Causas, sintomas e investigação da neurite óptica

Nervo óptico

O nervo óptico é como um cabo de alta velocidade que conecta o nosso olho ao cérebro. Ele é formado por mais de um milhão de fibras nervosas e tem a função vital de transmitir os impulsos elétricos gerados pela retina para que o cérebro os interprete como as imagens que vemos. A neurite óptica é a inflamação desse cabo. Quando o nervo óptico inflama, sua capacidade de transmitir esses sinais é prejudicada, o que resulta nos sintomas de perda de visão e alteração das cores.

A desmielinização

A causa mais comum da neurite óptica é a desmielinização. Podemos pensar na bainha de mielina como o revestimento plástico de um fio elétrico; ela isola as fibras nervosas e permite que os impulsos elétricos viajem rapidamente. Na desmielinização, o sistema imunológico do próprio corpo ataca e destrói essa bainha protetora, um processo autoimune. Sem a mielina, a condução dos sinais visuais ao longo do nervo óptico se torna lenta e ineficiente, o que leva à perda de visão. A esclerose múltipla é a doença desmielinizante mais comumente associada à neurite óptica.

Esclerose múltipla

A neurite óptica tem uma forte associação com a esclerose múltipla (EM), uma doença neurológica crônica que afeta o cérebro e a medula espinhal. Em muitos casos, um episódio de neurite óptica pode ser o primeiro sinal clínico da doença, ocorrendo anos antes de outros sintomas neurológicos. Por essa razão, todo paciente com um primeiro episódio de neurite óptica típica geralmente passa por uma investigação neurológica, incluindo uma ressonância magnética do cérebro, para avaliar o risco de desenvolver esclerose múltipla no futuro.

A dor ocular

Um sintoma muito característico da neurite óptica típica é a dor ao movimentar os olhos. Cerca de 90% dos pacientes relatam essa dor, que geralmente é descrita como um desconforto ou uma dor surda na parte de trás do olho, que piora ao olhar para os lados ou para cima e para baixo. Isso acontece porque o nervo óptico está conectado aos músculos que movimentam o globo ocular. Quando o nervo está inflamado, o movimento desses músculos o estira, causando a dor. A dor costuma preceder ou acompanhar o início da perda de visão.

A visão de cores

A alteração na percepção das cores, ou discromatopsia, é um sinal muito sensível de que o nervo óptico não está funcionando bem. O paciente pode notar que as cores no olho afetado parecem mais “desbotadas”, “lavadas” ou menos brilhantes em comparação com o olho normal. A cor vermelha é frequentemente a mais afetada, parecendo mais opaca ou acinzentada. A avaliação da visão de cores com testes específicos, como as pranchas de Ishihara, é uma parte importante do exame oftalmológico na suspeita de neurite óptica, pois ajuda a quantificar a disfunção do nervo.

Perda de visão

A perda de visão na neurite óptica costuma ter um início agudo ou subagudo, desenvolvendo-se ao longo de horas ou dias. A intensidade pode variar muito, desde um leve embaçamento, como se a pessoa estivesse olhando através de um vidro sujo, até uma perda de visão severa, na qual a pessoa só consegue perceber a luz. A perda de visão geralmente afeta o centro do campo visual (escotoma central), mas outros padrões também podem ocorrer. A visão tende a piorar por uma a duas semanas antes de começar a se estabilizar e a melhorar gradualmente.

O diagnóstico

O diagnóstico da neurite óptica é primariamente clínico, baseado na história contada pelo paciente e nos achados do exame oftalmológico. O médico irá avaliar a acuidade visual, a visão de cores e as pupilas, procurando por um sinal chamado de defeito pupilar aferente relativo, que indica uma falha na condução do sinal pelo nervo. O exame de fundo de olho pode mostrar um inchaço na cabeça do nervo óptico (papilite). No entanto, em cerca de dois terços dos casos, o nervo parece normal, já que a inflamação é retrobulbar (atrás do olho).

A ressonância magnética

A ressonância magnética (RM) das órbitas e do cérebro é um exame fundamental na investigação da neurite óptica. Ela pode mostrar a inflamação e o espessamento do nervo óptico afetado, confirmando o diagnóstico. Mais importante ainda, a RM do cérebro pode identificar lesões desmielinizantes em outras áreas do sistema nervoso central. A presença dessas lesões na RM inicial é o fator mais importante para determinar o risco de um paciente com neurite óptica vir a desenvolver esclerose múltipla no futuro.

Causas atípicas

Embora a desmielinização seja a causa mais comum, a neurite óptica também pode ser causada por outros fatores, sendo então chamada de “atípica”. As causas podem ser infecciosas, por vírus (como o da caxumba ou sarampo) ou bactérias; inflamatórias não infecciosas, associadas a doenças como o lúpus ou a sarcoidose; ou por uma condição específica chamada neuromielite óptica (Doença de Devic), que é outra doença autoimune. A investigação da causa é importante, pois o tratamento pode ser diferente para cada caso.

A recuperação visual

O prognóstico visual da neurite óptica típica é, na maioria dos casos, muito bom. A visão geralmente começa a melhorar espontaneamente dentro de algumas semanas, e a maior parte da recuperação ocorre nos primeiros seis meses. Cerca de 90% dos pacientes recuperam uma acuidade visual de 20/40 ou melhor. No entanto, mesmo com uma boa recuperação da nitidez, algumas alterações sutis podem permanecer, como uma leve alteração na percepção do contraste ou das cores.

Neurite em crianças

A neurite óptica também pode ocorrer em crianças, mas costuma ter características um pouco diferentes das do adulto. Na infância, é mais comum que a neurite seja bilateral (afete os dois olhos) e que o exame de fundo de olho mostre um inchaço do nervo óptico (papilite). Além disso, a neurite em crianças está mais frequentemente associada a uma infecção viral recente ou a um quadro pós-vacinal, e tem uma associação menor com o risco futuro de esclerose múltipla em comparação com os adultos.

Dúvidas frequentes sobre a neurite óptica

Com base nas perguntas mais comuns dos pacientes, esta seção foi criada para explicar, de forma clara, as causas, os sintomas e os tratamentos para a neurite óptica.

Causas da neurite óptica
Sintomas da neurite óptica
Sobre a neurite óptica
Tipos de tratamento
Causas da neurite óptica

O que causa a neurite óptica?

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A neurite óptica é a inflamação do nervo óptico. A causa mais comum é a desmielinização, um processo autoimune no qual o sistema de defesa do corpo ataca a bainha de mielina, a capa protetora das fibras nervosas. Essa agressão interrompe a transmissão dos sinais visuais para o cérebro. A neurite óptica desmielinizante está fortemente associada à esclerose múltipla. Outras causas, menos comuns, incluem infecções (virais ou bacterianas), outras doenças autoimunes (como lúpus e sarcoidose) ou uma condição específica chamada neuromielite óptica. Em alguns casos, a causa não é identificada (idiopática).

A neurite óptica é sempre o primeiro sinal de esclerose múltipla?

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Não sempre, mas frequentemente. Estima-se que a neurite óptica seja o primeiro sintoma a se manifestar em cerca de 20% das pessoas que desenvolverão esclerose múltipla (EM). E, ao longo da vida, cerca de 50% de todos os pacientes com EM terão pelo menos um episódio de neurite óptica. Por essa forte associação, um primeiro episódio de neurite é considerado um evento de alto risco para o desenvolvimento futuro de EM, o que justifica a investigação neurológica completa.

Uma infecção, como uma gripe, pode causar neurite óptica?

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Sim. Uma neurite óptica pode ocorrer após uma infecção viral, como a gripe, o sarampo, a caxumba ou a catapora, ou após uma vacinação. Nesses casos, acredita-se que a inflamação não seja causada diretamente pelo vírus, mas sim por uma reação do sistema imunológico que, ao combater o vírus, acaba por atacar também a bainha de mielina do nervo óptico por um mecanismo de reação cruzada. Esse tipo de neurite é mais comum em crianças.

O estresse pode causar a neurite óptica?

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O estresse físico ou emocional não é uma causa direta de neurite óptica. No entanto, em pacientes que já têm uma doença desmielinizante como a esclerose múltipla, o estresse é frequentemente relatado como um possível gatilho para o surgimento de novos surtos inflamatórios, que podem se manifestar como uma neurite óptica ou com outros sintomas neurológicos. O estresse não cria a doença, mas pode influenciar na sua atividade em pessoas predispostas.

O que é a neuromielite óptica (Doença de Devic)?

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A neuromielite óptica (NMO), ou Doença de Devic, é outra doença autoimune e desmielinizante, mas que é diferente da esclerose múltipla. Na NMO, o sistema imunológico ataca especificamente uma proteína chamada aquaporina-4, que é muito presente no nervo óptico e na medula espinhal. A neurite óptica na NMO costuma ser mais grave, frequentemente bilateral e com uma recuperação visual pior do que na neurite associada à EM. O diagnóstico é feito com um exame de sangue específico que detecta o anticorpo anti-aquaporina-4.

A neurite óptica pode ser causada por um tumor?

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É muito raro. Um tumor geralmente causa perda de visão por compressão lenta e progressiva do nervo óptico, e não por uma inflamação aguda. No entanto, em casos raros, a compressão crônica por um tumor pode levar a um inchaço do nervo que se parece com uma neurite, ou um processo inflamatório ao redor de um tumor (um fenômeno paraneoplásico) pode causar uma neurite. A ressonância magnética é fundamental para descartar qualquer lesão compressiva.

A neurite óptica é hereditária?

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A neurite óptica em si não é uma doença hereditária. No entanto, a predisposição para as doenças autoimunes, como a esclerose múltipla, que são a principal causa da neurite, tem um componente genético. Ter um parente de primeiro grau com esclerose múltipla aumenta ligeiramente o risco de desenvolver a doença. Existem também as neuropatias ópticas hereditárias, mas essas são doenças degenerativas do nervo, e não inflamatórias como a neurite.

Fumar pode influenciar?

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Sim. O tabagismo é um fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento e a progressão da esclerose múltipla. Portanto, em um paciente que teve um episódio de neurite óptica, fumar aumenta o risco de ter novos surtos e de a doença neurológica progredir mais rapidamente. Parar de fumar é uma das medidas de estilo de vida mais importantes que um paciente pode tomar para melhorar seu prognóstico a longo prazo.

A neurite óptica pode acontecer nos dois olhos ao mesmo tempo?

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Pode, mas é menos comum em adultos. A neurite óptica típica, associada à esclerose múltipla, é geralmente unilateral, afetando um olho de cada vez (embora um segundo episódio possa ocorrer no outro olho no futuro). A neurite bilateral simultânea em um adulto levanta a suspeita de causas “atípicas”, como a neuromielite óptica (NMO) ou outras doenças inflamatórias sistêmicas. Em crianças, a ocorrência bilateral é um pouco mais frequente.

O que é uma neurite óptica idiopática?

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O termo “idiopática” significa que a causa da doença é desconhecida. Uma neurite óptica é classificada como idiopática quando, mesmo após uma investigação completa, incluindo a ressonância magnética e exames de sangue, não se encontra nenhuma associação com a esclerose múltipla ou com qualquer outra doença infecciosa ou inflamatória. A pessoa tem o episódio de inflamação no nervo, se recupera e não desenvolve nenhuma outra condição ao longo do tempo.

Sintomas da neurite óptica

Quais são os principais sintomas da neurite óptica?

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A tríade clássica de sintomas da neurite óptica é: a perda de visão, que geralmente é central e se desenvolve ao longo de alguns dias; a dor ao movimentar os olhos, que pode preceder a baixa de visão; e a discromatopsia, que é a alteração na percepção das cores, que parecem mais “desbotadas” ou “lavadas”. O grau de perda visual pode variar de um leve embaçamento a uma perda quase total da visão naquele olho.

A perda de visão acontece de repente?

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A perda de visão na neurite óptica é considerada aguda ou subaguda. Ela não acontece de forma instantânea, como em um problema vascular, mas se desenvolve e piora progressivamente ao longo de várias horas a alguns dias, atingindo o seu pico geralmente dentro de uma a duas semanas. Após esse período de piora, a visão tende a se estabilizar e, então, começa a melhorar gradualmente.

A dor no olho é muito forte?

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A dor associada à neurite óptica é muito característica. Não é uma dor no olho em si, mas sim uma dor na parte de trás do olho (retrobulbar), que é descrita como um desconforto ou uma dor surda que piora significativamente quando se move os olhos. A dor pode ser leve a moderada e costuma durar apenas os primeiros dias do episódio, melhorando mesmo que a acuidade visual ainda esteja reduzida. A ausência completa de dor é considerada um sinal atípico.

Como é a alteração na visão de cores?

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A perda da saturação das cores é um sintoma muito comum e um sinal muito sensível de disfunção do nervo óptico. O paciente geralmente nota que as cores no olho afetado, especialmente o vermelho, parecem menos vivas, mais pálidas ou acinzentadas em comparação com a visão do olho normal. O médico pode testar isso pedindo para o paciente comparar a cor de um objeto vermelho com cada olho separadamente. Essa alteração pode ser o último sintoma a se recuperar completamente.

Posso ver flashes de luz?

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Sim, alguns pacientes com neurite óptica relatam a percepção de flashes de luz (fotopsias), que podem ser desencadeados pelo movimento dos olhos ou ocorrerem espontaneamente. São geralmente descritos como “luzes piscando” ou “pontos brilhantes”. Acredita-se que sejam causados pela irritação das fibras nervosas inflamadas. No entanto, os flashes não são um sintoma tão comum ou proeminente quanto a dor e a perda da visão de cores.

A visão fica embaçada ou escura?

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Pode ser ambos. A perda de visão pode ser percebida como um embaçamento geral, como se a pessoa estivesse olhando através de um vidro embaçado, ou como um escurecimento da visão, como se a intensidade da luz tivesse diminuído. O mais comum é a formação de um escotoma central, uma mancha cega ou borrada bem no centro da visão, o que dificulta muito a leitura e o reconhecimento de rostos.

Os sintomas pioram com o calor?

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Sim, e esse é um fenômeno muito interessante, chamado de fenômeno de Uhthoff. Pessoas que já tiveram um episódio de neurite óptica podem notar um embaçamento temporário da visão quando a temperatura do corpo aumenta, como durante um exercício físico, um banho quente ou em um dia de muito calor. Isso acontece porque o aumento da temperatura piora a condução dos impulsos elétricos através das fibras nervosas que já foram previamente danificadas pela desmielinização. A visão volta ao normal assim que a temperatura do corpo se normaliza.

A neurite óptica causa olho vermelho?

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Não. A neurite óptica é uma inflamação que ocorre na parte de trás do olho, no nervo óptico. A aparência externa do olho permanece completamente normal. Ele não fica vermelho nem apresenta secreção. A inflamação não é visível a olho nu. Se a perda de visão vier acompanhada de um olho vermelho e doloroso, outras causas, como uma uveíte ou um glaucoma agudo, devem ser consideradas.

Os sintomas são em um olho só?

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Na forma típica do adulto, associada à esclerose múltipla, a neurite óptica é quase sempre unilateral, afetando apenas um olho por episódio. A ocorrência de neurite nos dois olhos ao mesmo tempo (bilateral simultânea) é rara em adultos e levanta a suspeita de outras causas, como a neuromielite óptica. Em crianças, a neurite bilateral é mais comum.

A neurite óptica pode causar cegueira permanente?

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É muito raro que um episódio típico de neurite óptica desmielinizante cause cegueira permanente. O prognóstico para a recuperação da acuidade visual é muito bom na maioria dos pacientes. No entanto, em formas mais graves ou atípicas da doença, como na neuromielite óptica, o dano ao nervo pode ser mais severo e a recuperação visual pode ser incompleta, resultando em uma perda de visão residual significativa.

Sobre a neurite óptica

Qual o prognóstico da neurite óptica? A visão volta ao normal?

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O prognóstico para a recuperação da visão na neurite óptica típica é geralmente excelente. A visão começa a melhorar espontaneamente em poucas semanas, e a maior parte da recuperação ocorre nos primeiros seis meses. Mais de 90% dos pacientes recuperam uma acuidade visual de 20/40 ou melhor. No entanto, mesmo com a recuperação da nitidez, algumas sequelas sutis podem permanecer, como uma leve alteração na percepção de contraste, na visão de cores ou o fenômeno de Uhthoff (piora com o calor).

A neurite óptica pode voltar?

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Sim, a neurite óptica pode recorrer, seja no mesmo olho ou no olho contralateral. O risco de um novo episódio é maior em pacientes que desenvolvem esclerose múltipla. O tratamento da esclerose múltipla com medicamentos imunomoduladores tem como um de seus principais objetivos diminuir a frequência e a gravidade dos surtos inflamatórios, o que inclui a prevenção de novas crises de neurite óptica.

Como é feito o diagnóstico de certeza?

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O diagnóstico da neurite óptica é, em grande parte, clínico, baseado na combinação dos sintomas típicos (baixa de visão, dor ao mover o olho, alteração de cores) e dos achados no exame oftalmológico (como o defeito pupilar aferente relativo). A ressonância magnética das órbitas pode confirmar a inflamação do nervo, mas o diagnóstico geralmente é feito antes mesmo do resultado do exame de imagem, que é mais importante para avaliar o prognóstico neurológico.

O que o exame de fundo de olho mostra?

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O exame de fundo de olho pode ter duas aparências. Em cerca de um terço dos casos, a inflamação afeta a cabeça do nervo óptico (a parte visível dentro do olho), e o médico observa um inchaço do disco óptico, um quadro chamado de papilite. Em dois terços dos casos, a inflamação ocorre na parte do nervo que fica atrás do olho (neurite retrobulbar). Nesses casos, o exame de fundo de olho pode ser completamente normal, o que originou a clássica frase: “nem o paciente nem o médico veem nada”.

Para que serve o exame de campo visual?

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O exame de campo visual é um teste funcional que mapeia a área de perda de visão. Ele é muito importante para documentar a extensão e o padrão do dano visual causado pela neurite. O defeito mais comum é um escotoma central (uma mancha cega no centro), mas outros padrões podem ocorrer. A repetição do exame ao longo do tempo permite quantificar objetivamente a recuperação da função do nervo óptico após o tratamento ou a resolução espontânea.

Quem é o profissional que trata a neurite óptica?

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O tratamento da neurite óptica é uma colaboração entre o oftalmologista e o neurologista. O oftalmologista, de preferência um neuro-oftalmologista, é quem faz o diagnóstico do evento ocular, avalia a visão e acompanha a sua recuperação. O neurologista é o profissional que investiga a causa sistêmica, principalmente a esclerose múltipla, interpreta a ressonância magnética e institui o tratamento de longo prazo para a doença neurológica de base, se ela for diagnosticada.

A neurite óptica é uma emergência?

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Sim, o surgimento dos sintomas de neurite óptica é considerado uma urgência médica. Embora a recuperação visual seja geralmente boa, a avaliação imediata é fundamental por dois motivos. Primeiro, para confirmar o diagnóstico e descartar outras causas de perda de visão que podem ter tratamentos diferentes. Segundo, e mais importante, para iniciar a investigação da causa de base o mais rápido possível, pois a neurite pode ser o primeiro sinal de uma doença neurológica séria que precisa de tratamento.

Qual a relação entre neurite óptica e esclerose múltipla?

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A relação é muito forte. A esclerose múltipla (EM) é uma doença autoimune na qual o sistema imunológico ataca a bainha de mielina no sistema nervoso central (cérebro, medula e nervos ópticos). A neurite óptica é, na verdade, um surto de EM que ocorre especificamente no nervo óptico. A presença de lesões desmielinizantes na ressonância magnética do cérebro no momento da neurite óptica é o fator de maior predição para o desenvolvimento de outros sintomas de EM no futuro.

A neurite óptica é contagiosa?

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Não, a neurite óptica não é contagiosa. Ela não é causada por um micro-organismo que possa ser transmitido de uma pessoa para outra. A forma mais comum é uma doença autoimune, uma inflamação interna do próprio corpo. Mesmo nos casos em que a neurite é desencadeada por um vírus, a inflamação em si é uma reação do sistema imunológico, e não a infecção viral direta, e não pode ser passada para outras pessoas.

A neurite óptica pode deixar sequelas?

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Sim. Embora a acuidade visual (a capacidade de ler as letras na tabela) se recupere bem na maioria dos pacientes, algumas sequelas visuais mais sutis podem persistir. As mais comuns são uma leve diminuição na sensibilidade ao contraste (a visão pode parecer um pouco “lavada”), uma alteração permanente na visão de cores e o fenômeno de Uhthoff (embaçamento transitório com o calor). Além disso, após a inflamação, o nervo óptico pode ficar com uma aparência pálida no fundo de olho, indicando uma atrofia residual.

Tipos de tratamento

Como a neurite óptica é tratada?

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O tratamento padrão para um primeiro episódio de neurite óptica típica, com perda visual significativa, é a administração de altas doses de corticosteroide por via intravenosa (pulsoterapia com metilprednisolona), geralmente por 3 a 5 dias, seguida por um período de corticoide oral em doses decrescentes. O objetivo principal desse tratamento não é melhorar o resultado visual final, mas sim acelerar a velocidade da recuperação. Além disso, o tratamento da doença de base, se houver, é fundamental.

O tratamento com corticoides sempre é necessário?

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Não necessariamente. Um grande estudo clínico (ONTT) mostrou que, para a neurite óptica típica, a recuperação da visão a longo prazo é igualmente boa com ou sem o tratamento com corticoides. No entanto, o estudo também mostrou que o corticoide intravenoso acelera a recuperação visual. Portanto, o tratamento é geralmente oferecido para encurtar o período de baixa visão. O uso de corticoide apenas por via oral, em doses baixas, não é recomendado, pois foi associado a um maior risco de novas crises.

O tratamento recupera a visão que foi perdida?

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Sim, na maioria dos casos. Diferente de doenças degenerativas como o glaucoma, a neurite óptica é uma condição inflamatória, e o nervo óptico tem uma boa capacidade de se recuperar após o surto. A visão geralmente começa a melhorar dentro de poucas semanas, com ou sem tratamento, e continua a melhorar por vários meses. A grande maioria dos pacientes recupera uma visão funcional excelente, embora algumas alterações sutis possam persistir.

A cirurgia pode tratar a neurite óptica?

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Não. A neurite óptica é uma condição inflamatória e, às vezes, autoimune, que é tratada clinicamente, com medicamentos. Não existe nenhum procedimento cirúrgico que possa tratar a inflamação do nervo óptico. A cirurgia não tem nenhum papel no manejo de um episódio agudo de neurite.

É preciso tratar a esclerose múltipla se ela for diagnosticada?

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Sim, com certeza. Se a investigação após um episódio de neurite óptica leva ao diagnóstico de esclerose múltipla, o tratamento neurológico de longo prazo é fundamental. Hoje, existem diversos medicamentos imunomoduladores muito eficazes que, embora não curem a EM, conseguem diminuir significativamente a frequência e a gravidade dos surtos inflamatórios, retardando a progressão da doença e a incapacidade neurológica. O tratamento é conduzido pelo médico neurologista.

O tratamento da neurite óptica em crianças é diferente?

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Sim. Como a neurite em crianças está menos associada à esclerose múltipla e mais a quadros pós-infecciosos, a abordagem pode ser diferente. A recuperação espontânea da visão também costuma ser muito boa. O uso de corticoides é decidido caso a caso, dependendo da gravidade da perda visual e se a condição é uni ou bilateral. A investigação para descartar outras causas também é muito importante.

Existem tratamentos para as sequelas da neurite?

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Para as sequelas mais comuns, como a leve alteração de contraste ou de cores, não existe um tratamento específico. O paciente aprende a conviver com essas pequenas diferenças na visão. Para o fenômeno de Uhthoff, a orientação é evitar situações de superaquecimento do corpo. Em casos raros, nos quais a perda de visão é severa e permanente, a reabilitação visual com auxílios para baixa visão pode ser indicada para ajudar na adaptação.

O que acontece se a neurite óptica não for tratada?

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Para a neurite óptica típica desmielinizante, a ausência de tratamento com corticoides geralmente não muda o resultado visual final; a recuperação apenas será mais lenta. No entanto, o mais importante é que não tratar significa não investigar a causa. Deixar de diagnosticar uma esclerose múltipla ou uma neuromielite óptica em seu estágio inicial significa perder a oportunidade de iniciar um tratamento de longo prazo que pode mudar o curso da doença e prevenir futuros surtos e incapacidades.

Existe algum tratamento para prevenir a neurite óptica?

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Não existe um tratamento para prevenir o primeiro episódio de neurite óptica em uma pessoa saudável. No entanto, para um paciente que já tem o diagnóstico de esclerose múltipla ou de neuromielite óptica, o tratamento contínuo e específico para essas doenças tem como um de seus principais objetivos prevenir a ocorrência de novos surtos inflamatórios, o que inclui novos episódios de neurite óptica.

A recuperação da dor é rápida?

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Sim. A dor ao movimentar os olhos é um sintoma da fase inflamatória aguda. Ela geralmente dura apenas os primeiros dias do episódio, de uma a duas semanas no máximo. A dor costuma melhorar e desaparecer espontaneamente, mesmo que a visão ainda não tenha começado a se recuperar. O tratamento com corticoides também ajuda a aliviar a dor de forma mais rápida, devido à sua potente ação anti-inflamatória.

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Ceratocone

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H.Olhos Laser Ocular

Av. Portugal, 830 . Jd Bela Vista . Santo André . SP
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HRO Rio Anil Shopping

Av. São Luís Rei de França, Rio Anil Shopping, 8, Loja 1094. Turu – São Luís – MA
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HRO Golden Shopping

Av. dos Holandeses, Golden Shopping Calhau, Loja 40. Calhau – São Luís – MA
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HRO Shopping da Ilha

Av. Daniel de la Touche, 987, Shopping da Ilha. Cohama – São Luís – MA
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HRO São Domingos

Av. Jerônimo de Albuquerque, 540. Complexo do Hospital São Domingos. Bequimão - São Luís – MA
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HOSL Recife

Estrada do Encanamento, 909/873. Casa Forte, Recife - PE.
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HOS Centro, Aracaju

R. Santo Amaro, 296 – Centro, Aracaju (SE).
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HOS Jardins Aracaju

Av. Min. Geraldo Barreto Sobral, 2131, Térreo, Centro Médico Jardins. Aracaju – SE
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HOS Aracaju (matriz)

Rua Campo do Brito, 995, Bairro São José.
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HOPE Ilha do Leite

Rua Francisco Alves, 887 • Ilha do Leite, Recife - PE
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HOPE Shopping Recife

Rua Padre Carapuceiro, 777 • Shopping Recife, Boa Viagem, Recife - PE • 1° piso
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HOPE Shopping Guararapes

Av. Barreto de Menezes, 800 • Piedade, Jaboatão dos Guararapes - PE • Entrada A
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HOPE Plaza Casa Forte

R. Dr. João Santos Filho, 255 • Parnamirim, Recife - PE • Mezanino
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HOPE RioMar

Av. República do Líbano, 251. Shopping RioMar. Pina, Recife - PE
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HOPE Shopping Patteo Olinda

R. Carmelita Muniz de Araújo, 225 • Shopping Patteo Olinda, Casa Caiada, Olinda - PE • L4 Piso Ribeira
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H.Olhos Molinari

R. Bento de Andrade, 379 - Jardim Paulista. São Paulo - SP. CEP: 04503-011.
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H.Olhos Clinoft

Rua Doutor João Ribeiro, 184 - Penha de França. São Paulo - SP
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H.Olhos Paulista

Rua Abílio Soares, 218 – Paraíso – São Paulo (SP). Próximo à Estação Paraíso do Metrô.
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H.Olhos ABC

Avenida Lucas Nogueira Garcez, 169 - São Bernardo do Campo (SP)
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HOC, Vitória

Av. Rosendo Serapiao de Souza Filho, 95. Mata da Praia - Vitória /ES
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HOC, Várzea Grande

Av. Castelo Branco, 790 - Centro Sul, Várzea Grande - MT, 78110-002
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HOC, Cuiabá

Av. Gen. Ramiro de Noronha, 453 - Jardim Cuiabá, Cuiabá - MT, 78043-272
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H.Olhos São Caetano do Sul

R. Espírito Santo, 67 – Centro – São Caetano do Sul – SP – CEP: 09530-700.
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H.Olhos Mauá

Rua Campos Sales, 48 – Vila Bocaina – Mauá – SP.
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H.Olhos Diadema

Rua Carmine Flauto, 26 – Centro – Diadema – SP
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H.Olhos Santo André

Rua Dona Carlota, 166 – Vila Bastos – Santo André – SP – CEP: 09040-250.
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H.Olhos Santo Amaro

Av. Santo Amaro, 6277- Chácara Santo Antônio – São Paulo – CEP: 04701-100.
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H.Olhos CEOSP Moema

Av. Ibijaú, 331 - Moema, São Paulo - SP, 04524-020
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CCOlhos Santa Lúcia, Vitória

R. das Palmeiras, 721, Santa Lucia, Vitória – ES
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CBV, Araucárias

Avenida das Araucárias, 785 – Loja 03. Águas Claras, Brasília – DF, 71936-250
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CBV, Taguatinga Sul

QSA 1, Lote 08. Em frente ao Alameda Shopping. Taguatinga Sul, Brasília – DF, 72015-010
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CBV, Matriz L2 Sul

Avenida L2 Sul, Quadra 613, Lote 91. Asa Sul, Brasília – DF, 70200-730
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