirurgia de órbita é um procedimento de alta complexidade, que deve ser realizado por um cirurgião com grande experiência na área. A órbita é uma região com muitas estruturas nobres, como o nervo óptico e os músculos oculares.
No entanto, nas mãos de um profissional qualificado e em um ambiente hospitalar adequado, é considerada uma cirurgia segura. Os riscos, como sangramento ou lesão de estruturas, são minimizados com um planejamento cuidadoso e o uso de técnicas microcirúrgicas.
A recuperação varia com o tipo de cirurgia. Em geral, pode haver um inchaço e hematomas significativos no pós-operatório, que melhoram ao longo de algumas semanas. Pode haver visão dupla temporária após o procedimento.
O paciente recebe alta com orientações sobre o uso de antibióticos, anti-inflamatórios e cuidados com a ferida operatória. O repouso relativo e a restrição de atividades físicas são recomendados no período inicial. O acompanhamento pós-operatório é muito importante.
Sim. A quimioterapia é o tratamento de escolha para tumores malignos que são sensíveis a ela, como o linfoma, o rabdomiossarcoma (em crianças) e as metástases.
A quimioterapia pode ser administrada de forma sistêmica (na veia) pelo oncologista clínico. Em alguns tumores específicos, como o retinoblastoma, a quimioterapia pode ser administrada de forma mais direcionada, através da artéria oftálmica, para concentrar o efeito no olho e diminuir a toxicidade para o resto do corpo.
Sim, a melhora da aparência é um dos objetivos importantes do tratamento das doenças da órbita. A correção cirúrgica da exoftalmia e da retração palpebral na Doença de Graves, por exemplo, tem um impacto muito positivo na autoestima e na qualidade de vida do paciente, restaurando um olhar mais natural e descansado.
Da mesma forma, a remoção de um tumor e a reconstrução da órbita ou da pálpebra buscam, sempre que possível, o melhor resultado estético e funcional.
A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, causando vermelhidão e secreção. Pode ser viral, bacteriana ou alérgica, com tratamentos específicos para cada tipo.
O terçol é uma infecção bacteriana aguda na pálpebra, que causa um nódulo vermelho e dolorido. Geralmente melhora com compressas mornas e boa higiene.
O astigmatismo é um erro de foco causado pela curvatura irregular do olho, que torna a visão distorcida. Pode ser corrigido com óculos, lentes ou cirurgia.
A oftalmologia cirúrgica utiliza microcirurgia e alta tecnologia para tratar doenças como catarata e glaucoma, oferecendo procedimentos seguros e de rápida recuperação.
O glaucoma é uma doença crônica e silenciosa que danifica o nervo óptico. O diagnóstico precoce e o tratamento contínuo são cruciais para preservar a visão.
O ceratocone é uma doença que deforma a córnea, afinando-a e causando astigmatismo. O tratamento visa parar a progressão e melhorar a visão.