Urgência: cirurgia de descolamento de retina
A cirurgia de descolamento de retina é um procedimento de urgência para reposicionar a retina e preservar a visão.
Com base no que os pacientes mais perguntam, este conteúdo explica, de forma clara, por que a cirurgia é uma urgência, como é realizada e quais os cuidados para a recuperação.
O descolamento de retina é uma condição grave e urgente em que a retina, a fina camada de tecido nervoso que reveste o fundo do olho, se solta da sua posição normal. A retina é responsável por captar a luz e transformá-la em imagem. Quando ela se descola, perde o suprimento de sangue e a nutrição, e as suas células começam a se deteriorar. Se não for tratada rapidamente, essa condição pode levar à perda permanente da visão. A cirurgia é o único tratamento possível para o descolamento já instalado e tem como objetivo “colar” a retina de volta no lugar para restaurar a sua função.
A cirurgia é considerada uma urgência porque o tempo é um fator crítico para o resultado visual. As células da retina são neurônios e, uma vez que se descolam e perdem a nutrição, elas começam a morrer rapidamente. Essa perda celular é irreversível. Quanto mais tempo a retina permanece descolada, maior o dano e menor a chance de recuperação da visão, mesmo com uma cirurgia bem-sucedida. Se a área central da retina, a mácula, descolar, a perda da visão de detalhes finos e de leitura pode ser permanente. Por isso, ao primeiro sinal, a avaliação médica deve ser imediata.
Os sintomas clássicos de um descolamento de retina servem como um importante sinal de alerta. O paciente pode notar o aparecimento súbito de “moscas volantes” (pequenos pontos ou fios escuros flutuando na visão), flashes de luz (fotopsias), parecidos com relâmpagos, principalmente no canto da visão, e, o sintoma mais grave, o surgimento de uma sombra ou “cortina” escura que começa em uma parte do campo visual e avança progressivamente. Na presença de qualquer um desses sintomas, especialmente se eles surgirem de forma súbita e combinada, a procura por um oftalmologista deve ser imediata.
Existem alguns fatores de risco que aumentam a chance de uma pessoa ter um descolamento de retina. O principal deles é a alta miopia, pois os olhos míopes são mais longos e têm a retina mais fina e frágil. Outros fatores incluem um histórico de descolamento de retina no outro olho, histórico familiar da doença, traumas ou pancadas fortes no olho ou na cabeça, e cirurgias oculares prévias, como a de catarata, embora o risco seja baixo. Pacientes que já tiveram uma rasgadura na retina tratada com laser também precisam de acompanhamento, pois novas lesões podem surgir.
O descolamento de retina nunca se cura sozinho. Uma vez que a retina se solta, ela não tem a capacidade de se “colar” novamente sem uma intervenção. A única forma de tratamento é a cirurgia. O que pode acontecer, em alguns casos, é o diagnóstico de uma rasgadura na retina antes que ela cause um descolamento. Nesse cenário, um procedimento preventivo com laser, chamado de fotocoagulação, pode ser feito no consultório para “soldar” a retina ao redor da rasgadura e evitar que o líquido passe por ela, prevenindo o descolamento. Mas, uma vez que o descolamento já ocorreu, a cirurgia é indispensável.
A falta de tratamento cirúrgico para um descolamento de retina leva, invariavelmente, à perda total e irreversível da visão do olho afetado. A retina, sem a sua nutrição, irá se deteriorar completamente. Além da cegueira, um olho com um descolamento de retina antigo pode sofrer outras complicações. Ele pode tornar-se doloroso, desenvolver inflamação crônica, catarata, glaucoma secundário e, em última instância, pode atrofiar e diminuir de tamanho, uma condição chamada de phthisis bulbi. Portanto, a cirurgia não é apenas para tentar recuperar a visão, mas também para salvar a saúde do olho como um todo.
Não, a cirurgia de descolamento de retina tem um único e principal objetivo: salvar a visão e a integridade anatômica do olho. A meta é puramente terapêutica, focada em reposicionar a retina e tratar as suas lesões. A cirurgia não tem a finalidade de corrigir erros refrativos como miopia, hipermetropia ou astigmatismo. Na verdade, é comum que, após a cirurgia, o grau do olho mude, especialmente se for utilizada a técnica de introflexão escleral. A preocupação com a correção do grau é secundária e será abordada com o uso de óculos após a completa recuperação do olho.
Sim, mesmo que a visão já esteja muito comprometida, a cirurgia de descolamento de retina ainda é indicada. Primeiramente, sempre existe a chance de alguma recuperação visual, mesmo que parcial, especialmente da visão periférica, que é importante para a locomoção e a percepção do espaço. Em segundo lugar, como mencionado, a cirurgia é importante para preservar a saúde e a estrutura do globo ocular, evitando que ele se atrofie e se torne doloroso. O oftalmologista irá avaliar o tempo do descolamento e as condições da retina para dar uma perspectiva realista sobre as chances de recuperação.
O descolamento de retina é uma condição que geralmente afeta um olho de cada vez. É extremamente raro que uma pessoa tenha um descolamento agudo nos dois olhos simultaneamente. A cirurgia é realizada no olho afetado. No entanto, se o paciente tem fatores de risco em ambos os olhos, como lesões predisponentes, o oftalmologista pode realizar um tratamento preventivo com laser no outro olho para diminuir o risco de ele também descolar. A cirurgia em si é sempre unilateral. Se, por uma infelicidade, o segundo olho descolar no futuro, ele será tratado em um novo procedimento.
Não, a técnica cirúrgica pode variar. O tipo mais comum é o descolamento regmatogênico, causado por uma rasgadura, e as cirurgias mais usadas são a vitrectomia ou a retinopexia com introflexão. Existem outros tipos mais raros, como o descolamento tracional, comum no diabetes avançado, onde a retina é repuxada por membranas. Nesse caso, a vitrectomia é necessária para cortar e remover essas membranas. E há o descolamento seroso, causado por inflamações ou tumores, onde o tratamento é focado na doença de base, e a cirurgia de retina nem sempre é a primeira opção.
A vitrectomia é uma microcirurgia realizada dentro do olho. O cirurgião faz de 3 a 4 microincisões na parede ocular. Por elas, ele introduz uma fibra óptica para iluminar, uma linha de infusão para manter o olho com a pressão correta e o vitreófago, um instrumento que corta e aspira o gel vítreo. Após remover o vítreo, o cirurgião drena o líquido que está sob a retina, fazendo com que ela se assente de volta em sua posição. Em seguida, ele utiliza um laser para “soldar” a rasgadura. Ao final, o olho é preenchido com gás ou óleo de silicone para manter a retina pressionada no lugar enquanto ela cicatriza.
A retinopexia com introflexão escleral é outra técnica, realizada por fora do olho. O cirurgião identifica a localização da rasgadura na retina. Em seguida, ele sutura uma pequena faixa ou esponja de silicone na parede externa do olho (a esclera), exatamente sobre a área da rasgadura. Essa faixa “empurra” a parede do olho para dentro, criando uma indentação interna. Isso alivia a tração que o vítreo exerce sobre a rasgadura e faz com que a retina se reaproxime da parede do olho. Para selar a rasgadura, o médico utiliza uma sonda de congelamento (criorretinopexia) aplicada por fora do olho.
Não, a cirurgia é realizada de forma a ser completamente indolor. Para garantir o conforto do paciente, ela é feita sob anestesia local, com um bloqueio anestésico ao redor do olho, associada a uma sedação. O médico anestesista administra a sedação para que o paciente fique relaxado e sonolento, e o bloqueio elimina totalmente a dor e a movimentação do olho durante o procedimento. No pós-operatório, é normal sentir um desconforto, uma sensação de pressão ou de corpo estranho, mas a dor intensa não é comum e pode ser um sinal de alerta. Analgésicos são prescritos para controlar qualquer incômodo.
A duração da cirurgia de descolamento de retina pode variar bastante, dependendo da complexidade do caso e da técnica utilizada. Uma cirurgia de retinopexia com introflexão escleral ou uma vitrectomia para um caso mais simples pode durar de 1 a 2 horas. Em casos de descolamentos mais complexos, com múltiplas rasgaduras ou com a presença de tecido cicatricial (proliferação vitreorretiniana), a cirurgia pode ser mais longa e demorada, podendo levar de 3 a 4 horas. O importante é que o cirurgião tenha todo o tempo necessário para realizar cada passo com a máxima precisão e cuidado.
Na maioria dos casos, a anestesia geral não é necessária. A combinação de anestesia local, com o bloqueio dos nervos ao redor do olho, e a sedação intravenosa é a abordagem mais comum e segura para a maioria dos pacientes. Ela oferece um excelente controle da dor e do movimento do olho, com uma recuperação mais rápida e menos riscos do que a anestesia geral. No entanto, a anestesia geral pode ser a melhor opção em algumas situações, como em cirurgias muito longas, em pacientes muito ansiosos ou que não podem colaborar, em crianças ou em casos de trauma facial associado. A decisão é tomada em conjunto pela equipe médica e pelo paciente.
Ao final de uma vitrectomia, o olho é preenchido com uma bolha de gás especial. Esse gás funciona como um “curativo” ou “tutor” interno. Por ser mais leve que o líquido ocular, a bolha de gás sobe e pressiona a retina contra a parede do olho, mantendo-a seca e no lugar enquanto a cicatrização do laser ao redor da rasgadura acontece. Existem diferentes tipos de gases, com diferentes tempos de duração dentro do olho, que pode variar de 2 a 8 semanas. Durante esse período, o gás é gradualmente absorvido pelo corpo e substituído pelo humor aquoso que o próprio olho produz.
O óleo de silicone é outra substância, transparente e mais densa, que pode ser usada para preencher o olho ao final da cirurgia. Ele tem a mesma função do gás: manter a retina colada. A sua principal indicação é para casos de descolamentos de retina mais graves, como aqueles com rasgaduras muito grandes, na parte de baixo do olho, ou com muita cicatrização (proliferação vitreorretiniana). A grande diferença é que o óleo de silicone não é absorvido pelo corpo e permanece no olho até ser removido. Isso exige uma segunda cirurgia, geralmente mais simples, após alguns meses, para a sua retirada.
O laser, na cirurgia de descolamento de retina, funciona como uma “solda”. O objetivo principal da cirurgia é fechar a rasgadura que causou o descolamento. Após a retina ser reposicionada, o cirurgião utiliza uma sonda de laser (endolaser, na vitrectomia) ou um aparelho externo para aplicar disparos ao redor de toda a borda da rasgadura. O laser cria pequenas queimaduras controladas que, ao cicatrizarem, criam uma adesão forte e permanente entre a retina e a parede do olho. Essa barreira de laser impede que o líquido volte a passar pela rasgadura, prevenindo um novo descolamento.
Não, de forma alguma. Essa é uma dúvida muito comum e que pode gerar receio. A cirurgia de descolamento de retina, assim como todas as cirurgias oftalmológicas, é realizada com o olho em sua posição normal, na órbita. O cirurgião utiliza um microscópio cirúrgico que magnifica as imagens e instrumentos microcirúrgicos extremamente finos e delicados para acessar o interior do olho através de pequenas incisões ou para trabalhar na sua superfície externa. Em nenhum momento o olho é removido do seu lugar. É um procedimento de alta precisão, focado nas estruturas internas do globo ocular.
A cirurgia de descolamento de retina é um procedimento de alta complexidade e que deve ser realizado por um médico oftalmologista com subespecialização em Retina e Vítreo. O retinólogo, como é chamado, é o profissional que dedicou anos de treinamento específico para o tratamento clínico e, principalmente, cirúrgico das doenças que afetam o fundo do olho. A sua habilidade para a microcirurgia, o conhecimento profundo da anatomia e a experiência no manejo das diferentes técnicas e tecnologias são fundamentais para o sucesso de uma cirurgia tão delicada e crucial para a visão.
Sim, a cirurgia de descolamento de retina é um procedimento seguro, especialmente com as técnicas de microcirurgia minimamente invasivas atuais. No entanto, é importante entender que se trata de uma cirurgia de alta complexidade, realizada em um olho que já está doente. Os riscos existem, mas a alternativa, que é não operar, leva à perda total da visão. A cirurgia é o único caminho para tentar salvar a visão. Realizada por um cirurgião de retina experiente, em um centro cirúrgico bem equipado, a cirurgia tem altas taxas de sucesso em “colar” a retina, que é o objetivo anatômico principal.
Os riscos de uma cirurgia de descolamento de retina podem ser divididos em imediatos e tardios. Os riscos imediatos incluem sangramento, infecção (endoftalmite), que é rara mas muito grave, e o aumento da pressão ocular. Os riscos tardios incluem o redescolamento da retina (a principal complicação), a formação de catarata (muito comum após a vitrectomia), o aumento persistente da pressão (glaucoma secundário) e a formação de uma membrana cicatricial na retina (proliferação vitreorretiniana). O acompanhamento cuidadoso no pós-operatório é fundamental para identificar e tratar essas complicações.
Sim, o redescolamento da retina é a principal complicação e a maior causa de insucesso da cirurgia. A taxa de sucesso anatômico, ou seja, de a retina ficar colada após uma única cirurgia, é de cerca de 85% a 90%. Nos casos em que a retina volta a descolar, isso geralmente acontece por causa da formação de um tecido cicatricial na superfície da retina, chamado de proliferação vitreorretiniana (PVR). Esse tecido se contrai e repuxa a retina, causando um novo descolamento. Nesses casos, uma ou mais novas cirurgias podem ser necessárias para tentar corrigir o problema.
Sim, o desenvolvimento ou a aceleração da catarata é uma consequência muito comum após vitrectomia em pacientes fácicos, especialmente quando o gás ou o óleo de silicone são utilizados. A mudança no ambiente interno do olho após a remoção do vítreo favorece a opacificação do cristalino. A maioria dos pacientes que realiza a vitrectomia e que ainda tem o seu cristalino natural precisará de uma cirurgia de catarata no futuro, geralmente entre 6 meses e 2 anos após o procedimento. Isso é considerado uma consequência esperada da cirurgia, e não uma complicação.
A proibição de viajar de avião é uma medida de segurança absoluta para pacientes que têm uma bolha de gás dentro do olho. Durante o voo, a pressão da cabine do avião diminui. Essa mudança de pressão faz com que a bolha de gás dentro do olho se expanda de forma perigosa e rápida. Essa expansão pode causar um aumento súbito e extremo da pressão intraocular, o que pode levar a uma dor insuportável, ao bloqueio da circulação do nervo óptico e à perda irreversível da visão. A proibição se mantém até que o oftalmologista confirme que o gás foi completamente absorvido.
O risco de uma infecção intraocular (endoftalmite) após uma cirurgia de descolamento de retina existe, mas é muito baixo, em torno de 1 para 1.000 ou 2.000 casos. É uma complicação rara, mas muito grave. A prevenção é a principal arma. A cirurgia é realizada em um ambiente estéril. Antes, durante e após o procedimento, são utilizados produtos antissépticos, como o iodo, e antibióticos. O paciente também utiliza colírios antibióticos por algumas semanas no pós-operatório. É fundamental seguir as orientações de higiene e evitar qualquer contaminação do olho operado.
Sim, o aumento da pressão intraocular (glaucoma secundário) é uma complicação possível após a cirurgia de descolamento de retina. Isso pode acontecer por diversos motivos. No pós-operatório imediato, a inflamação ou a presença de gás ou silicone podem dificultar a drenagem do líquido ocular. A longo prazo, a própria cicatrização pode afetar o sistema de drenagem. O oftalmologista monitora a pressão de perto em todas as consultas de retorno. Se a pressão subir, ela geralmente pode ser controlada com o uso de colírios para glaucoma. Em alguns casos, uma nova cirurgia pode ser necessária para o controle da pressão.
A proliferação vitreorretiniana, ou PVR, é a principal causa do insucesso da cirurgia de descolamento de retina. É uma resposta cicatricial exagerada do olho. Células da própria retina se soltam e começam a crescer na superfície da retina e no vítreo, formando membranas ou tecidos cicatriciais. Essas membranas se contraem, como uma ferida na pele, e acabam repuxando e enrijecendo a retina, causando um novo descolamento, geralmente mais complexo. O risco de PVR é maior em descolamentos grandes, antigos ou associados a traumas. O tratamento do PVR exige novas e mais complexas cirurgias.
O óleo de silicone é uma ferramenta muito importante para casos complexos, mas a sua permanência prolongada dentro do olho pode estar associada a algumas complicações. A mais comum é o aumento da pressão ocular. O óleo também pode, com o tempo, se emulsificar, ou seja, se quebrar em pequenas gotículas que podem se espalhar pelo olho e causar inflamação ou se depositar na córnea. Por essas razões, na maioria dos casos, o cirurgião programa uma segunda cirurgia para a remoção do óleo de silicone, geralmente alguns meses após a retina estar completamente cicatrizada e estável.
O paciente deve estar muito atento aos sinais de alerta no pós-operatório. Se houver uma dor intensa e que piora em vez de melhorar, uma vermelhidão crescente, inchaço na pálpebra, secreção ou, principalmente, uma piora súbita da visão (depois de uma melhora inicial), o oftalmologista deve ser contatado imediatamente, a qualquer hora do dia ou da noite. Esses podem ser sinais de uma complicação grave, como uma infecção ou um aumento muito grande da pressão, que exigem tratamento de urgência. A comunicação rápida com a equipe médica é fundamental.
Como a cirurgia de descolamento de retina é frequentemente uma urgência, os preparativos são feitos de forma rápida no próprio hospital. O paciente passará por uma avaliação clínica e cardiológica para garantir que está em boas condições para a anestesia. É fundamental que ele esteja em jejum absoluto (nem água) por pelo menos 8 horas. É importante informar à equipe médica a lista completa de todos os medicamentos em uso, especialmente anticoagulantes. O olho a ser operado será dilatado com colírios, e a equipe de enfermagem irá orientar sobre os próximos passos.
A decisão de suspender ou não o uso de medicamentos anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários (como aspirina, clopidogrel, varfarina ou rivaroxabana [Xarelto®]) é tomada caso a caso, em conjunto pela equipe de oftalmologia, pelo cardiologista e pelo anestesista. Em uma cirurgia de urgência, muitas vezes não há tempo para uma suspensão segura. Nesses casos, a cirurgia pode ser realizada com cuidados adicionais para controlar o sangramento. Em situações menos urgentes, pode-se aguardar alguns dias para que o efeito do medicamento diminua. Essa decisão é sempre médica, e o paciente nunca deve suspender o remédio por conta própria.
Logo após a cirurgia, o olho operado estará coberto com um curativo oclusivo. O paciente ficará em uma sala de recuperação até passar completamente o efeito da anestesia e da sedação. É normal sentir algum desconforto e náuseas. Dependendo da complexidade da cirurgia, o paciente pode precisar ficar internado por uma noite para observação. Antes da alta, ele receberá todas as orientações sobre o repouso, a posição de cabeça (se necessária), o uso dos colírios e os sinais de alerta. O retorno para a primeira consulta de avaliação geralmente é no dia seguinte.
O uso correto e rigoroso dos colírios é uma parte essencial do tratamento. A receita geralmente inclui três tipos de colírios: um antibiótico para prevenir infecção, um anti-inflamatório (corticoide) para controlar a inflamação, e um cicloplégico para dilatar a pupila, o que ajuda a diminuir o desconforto e a prevenir complicações. É fundamental seguir os horários indicados, que podem ser de hora em hora no início. As mãos devem ser muito bem lavadas antes de cada aplicação. O uso dos colírios continua por várias semanas, com a frequência diminuindo gradualmente.
A posição de cabeça no pós-operatório é uma orientação fundamental quando se utiliza gás dentro do olho. A bolha de gás sempre se desloca para a parte superior do olho pela gravidade. Ao posicionar a cabeça de uma determinada maneira (geralmente olhando para baixo ou de lado), o paciente direciona a bolha para que ela pressione a área da retina onde está a rasgadura. Essa pressão é o que mantém a retina seca e no lugar, permitindo que o laser cicatrize e “cole” a retina de forma definitiva. Manter a posição, principalmente na primeira semana, pode ser cansativo, mas é um dos fatores mais importantes para o sucesso da cirurgia.
A recuperação da visão após uma cirurgia de descolamento de retina é lenta e gradual. Não se deve esperar uma visão nítida nos primeiros dias ou semanas. Se foi utilizado gás, a visão ficará muito embaçada, como se estivesse olhando debaixo d’água, até que ele seja absorvido. Com o óleo de silicone, a visão fica melhor, mas o grau do olho muda muito. A melhora da qualidade da visão depende da gravidade do descolamento, do tempo que a retina ficou descolada e, principalmente, se a mácula foi ou não afetada. O resultado visual final pode levar de 6 meses a um ano para se estabilizar.
O repouso no pós-operatório é muito importante. Nos primeiros 30 dias, todas as atividades que envolvam esforço físico, como levantar peso, correr, ou fazer trabalhos domésticos pesados, devem ser evitadas. Dirigir também é proibido até a liberação pelo médico. É fundamental não coçar ou apertar o olho. Banhos de mar e piscina são proibidos por pelo menos um mês. A leitura pode ser difícil no início e não precisa ser forçada. A colaboração do paciente em seguir essas restrições é crucial para que a retina cicatrize na posição correta, sem novas trações.
O tempo de afastamento do trabalho varia muito, dependendo da natureza da atividade profissional e da recuperação individual. Para trabalhos de escritório, que não exigem esforço físico, o retorno pode ser possível após 2 a 4 semanas, dependendo da visão e da necessidade de manter a posição de cabeça. Para trabalhos que exigem esforço físico, visão perfeita ou que envolvem ambientes com poeira, o afastamento será mais longo, geralmente de 30 a 60 dias, ou até que o médico dê a liberação. A cirurgia de descolamento de retina exige um período de recuperação mais prolongado.
Sim, é normal que o olho operado fique vermelho, inchado e desconfortável nas primeiras semanas. A vermelhidão é um sinal da inflamação e da cicatrização. A sensação de areia, de pressão ou de corpo estranho também é comum. No entanto, uma dor forte, latejante e que piora com o tempo não é normal e deve ser comunicada imediatamente ao médico. O desconforto normal é bem controlado com os colírios anti-inflamatórios e com os analgésicos que são prescritos. A aparência do olho vai melhorando progressivamente ao longo de algumas semanas.
O acompanhamento oftalmológico após uma cirurgia de descolamento de retina é contínuo e vitalício. As consultas são muito frequentes no primeiro mês. Depois, o intervalo vai aumentando, mas o paciente precisará ser reavaliado periodicamente. Nessas consultas, o médico irá verificar se a retina permanece colada, monitorar a pressão ocular e avaliar o surgimento de outras complicações, como a catarata. Também é fundamental o exame regular do outro olho, pois ele tem um risco aumentado de também apresentar problemas. O acompanhamento cuidadoso é a chave para a saúde ocular a longo prazo.
A blefaroplastia remove excesso de pele e bolsas nas pálpebras, proporcionando rejuvenescimento natural do olhar e, em muitos casos, melhora do campo visual.
A cirurgia de catarata é um procedimento seguro que remove o cristalino opaco e o substitui por uma lente artificial, restaurando a visão com clareza e nitidez.
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A cantoplastia reforça o canto lateral da pálpebra inferior, reposiciona tecidos e aprimora o contorno ocular. O procedimento favorece conforto visual, estabilidade e resultado natural, com cicatriz discreta e recuperação gradual acompanhada pelo especialista.
A cirurgia plástica facial combina procedimentos para rejuvenescer e harmonizar o rosto, tratando pálpebras, nariz e contornos com técnicas seguras e avançadas.
Cirurgia refrativa corrige grau com laser ou lente fácica, reduzindo dependência de óculos e proporcionando visão estável, recuperação rápida e cuidados personalizados.