Oclusões na retina: o que você precisa saber
A perda de visão indolor pode ser sinal de oclusões venosas. Conheça os sintomas e os tratamentos que ajudam a recuperar a visão após as oclusões.
Com base nas perguntas mais comuns dos pacientes, esta seção foi criada para explicar, de forma clara, as causas, os sintomas e os modernos tratamentos para as oclusões venosas da retina.
Uma oclusão venosa na retina ocorre quando uma das veias que drenam o sangue para fora da retina fica bloqueada, geralmente por um trombo (coágulo de sangue). A causa mais comum para a formação desse trombo é a compressão da veia por uma artéria retiniana adjacente em um ponto de cruzamento.
Com o envelhecimento, as artérias podem endurecer (arteriosclerose) e, ao cruzar por cima de uma veia, comprimi-la, o que lentifica o fluxo de sangue e facilita a trombose. Fatores de risco sistêmicos, como a pressão alta, são a principal causa desse enrijecimento arterial.
Sim, a hipertensão arterial sistêmica é o fator de risco mais importante e mais comum associado às oclusões venosas da retina. A pressão alta crônica acelera o processo de arteriosclerose, que é o enrijecimento e o espessamento das paredes das artérias.
As artérias retinianas mais rígidas comprimem as veias nos pontos de cruzamento, predispondo à formação do trombo. Por isso, a investigação e o controle rigoroso da pressão arterial, em conjunto com um cardiologista ou clínico, são uma parte fundamental do tratamento de um paciente com oclusão venosa.
Sim, o diabetes mellitus também é um fator de risco significativo. O diabetes afeta a saúde dos vasos sanguíneos de todo o corpo, incluindo os da retina.
Ele pode levar a alterações na parede dos vasos e no próprio fluxo sanguíneo, o que, em conjunto com outros fatores como a hipertensão, aumenta a probabilidade de ocorrer uma oclusão venosa. É importante diferenciar a oclusão venosa da retinopatia diabética, que é outra complicação vascular do diabetes, embora as duas condições possam coexistir.
Sim, a dislipidemia, que é o aumento dos níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue, também é um fator de risco bem estabelecido para as oclusões venosas. O excesso de gordura no sangue contribui para a formação de placas de ateroma e para oenrijecimento das artérias (aterosclerose), o que leva ao mesmo mecanismo de compressão da veia retiniana pela artéria no cruzamento arteriovenoso.
O controle do colesterol, com dieta e, se necessário, com medicamentos, é outra medida importante de prevenção secundária.
Sim, o glaucoma, especialmente o glaucoma primário de ângulo aberto, é um fator de risco ocular para o desenvolvimento da oclusão da veia central da retina. Acredita-se que o aumento crônico da pressão intraocular possa levar a alterações estruturais na cabeça do nervo óptico (a lâmina crivosa), o local por onde a artéria e a veia central da retina entram e saem do olho.
Essas alterações podem levar a uma compressão da veia central, favorecendo a sua oclusão.
Sim, o tabagismo é prejudicial para a saúde vascular como um todo e também é considerado um fator de risco para as oclusões venosas. Fumar acelera o processo de arteriosclerose, pode aumentar a pressão arterial e também pode levar a alterações na coagulação do sangue, tornando-o mais propenso à formação de trombos. Parar de fumar é uma das medidas de estilo de vida mais importantes para proteger não apenas o coração e os pulmões, mas também a saúde dos olhos.
Sim. Em pacientes mais jovens (com menos de 50 anos) que apresentam uma oclusão venosa sem os fatores de risco clássicos, é importante investigar causas mais raras. Isso inclui as doenças da coagulação do sangue, chamadas de trombofilias, que podem ser hereditárias ou adquiridas.
Doenças inflamatórias sistêmicas, como as vasculites, também podem, raramente, ser a causa. Nesses casos, a investigação é feita em conjunto com um hematologista ou reumatologista.
A oclusão venosa em si não é uma doença hereditária. No entanto, muitos dos fatores de risco que levam a ela, como a predisposição para a hipertensão, o diabetes e o colesterol alto, têm um forte componente genético e familiar.
Além disso, as trombofilias, que são causas raras de oclusão, podem ser hereditárias. Portanto, se você tem um histórico familiar forte de doenças cardiovasculares, é importante redobrar os cuidados com a prevenção.
Sim, embora seja muito mais comum em pessoas com mais de 60 anos, a oclusão venosa pode ocorrer em pacientes jovens. Quando isso acontece, a investigação das causas é ainda mais importante. Além dos fatores de risco clássicos, que podem estar presentes de forma precoce, a pesquisa de trombofilias (doenças da coagulação) e de doenças inflamatórias sistêmicas se torna mandatória. O uso de contraceptivos orais também é um fator a ser considerado em mulheres jovens.
É muito raro que um trauma ocular direto seja a causa de uma oclusão venosa. O mecanismo principal da doença é a compressão vascular interna por doenças sistêmicas.
No entanto, um trauma muito severo, que cause uma grande inflamação ou um aumento súbito da pressão dentro do olho, poderia, teoricamente, contribuir para um evento oclusivo em um paciente já predisposto, mas não é considerada uma causa primária da doença.
O principal sintoma de uma oclusão venosa da retina é a perda súbita e indolor da visão em um dos olhos. A intensidade da perda de visão pode variar muito. Pode ser desde um leve embaçamento, em uma oclusão de ramo pequena, até uma baixa de visão severa, na qual a pessoa só consegue contar dedos ou perceber vultos, em uma oclusão da veia central.
A visão pode parecer borrada, escura ou distorcida. Como não há dor, a pessoa pode demorar a perceber o problema, se a visão do outro olho for boa.
Sim, o início dos sintomas é geralmente agudo. A pessoa acorda pela manhã ou nota, subitamente, ao longo do dia, que a visão de um dos seus olhos piorou.
Não é uma perda de visão que se desenvolve lentamente ao longo de meses, como na catarata. Essa característica de início súbito e indolor é muito típica dos problemas vasculares da retina, sejam eles oclusivos ou de outra natureza.
Não. A oclusão venosa da retina é uma condição indolor. A obstrução da veia e o consequente inchaço e sangramento na retina não ativam receptores de dor. A ausência de dor pode fazer com que a pessoa adie a procura por um médico, pensando que o embaçamento é algo passageiro.
A única situação em que uma oclusão pode levar à dor é em uma complicação tardia e grave, o glaucoma neovascular, no qual a pressão do olho sobe para níveis muito altos.
Pode ser ambos. O sintoma mais comum é um embaçamento geral da visão. Se a oclusão for de um ramo, o embaçamento pode afetar apenas uma parte do campo visual (a parte de cima ou a de baixo, por exemplo). O edema macular, que é o inchaço da área central, causa um embaçamento e uma distorção bem no centro da visão. Em casos com muitas hemorragias, o paciente pode perceber manchas escuras ou “flutuantes” no campo visual.
Flashes e moscas volantes não são os sintomas típicos de uma oclusão venosa. Esses sintomas estão mais associados ao descolamento do vítreo e a rasgos na retina. No entanto, se a oclusão for muito grave e levar a um sangramento para dentro do gel vítreo (hemorragia vítrea), o paciente pode perceber o sangue como múltiplas moscas volantes ou uma grande mancha escura. Mas o evento inicial da oclusão em si não costuma causar flashes.
Sim, a distorção da visão (metamorfopsia) é um sintoma muito comum, e é um sinal direto de que a mácula está afetada. O edema macular, ou seja, o acúmulo de líquido na mácula, desorganiza a sua estrutura delicada e enruga a sua superfície.
Essa deformação física da retina faz com que as imagens captadas por ela sejam percebidas como onduladas ou tortas pelo cérebro. A melhora da distorção é um dos objetivos do tratamento com as injeções intraoculares.
Sim, a oclusão venosa da retina é uma doença que afeta um olho de cada vez. É um evento agudo e localizado. É extremamente raro que uma pessoa tenha uma oclusão nos dois olhos ao mesmo tempo.
No entanto, como os fatores de risco (pressão alta, diabetes) são sistêmicos e afetam o corpo todo, uma pessoa que teve uma oclusão em um olho tem um risco aumentado de, no futuro, desenvolver um problema semelhante ou outro problema vascular no outro olho.
Não necessariamente. Diferente de uma oclusão arterial, na qual o dano costuma ser irreversível, na oclusão venosa, há uma grande chance de recuperação da visão com o tratamento adequado.
O grau de recuperação depende da gravidade da oclusão (se foi de ramo ou central, se foi isquêmica ou não) e, principalmente, da rapidez com que o tratamento para o edema macular é iniciado. O objetivo do tratamento é reverter o inchaço e tentar recuperar a função das células da mácula.
Sim, é possível. Se a oclusão for de um ramo venoso muito pequeno e periférico, que não afete a mácula, a pessoa pode não ter nenhum sintoma visual ou ter apenas um pequeno embaçamento na visão lateral, que pode passar completamente despercebido.
Nesses casos, a oclusão pode ser descoberta por acaso, durante um exame de mapeamento de retina de rotina. Se não houver edema macular, muitas vezes nenhum tratamento é necessário, apenas o acompanhamento.
Qualquer perda de visão súbita e indolor em um dos olhos deve ser considerada uma urgência oftalmológica. Se você notar um embaçamento ou uma mancha na visão que apareceu de repente, a recomendação é procurar um serviço de oftalmologia o mais rápido possível.
O diagnóstico precoce e, consequentemente, o início rápido do tratamento para o edema macular, são os fatores mais importantes para se obter um bom resultado visual e aumentar as chances de recuperação da visão.
Sim, uma oclusão venosa, especialmente a da veia central da retina, se não for tratada, pode levar a uma perda de visão severa e permanente. A principal causa da baixa visual é o edema macular crônico, que pode causar um dano irreversível às células da mácula.
A complicação mais grave é o glaucoma neovascular, que, se não for controlado, pode levar à cegueira total e dolorosa. A boa notícia é que, com os tratamentos modernos, a cegueira pode ser evitada na grande maioria dos casos.
O diagnóstico é confirmado pelo exame de mapeamento de retina, no qual o oftalmologista visualiza o fundo do olho. Os achados são muito característicos: veias dilatadas e tortuosas, hemorragias espalhadas pela retina e edema.
Para avaliar a principal complicação, o edema macular, o exame de Tomografia de Coerência Óptica (OCT) é essencial. Ele mostra o inchaço em detalhes e quantifica a sua espessura, servindo como base para indicar e monitorar o tratamento.
Uma oclusão venosa é classificada como isquêmica quando o bloqueio do fluxo sanguíneo é tão severo que causa uma falta de oxigenação significativa em uma grande área da retina.
A isquemia é um sinal de gravidade. Uma retina isquêmica tem um prognóstico visual pior e, o mais importante, um risco muito maior de desenvolver as complicações tardias, como a neovascularização e o glaucoma neovascular. A ngiografia fluoresceínica é o melhor exame para determinar se uma oclusão é isquêmica ou não.
Atualmente, não existe nenhum tratamento que consiga, de forma segura e eficaz, desobstruir a veia que sofreu a trombose. O foco do tratamento não é “desentupir” a veia, mas sim tratar as consequências da oclusão, que são o edema macular e a isquemia.
Ao tratar o edema com as injeções e a isquemia com o laser, conseguimos controlar a doença, melhorar a visão e prevenir as complicações mais graves, mesmo que a veia ocluída não se recanalize.
É muito raro ter uma nova oclusão no mesmo olho. No entanto, uma pessoa que teve uma oclusão venosa em um olho tem um risco aumentado de ter um evento semelhante no outro olho no futuro, pois os fatores de risco sistêmicos (pressão alta, diabetes) afetam ambos os olhos.
Por isso, o controle rigoroso desses fatores de risco, em conjunto com o clínico ou cardiologista, é a medida mais importante para a prevenção secundária.
A oclusão venosa da retina e o acidente vascular cerebral (AVC) compartilham os mesmos fatores de risco vascular: hipertensão, diabetes, colesterol alto e tabagismo. Por isso, a ocorrência de uma oclusão venosa é vista como um sinal de alerta para a saúde cardiovascular geral do paciente.
Ter uma oclusão venosa aumenta o risco de a pessoa ter, no futuro, um AVC ou um infarto do miocárdio. A avaliação clínica completa para o controle desses fatores de risco é fundamental.
A oclusão em si não tem cura, no sentido de que a veia bloqueada geralmente não volta ao normal. No entanto, as suas consequências, principalmente o edema macular, têm tratamento muito eficaz. Com o tratamento correto, o inchaço pode ser resolvido e a visão, recuperada em muitos casos. É uma doença crônica que exige acompanhamento, mas que pode ser muito bem controlada, permitindo que o paciente mantenha uma boa qualidade de visão a longo prazo.
O afastamento das atividades de trabalho depende da gravidade da perda visual e da natureza da profissão do paciente. Se a perda de visão for significativa e a profissão exigir uma boa acuidade visual (como motoristas, pilotos ou cirurgiões), o afastamento será necessário.
Além disso, o tratamento pode exigir consultas e procedimentos frequentes no início. O seu médico oftalmologista poderá fornecer um atestado e avaliar a necessidade e o tempo de afastamento para o seu caso específico.
O diagnóstico e o tratamento da oclusão venosa da retina são de responsabilidade do médico oftalmologista, de preferência um especialista em retina. O retinólogo é o profissional com o treinamento específico para realizar os exames de imagem, interpretar os resultados e, principalmente, para realizar os procedimentos de tratamento, como a fotocoagulação a laser e as injeções intravítreas.
A colaboração com um médico clínico ou cardiologista para o controle dos fatores de risco sistêmicos também é essencial.
O tratamento da oclusão venosa foca em suas duas principais complicações: o edema macular e a neovascularização. O tratamento de primeira linha para o edema macular, que é a principal causa de baixa visão, são as injeções intraoculares de medicamentos antiangiogênicos (anti-VEGF).
Para a neovascularização, que é uma complicação da isquemia, o tratamento de escolha é a fotocoagulação a laser da retina. O controle rigoroso dos fatores de risco sistêmicos (pressão alta, diabetes) é também uma parte crucial do tratamento.
Sim. Hoje, as injeções intravítreas de anti-VEGF são o tratamento padrão-ouro e a primeira escolha para o edema macular secundário às oclusões venosas. Esses medicamentos são extremamente eficazes em bloquear o fator de crescimento (VEGF) que causa o vazamento dos vasos, “secando” o inchaço da mácula. Isso leva a uma melhora da anatomia da retina e, na maioria dos casos, a uma melhora significativa da acuidade visual.
Sim. O efeito do medicamento antiangiogênico dentro do olho é temporário. Por isso, o tratamento geralmente começa com uma série de aplicações mensais (geralmente três) e, depois, a necessidade de novas injeções é avaliada a cada consulta, com base na visão do paciente e no exame de OCT.
O objetivo é manter a mácula “seca” com o menor número de injeções possível. É um tratamento crônico, que pode exigir aplicações por um longo período.
A ideia de uma injeção no olho pode causar ansiedade, mas o procedimento é realizado de forma a ser o mais confortável possível. O olho é completamente anestesiado com colírios, e a área é limpa com antissépticos. A injeção em si é muito rápida, dura apenas alguns segundos. O paciente pode sentir uma leve pressão, mas não dor. Um leve desconforto ou sensação de areia pode ocorrer nas horas seguintes, mas melhora rapidamente.
A fotocoagulação a laser não serve para tratar o edema macular na maioria dos casos, mas sim para tratar a isquemia retiniana e prevenir suas complicações. Se o exame de angiofluoresceinografia mostra uma área extensa de falta de oxigênio, o médico realiza a panfotocoagulação, que consiste em aplicar o laser na periferia da retina. Isso destrói a retina doente, diminuindo a produção de VEGF e o estímulo para o crescimento de neovasos, o que previne o glaucoma neovascular e as hemorragias.
Sim, a recuperação da visão é possível e acontece em uma grande proporção dos pacientes tratados. O grau de melhora depende de vários fatores, como o tipo de oclusão (a de ramo tem melhor prognóstico que a central), a gravidade da isquemia e, principalmente, o tempo entre o início dos sintomas e o começo do tratamento.
Quanto antes o edema macular for tratado, maiores as chances de as células da mácula se recuperarem e de a visão melhorar.
Não existem medicamentos via oral (comprimidos) que tratem diretamente a oclusão venosa ou o edema macular. O tratamento é local, com as injeções ou o laser.
O que é fundamental é o tratamento dos fatores de risco sistêmicos com medicamentos orais, como o uso de anti-hipertensivos para controlar a pressão ou de estatinas para controlar o colesterol, mas esses tratamentos são para a saúde geral, e não para o olho especificamente.
O mais importante é a combinação de duas coisas: o acompanhamento regular com o seu oftalmologista especialista em retina, para monitorar a visão e a mácula com o OCT e tratar sempre que necessário; e o controle rigoroso dos seus fatores de risco vasculares (pressão, diabetes, colesterol) com o seu médico clínico.
Essa parceria entre o cuidado ocular e o cuidado sistêmico é a chave para preservar a visão e a saúde a longo prazo.
A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, causando vermelhidão e secreção. Pode ser viral, bacteriana ou alérgica, com tratamentos específicos para cada tipo.
O terçol é uma infecção bacteriana aguda na pálpebra, que causa um nódulo vermelho e dolorido. Geralmente melhora com compressas mornas e boa higiene.
O astigmatismo é um erro de foco causado pela curvatura irregular do olho, que torna a visão distorcida. Pode ser corrigido com óculos, lentes ou cirurgia.
A oftalmologia cirúrgica utiliza microcirurgia e alta tecnologia para tratar doenças como catarata e glaucoma, oferecendo procedimentos seguros e de rápida recuperação.
O glaucoma é uma doença crônica e silenciosa que danifica o nervo óptico. O diagnóstico precoce e o tratamento contínuo são cruciais para preservar a visão.
O ceratocone é uma doença que deforma a córnea, afinando-a e causando astigmatismo. O tratamento visa parar a progressão e melhorar a visão.