Oncologia ocular: um cuidado especializado
A oncologia ocular é uma área de alta complexidade. Descubra como os avanços no tratamento oncológico podem oferecer os melhores resultados.
Com base nas perguntas mais comuns dos pacientes, esta seção foi criada para explicar, de forma clara, o que é a oncologia ocular, os tipos de tumores e os tratamentos disponíveis.
A oncologia ocular é a subespecialidade da oftalmologia que se dedica ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos tumores que afetam os olhos e as estruturas ao seu redor, como as pálpebras, a conjuntiva e a órbita. Essa área trata tanto de tumores benignos, que não se espalham, quanto de tumores malignos (câncer).
O oftalmologista especialista em oncologia ocular tem o treinamento específico para diferenciar os diversos tipos de lesões e indicar o tratamento mais adequado para cada caso, visando sempre a saúde do paciente, a preservação do olho e da visão.
Sim, a consulta geralmente envolve uma avaliação muito detalhada. Além de todos os exames de uma consulta oftalmológica completa, o profissional irá realizar um exame de fundo de olho minucioso, com a pupila dilatada, para examinar a lesão.
Exames de imagem especializados, como a ultrassonografia ocular e a Tomografia de Coerência Óptica (OCT), são frequentemente realizados no mesmo dia. A consulta também envolve uma longa conversa sobre o diagnóstico, as opções de tratamento e o prognóstico, de forma muito cuidadosa e acolhedora.
Os tumores malignos primários do olho, ou seja, que se originam no próprio olho, são relativamente raros em comparação com outros tipos de câncer. O melanoma de coroide, em adultos, e o retinoblastoma, em crianças, são os mais comuns, mas ainda assim são considerados raros.
No entanto, os tumores de pele nas pálpebras, como o carcinoma basocelular, são bastante frequentes. Além disso, o olho pode ser um local de metástases de cânceres de outras partes do corpo.
Não. A oncologia ocular também diagnostica e acompanha uma grande variedade de tumores e lesões benignas que podem ocorrer nos olhos. Um exemplo muito comum é o nevo de coroide, que é como uma “pinta” no fundo do olho, semelhante às que temos na pele.
Outras lesões benignas incluem os hemangiomas (tumores de vasos sanguíneos) e os cistos. O papel do especialista é diferenciar com segurança uma lesão benigna de uma maligna e determinar se ela precisa de tratamento ou apenas de acompanhamento periódico.
O histórico familiar é muito importante, especialmente em alguns tipos de tumores. No retinoblastoma, a forma hereditária da doença é causada por uma mutação genética que pode ser passada dos pais para os filhos.
No melanoma, embora a maioria dos casos seja esporádica, ter um histórico familiar de melanoma (de pele ou de olho) pode aumentar ligeiramente o risco. Informar ao seu médico sobre qualquer caso de câncer na família, ocular ou não, é uma parte importante da consulta.
Sim. O diagnóstico e o tratamento dos tumores que afetam as pálpebras e a conjuntiva são uma parte fundamental da oncologia ocular. O carcinoma basocelular é o câncer de pálpebra mais comum.
O tratamento é a remoção cirúrgica da lesão com margens de segurança, seguida pela reconstrução da pálpebra com técnicas de plástica ocular para preservar sua função e a estética. O oftalmologista especialista em plástica e oncologia ocular é o profissional mais indicado para realizar esses procedimentos.
O acompanhamento regular após o tratamento de um tumor ocular é uma etapa crucial do cuidado. Nas consultas de retorno, o médico irá verificar se não há sinais de que o tumor voltou no local tratado (recidiva local).
Além disso, para tumores malignos como o melanoma, o acompanhamento inclui a realização periódica de exames de imagem do corpo (como ultrassom de fígado), pois, embora raro, existe um risco de o tumor se espalhar para outras partes do corpo (metástases). O seguimento garante a detecção precoce de qualquer problema.
O melanoma ocular, ou melanoma de úvea, é o câncer primário mais comum do olho em adultos. Ele se desenvolve a partir dos melanócitos, as células que produzem pigmento, na úvea (que é composta pela íris, corpo ciliar e coroide).
A grande maioria se localiza na coroide, no fundo do olho. É uma doença séria, pois tem o potencial de se espalhar para outras partes do corpo, principalmente o fígado. O tratamento moderno, como a braquiterapia, tem como objetivo destruir o tumor, preservar o olho e a visão. O risco de metástases depende sobretudo das características do tumor (tamanho/biologia) e do estadiamento.
O câncer de olho mais comum na infância é o retinoblastoma. É um tumor maligno que cresce a partir das células imaturas da retina. A grande maioria dos casos é diagnosticada antes dos 5 anos de idade.
O diagnóstico precoce é a chave para o sucesso do tratamento, que hoje tem taxas de cura altíssimas, acima de 95%. Os tratamentos modernos, como a quimioterapia intra-arterial, visam não apenas salvar a vida da criança, mas também preservar o olho e o máximo de visão possível.
O carcinoma basocelular (CBC) é o tipo mais comum de câncer de pele e também o tumor maligno mais frequente das pálpebras, respondendo por cerca de 90% dos casos. Ele está diretamente relacionado à exposição solar crônica.
Geralmente, aparece como um nódulo pequeno, brilhante e perolado, ou como uma ferida que não cicatriza. O CBC tem um crescimento lento e um risco muito baixo de se espalhar para outras partes do corpo, mas se não for tratado, pode crescer e destruir os tecidos da pálpebra e da órbita.
Sim. O linfoma é um câncer do sistema linfático. Ele pode se desenvolver primariamente no olho (linfoma primário intraocular) ou pode ser uma manifestação de um linfoma sistêmico que se espalhou para o olho. Ele pode afetar a conjuntiva, a órbita ou o interior do olho (o vítreo e a retina).
Os sintomas podem ser variados, desde uma lesão rosada na superfície do olho até um quadro de inflamação que não melhora. O diagnóstico requer uma biópsia e o tratamento é feito em conjunto com um onco-hematologista.
Metástase é quando um câncer que começou em outra parte do corpo, como a mama, o pulmão ou a próstata, se espalha através da corrente sanguínea e forma um novo tumor no olho.
Na verdade, as metástases são o tipo de tumor maligno intraocular mais comum no geral, superando o melanoma. A localização mais frequente é a coroide, devido ao seu rico suprimento de sangue. A presença de uma metástase no olho é um sinal de que a doença sistêmica está avançada, e o tratamento é focado na doença de base.
O carcinoma sebáceo é um tipo de câncer raro, mas agressivo, que se origina das glândulas sebáceas, como as glândulas de Meibomius nas pálpebras. Ele pode ser muito traiçoeiro, pois seus sinais podem se parecer com os de condições benignas e muito comuns, como um calázio ou uma blefarite crônica que não melhora com o tratamento.
Um calázio recorrente no mesmo local ou uma inflamação palpebral persistente, especialmente em idosos, deve levantar a suspeita. O diagnóstico é feito por biópsia e o tratamento é a remoção cirúrgica ampla.
Não. A maioria dos tumores que se desenvolvem na órbita (a cavidade óssea ao redor do olho) em adultos é benigna. O hemangioma cavernoso, um tumor de vasos sanguíneos, é o mais comum. Outros tumores benignos incluem o meningioma da bainha do nervo óptico e os tumores da glândula lacrimal.
No entanto, tumores malignos, como os linfomas ou as metástases, também podem ocorrer. O principal sintoma de um tumor orbitário é a exoftalmia (olho saltado). A ressonância magnética é o melhor exame para avaliar essas lesões.
O papiloma escamoso é um tumor benigno muito comum da conjuntiva. Ele é causado pelo Papilomavírus Humano (HPV) e tem uma aparência característica de couve-flor, rosada e com múltiplos franjamentos.
Embora seja benigno, ele pode causar irritação, olho vermelho e ser esteticamente incômodo. O tratamento é a remoção cirúrgica da lesão (excisão simples), muitas vezes associada à aplicação de frio (crioterapia) na base para diminuir o risco de a lesão voltar (recidiva), o que é relativamente comum.
O nevo de coroide é a lesão intraocular mais comum. É um tumor benigno, análogo a uma “pinta” ou um “sinal” que temos na pele. É um acúmulo de melanócitos na coroide, a camada sob a retina.
Na grande maioria das vezes, o nevo é completamente inofensivo, assintomático e apenas um achado de exame. No entanto, assim como as pintas na pele, existe um risco muito pequeno de um nevo se transformar em um melanoma. Por isso, todo nevo de coroide deve ser documentado com fotografias e acompanhado periodicamente pelo oftalmologista.
O hemangioma coroidal é um tumor vascular benigno, ou seja, um emaranhado de vasos sanguíneos que cresce na coroide. Existem duas formas: a circunscrita, que é uma lesão única e mais comum, e a difusa, que afeta uma área maior e geralmente está associada a uma condição chamada Síndrome de Sturge-Weber.
Embora benigno, o hemangioma pode vazar fluido e causar um descolamento de retina seroso, afetando a visão. Se causar sintomas, pode ser tratado com laser ou terapia fotodinâmica.
A melanose primária adquirida, ou PAM, é uma pigmentação acastanhada e plana que pode aparecer na conjuntiva, a superfície branca do olho, geralmente em pessoas de meia-idade ou idosos de pele clara.
Ela é importante porque, em alguns casos, pode ser uma lesão pré-maligna, com potencial para se transformar em um melanoma de conjuntiva. Por isso, toda lesão pigmentada nova ou que muda de aspecto na superfície do olho deve ser avaliada por um especialista, que pode indicar uma biópsia para determinar o seu risco.
O diagnóstico do melanoma de coroide é feito com alta precisão através do exame clínico e de exames de imagem, sem a necessidade de biópsia na maioria dos casos. No exame de fundo de olho, o especialista observa uma lesão pigmentada e elevada.
A ultrassonografia ocular é o exame mais importante, pois mostra características muito típicas do melanoma, como o formato de “cogumelo” e a baixa refletividade interna. Outros exames, como a retinografia e a angiofluoresceinografia, ajudam a confirmar o diagnóstico.
Os cistos de pálpebra são nódulos benignos e muito comuns. Os mais frequentes são os cistos de inclusão epidérmica, que contêm queratina, e os cistos de glândulas sudoríparas. Eles geralmente se apresentam como pequenas “bolinhas” translúcidas ou esbranquiçadas, indolores e de crescimento lento.
Na maioria das vezes, não requerem tratamento. Se causarem desconforto estético ou irritação, podem ser facilmente removidos com uma pequena excisão cirúrgica no consultório, com anestesia local.
A principal diferença é a capacidade de se espalhar. Um tumor benigno é um crescimento anormal de células que não é câncer. Ele pode crescer localmente, mas não invade os tecidos vizinhos nem se espalha para outras partes do corpo (metástase).
Geralmente, tem um crescimento lento e bordas bem definidas. Um tumor maligno, ou câncer, é composto por células que crescem de forma descontrolada, podem invadir os tecidos adjacentes e têm o potencial de se espalhar para locais distantes, sendo uma ameaça à vida.
Apenas um oftalmologista especialista pode fazer essa diferenciação com segurança. No entanto, existem alguns sinais de alerta para um nevo de coroide que indicam um maior risco de transformação em melanoma.
São eles: o tamanho do nevo (maior que 5 mm), a sua espessura (se for elevado), a presença de fluido sobre a lesão, a presença de um pigmento laranja na sua superfície (lipofuscina) e a sua localização perto do nervo óptico. A presença desses fatores indica a necessidade de um acompanhamento mais próximo.
O UBM é um tipo especial de ultrassom de altíssima frequência que permite a visualização de estruturas na parte da frente do olho com uma resolução incrível. Enquanto o ultrassom convencional é ótimo para ver o fundo do olho, o UBM é a ferramenta ideal para avaliar tumores que afetam a íris, o corpo ciliar e a conjuntiva.
Ele permite medir a extensão e a profundidade de invasão desses tumores, o que é fundamental para o planejamento cirúrgico.
O tratamento depende do tipo de tumor, do seu tamanho, da sua localização e se ele é benigno ou maligno. As opções são muito variadas. Para tumores malignos intraoculares, como o melanoma, a principal forma de tratamento é a radioterapia, geralmente com a braquiterapia (placa radioativa).
Para o retinoblastoma, a quimioterapia (sistêmica ou intra-arterial) é a base. Para tumores de pálpebra e conjuntiva, a remoção cirúrgica é o tratamento de escolha. Outras opções incluem a termoterapia, a crioterapia e a imunoterapia. É imprescindível avaliação médica detalhada.
A braquiterapia é uma forma de radioterapia na qual a fonte de radiação é colocada em contato direto com o tumor. É o tratamento padrão-ouro para o melanoma de coroide. O procedimento consiste em suturar cirurgicamente uma pequena placa de ouro, contendo sementes radioativas, na parede externa do olho, exatamente sobre a base do tumor.
A placa permanece no local por alguns dias, liberando uma dose concentrada de radiação que destrói o tumor, e depois é removida em uma segunda cirurgia. Essa técnica permite tratar o tumor preservando o olho.
Sim. A quimioterapia é a base do tratamento para o retinoblastoma, o câncer ocular infantil. A quimioterapia sistêmica (na veia) pode ser usada para reduzir o tamanho do tumor antes de outros tratamentos locais.
Uma técnica mais moderna e eficaz é a quimioterapia intra-arterial, na qual um cateter é levado até a artéria do olho para injetar o quimioterápico diretamente no tumor, com menos efeitos colaterais para o resto do corpo. A quimioterapia também é usada para tratar o linfoma e as metástases.
A enucleação é o procedimento cirúrgico para a remoção completa do globo ocular. Antigamente, era o tratamento padrão para a maioria dos tumores intraoculares. Hoje, graças aos avanços nos tratamentos que preservam o olho, como a braquiterapia, a enucleação é reservada para tumores muito grandes, que não podem ser tratados de outra forma, ou para olhos cegos e dolorosos.
Após a enucleação, um implante é colocado na órbita e, posteriormente, uma prótese ocular é adaptada para um bom resultado estético.
Sim. A radioterapia externa, na qual a radiação é emitida por uma máquina fora do corpo, também é uma opção para alguns tumores.
A radioterapia com feixe de prótons é uma forma muito precisa de radioterapia, ideal para tratar melanomas de coroide, com excelentes resultados na preservação do olho e da visão. A radioterapia convencional também é usada para tratar linfomas orbitários, metástases e, às vezes, tumores de pálpebra.
O tratamento de um câncer de pálpebra é a remoção cirúrgica completa do tumor com uma margem de segurança, para garantir que todas as células malignas foram retiradas.
Em muitos casos, é utilizada a cirurgia micrográfica de Mohs ou o controle de margens por congelação/intraoperatório (exame de congelação), nos quais o tecido é examinado por um patologista durante a cirurgia. Após a remoção do tumor, o cirurgião realiza a reconstrução da pálpebra, utilizando técnicas de plástica ocular para restaurar sua função de proteção e a aparência estética.
A crioterapia é um tratamento que utiliza o congelamento para destruir as células tumorais. Uma sonda muito fria é encostada na superfície do olho, sobre a base do tumor, congelando o tecido.
É uma técnica eficaz para tratar pequenos tumores na periferia da retina, como pequenos retinoblastomas ou hemangioblastomas, e também pode ser usada como um tratamento complementar na cirurgia de tumores da conjuntiva, para tratar as margens da lesão e diminuir o risco de recidiva.
Não. O principal objetivo da oncologia ocular moderna é a tríade: salvar a vida, salvar o olho e, sempre que possível, salvar a visão. O resultado visual após o tratamento depende muito da localização e do tamanho do tumor.
Se o tumor estiver localizado longe da mácula e do nervo óptico, a chance de preservar uma boa visão é alta. Se o tumor afetar essas estruturas nobres, alguma perda de visão pode ser inevitável. No entanto, mesmo nesses casos, a preservação de uma visão útil é sempre a meta.
A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, causando vermelhidão e secreção. Pode ser viral, bacteriana ou alérgica, com tratamentos específicos para cada tipo.
O terçol é uma infecção bacteriana aguda na pálpebra, que causa um nódulo vermelho e dolorido. Geralmente melhora com compressas mornas e boa higiene.
O astigmatismo é um erro de foco causado pela curvatura irregular do olho, que torna a visão distorcida. Pode ser corrigido com óculos, lentes ou cirurgia.
A oftalmologia cirúrgica utiliza microcirurgia e alta tecnologia para tratar doenças como catarata e glaucoma, oferecendo procedimentos seguros e de rápida recuperação.
O glaucoma é uma doença crônica e silenciosa que danifica o nervo óptico. O diagnóstico precoce e o tratamento contínuo são cruciais para preservar a visão.
O ceratocone é uma doença que deforma a córnea, afinando-a e causando astigmatismo. O tratamento visa parar a progressão e melhorar a visão.